HEMANGIOMA ESPLÊNICO EM CANINO - RELATO DE CASO

  • Thaís Fasolo Sobreira
  • Thaís Fasolo Sobreira
  • Kássia Martins Machado
  • Fernanda Horstmann Risso
  • Natália Horstmann Risso
  • Fernanda Porcela dos Santos
Rótulo Baço, Neoplasia, Cirurgia

Resumo

O baço é um órgão do sistema linfóide responsável por estocar e realizar a maturação de células sanguíneas. A esplenectomia total é indicada em casos de neoplasias, torções, traumas graves, lesões esplênicas e distúrbios hematológicos imunomediados. Hemangioma, hemangiossarcoma e linfoma são as neoplasias esplênicas mais comuns em cães e gatos; o hemangioma esplênico corresponde a 34% das massas esplênicas biopsiadas. O objetivo deste trabalho foi descrever o tratamento cirúrgico instituído em um canino com hemangioma esplênico. Foi atendido em um Centro Veterinário localizado em Santana do Livramento/RS um canino, macho, SRD, 14 anos, pesando 12,7kg. O tutor relatou que o animal apresentava aumento de volume abdominal, não defecava e estava com hiporexia há 5 dias. Ao exame clínico, o paciente apresentou FC 120bpm, presença de sopro grau III (foco mitral), FR 30mpm, PAS 150mmHg, temperatura corporal de 39°C, TPC 2 seg e mucosas róseas. Os demais parâmetros encontravam-se sem alterações. À palpação abdominal o paciente apresentava dor, aumento de volume abdominal em região epigástrica e mesogástrica (lado esquerdo). Foram solicitados: hemograma, testes bioquímicos (Alb, creatinina, ALT, AST, FA, glicose e uréia), radiografia de tórax em três incidências e ultrassonografia abdominal. Os exames complementares revelaram as seguintes alterações: eritrograma [Hemácias 4,86 (VR 5,5 - 8,5 milhões/mm³), Ht: 34% (VR: 37-55%), CHCM 32% (VR: 31-35%;), VCM 70 fL (VR: 60-77 fL)] evidenciando anemia normocítica normocrômica com presença de anisocitose moderada e policromasia leve; leucograma com leucocitose discreta 17,7 (VR 6,0 - 17,0 mil/mm³) por neutrofilia com desvio à esquerda - [neutrófilos segmentados 15.045 (VR 3.000-11.500/mm³) e bastonetes 531 (VR 0-300/mm³)]. No exame bioquímico realizado, a FA encontrava-se aumentada 471 UI/L (VR 0-156 UI/L), a ureia 15 mg/dL (VR 21,4 59,92 mg/dL) e a albumina 1,30 g/dL (VR 2,6 3,3 g/dL) baixas, os demais dentro dos valores de referência. Ao ultrassom visualizou-se esplenomegalia focal (nódulo de 15x13cm) e não foram visualizadas estruturas compatíveis com metástases abdominais. O tutor optou por não realizar o exame radiográfico por questões de custo. Levando em conta os aspectos supracitados estabeleceu-se o diagnóstico presuntivo de neoplasia esplênica, sendo o paciente classificado como ASA IV e encaminhado para cirurgia. MPA: Midazolam (0,2 mg/kg), Metadona (0,2 mg/kg), via IM. Indução: Propofol (4 mg/kg), Fentanil (1 µg/kg) via IV, intubação com tubo de Murphy 6,5 e mantido em circuito semifechado com Isofluorano em 1,4 CAM associado a infusão contínua de Fentanil (0,4 ug/kg/min) via IV. Antissepsia: Clorexidine alcoólico 0,5%, colocação de panos de campo e posteriormente executada uma incisão pré retro-umbilical mediana conforme técnica padrão. Ao exteriorizar o baço, este foi isolado com compressas estéreis e realizada a técnica de esplenectomia total conforme descrito por Fossum (2015). A síntese foi realizada plano a plano: muscular (Sultan - mononylon 2-0), subcutâneo (sutura contínua simples - mononylon 3-0) e pele (PIS mononylon 3-0). Após o procedimento o paciente foi conduzido para a UTI, permanecendo em monitoramento intensivo durante 24 horas e transferido para a ala semi-intensiva após estabilização (permanecendo por mais 6 dias). Foram prescritos as seguintes medicações no pós-operatório: Meloxicam (0,1 mg/kg, SC, SID, 7d), Oxcell 1000 mg (1 cápsula, VO, SID, 7d), Citrato de Maropitant (1 mg/kg, IV, SID, 7d); Metronidazol (15 mg/kg, IV, BID, 7d), Amoxicilina + Clavulanato de potássio (15 mg/kg, VO, BID, 7d), Dipirona (25 mg/kg, SC, BID, 7d), Ondansetrona (0,5 mg/kg, IV, TID, 7d), Tramadol (2 mg/kg, VO, QID, 7d) e fluidoterapia com ringer lactato (25 mL/kg/dia). Ao repetir o hemograma cinco dias após o procedimento cirúrgico, foi possível detectar uma melhora no quadro da anemia do paciente (Hemácias 5,14 milhões/mm³, Ht 36%, VCM 70 fL e CHGM 33%) com presença de critérios de regeneração medular e retorno dos demais parâmetros aos valores fisiológicos. Com a melhora clínica, evidenciada pelos exames laboratoriais, optou-se pela alta médica. O baço foi encaminhado para exame histopatológico, obtendo-se resultado de hemangioma esplênico. Em contato posterior com o tutor sobre o paciente, este relatou que o animal encontrava-se hígido e não teve alterações desde o procedimento cirúrgico. Destaca-se a importância da intervenção cirúrgica, pois através dela foi possível a resolução dos sinais clínicos, tendo a esplenectomia finalidade curativa e também diagnóstica.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
FASOLO SOBREIRA, T.; FASOLO SOBREIRA, T.; MARTINS MACHADO, K.; HORSTMANN RISSO, F.; HORSTMANN RISSO, N.; PORCELA DOS SANTOS, F. HEMANGIOMA ESPLÊNICO EM CANINO - RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.