DIOCTOFIMOSE: OCORRÊNCIA DE FALSO NEGATIVO NO EXAME URINÁRIO

  • Cleber Martins Ribeiro
  • Tiago Felipe Barbosa Moreira
  • Alexsander Ferraz
  • Gabriela de Almeida Capella
  • Josaine Cristina da Silva Rappeti
  • Leandro Quintana Nizoli
Rótulo Dioctophyme, renale, análise, sedimento, urinário, diagnóstico, cirurgia

Resumo

A dioctofimose também chamada popularmente de doença do verme gigante do rim, é uma doença parasitária, zoonótica que possui como agente etiológico o nematódeo Dioctophyme renale. Este parasito acomete os rins, principalmente o direito, podendo também ser encontrado em outras regiões, como livre na cavidade abdominal e outros órgãos do trato urinário. O parasito penetra na cápsula renal, destruindo e atrofiando o parênquima, reduzindo o rim a uma cápsula fibrosa com fluído necro-hemorrágico. No seu ciclo biológico, os ovos são eliminados com a urina do hospedeiro definitivo e evoluem em meio aquático. Os cães se infectam ao ingerirem as formas infectantes (larvas L3) em anelídeos, oligoquetas aquáticos (hospedeiros intermediários) ou em rãs e peixes (hospedeiros paratênicos). O parasita adulto é vermelho-púrpura e cilíndrico, com muitas variações de tamanho, entre fêmeas e machos. A infecção em cães é subclínica ou assintomática podendo apresentar sinais e sintomas clínicos inespecíficos, além de levar a uma total destruição, ou parcial do parênquima renal, atrofia e fibrose dos túbulos renais, dilatação da pelve renal, obstrução da uretra, formação óssea e cálculos renais. No tratamento é preconizado a nefrectomia do rim afetado e posterior acompanhamento do paciente, indica-se também exames hematológicos, séricos e por imagem para monitoramento das funções do rim esquerdo e do estado de saúde como um todo. O diagnóstico de dioctofimose em cães pode ser estabelecido por meio da visualização de ovos no sedimento urinário (exame urinário); por técnicas de imagem, que possibilitem a visualização de parasitos adultos ou por achados de cirurgia e de necropsia. Dentre os métodos de diagnóstico, a análise de sedimento urinário (exame urinário) destaca-se por ser muito utilizada para diagnóstico em cães e humanos. No entanto, por meio do exame urinário, não é possível o diagnóstico nos casos envolvendo exclusivamente machos, fêmeas imaturas ou localizações ectópicas do parasito. Dessa forma, nesses casos existe a possibilidade de resultados falsos negativos, pois não é possível a identificação de ovos do parasito no sedimento urinário. O D. renale destaca-se pela sua patogenia envolvendo o rim, frequência de registros no extremo sul do Brasil e potencial zoonótico. Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar a técnica de análise de sedimento de urina para o diagnóstico de dioctofimose em cães. Para isso, participaram desse estudo 38 cães, 25 fêmeas e 13 machos, oriundos da rotina do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Pelotas, sendo todos infectados com D. renale, confirmados pela presença do parasito por cirurgia. Os procedimentos realizados foram aprovados pelo comitê de ética da UFPel (CEEA 4395/15 e 57772/19). As amostras de urina foram coletadas por micção espontânea e a pesquisa de ovos foi realizada utilizando a técnica de centrífugo-sedimentação, seguida de observação em microscópio óptico. No resultado desse estudo foi possível verificar que dos 38 pacientes (100%) positivos para D. renale por cirurgia, 29 (76,32%) foram positivos e nove (23,68%) foram negativos no exame de urina. No momento da cirurgia foi possível observar diferentes razões para os cães não apresentarem ovos no sedimento urinário. Dessa forma, seis cães estavam infectados somente por parasitos machos, um cão por fêmeas não viáveis (coloração verde, sem motilidade e tonicidade), um cão por fêmea imatura e um cão sem parasitos no rim, somente localizados na cavidade abdominal. No entanto, salienta-se que esta técnica tem sido utilizada em diversos estudos epidemiológicos de dioctofimose em cães e, portanto, com a possibilidade de presença desse parasito estar sendo subestimada. Com esse desenlace pode-se concluir que o exame urinário sozinho não possibilita um diagnóstico preciso, podendo aparecer falsos negativos. Sugere-se que para o diagnóstico de dioctofimose seja associado mais de um exame complementar, como um exame de urina em conjunto com o exame de imagem.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
MARTINS RIBEIRO, C.; FELIPE BARBOSA MOREIRA, T.; FERRAZ, A.; DE ALMEIDA CAPELLA, G.; CRISTINA DA SILVA RAPPETI, J.; QUINTANA NIZOLI, L. DIOCTOFIMOSE: OCORRÊNCIA DE FALSO NEGATIVO NO EXAME URINÁRIO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.