DISCUTINDO A TROMBOCITOPENIA NO PACIENTE FELINO ASSOCIADA A AGREGAÇÃO PLAQUETÁRIA

  • Pedro Cilon Brum Rodeghiero
  • Marcela Brandão Costa
  • Ana Raquel Mano Meinerz
Rótulo Agregação, Coagulação, Felino, Plaquetas, Trombocitopenia

Resumo

As alterações quantitativas plaquetárias são um dos parâmetros fornecidos na avaliação do hemograma, resultando em quadros de trombocitopenia ou trombocitose. Os quadros de trombocitopenias são os mais frequentes na rotina clínica veterinária e sua interpretação é essencial para adequada condução do paciente, visto que a contagem de plaquetas é utilizada como um dos critérios de avaliação de riscos pré-cirúrgicos e na condução do paciente submetido a protocolo antineoplásico. Isso porque as plaquetas estão envolvidas diretamente com a coagulação primária, sendo que casos de trombocitopenias trazem riscos de sangramento e hemorragias espontâneas ao paciente. As causas de trombocitopenia são extensas na rotina da clínica veterinária, ocorrendo por ação de fármacos, agentes infecciosos e condições enfermas que cursam com sequestro e consumo plaquetário. Contudo, na interpretação das alterações quantitativas plaquetárias deve-se considerar os casos de pseudotrombocitopenia, especialmente em felinos, visto ser uma espécie em que se observa com alta frequência agregação plaquetária e a presença de macroplaquetas. Vale ressaltar que a agregação plaquetária está relacionada a erros pré-analíticos, especialmente no momento da coleta, que por lesão no endotélio vascular há a formação de agregados plaquetários. Frente ao descrito o estudo objetivou discutir os casos de hemogramas em pacientes felinos com condições enfermas diversas apresentando trombocitopenia associada a agregação plaquetária. Para a realização do estudo foram avaliados 50 hemogramas de felinos atendidos no HCV-UFPel apresentando redução numérica plaquetária. Todas as amostras foram processadas no LPCVet-UFPel conforme a metodologia descrita no Procedimento Operacional Padrão (POP) utilizado no laboratório. A partir da metodologia utilizada observou-se na totalidade das amostras quadros trombocitopênicos, porém nenhum dos pacientes teve relatado no seu histórico a presença de sangramentos espontâneos ou sinais de hemorragias como petéquias e equimoses. Todas as amostras apresentavam no esfregaço sanguíneo agregação plaquetária variando de uma (+) a três (+++) cruzes, sem a observação de macroplaquetas. Os animais sem raça definida representaram 90% (45/50) do animais avaliados, contra 10% (5/50) da raça siamês, não houve influência quanto ao sexo, sendo 56% (28/50) machos e 44% (22/50) fêmeas. Quanto à faixa, 42% (21/50) tinham idade inferior a dois anos, em seguida 40% (20/50) possuíam entre dois e dez anos e 18% (9/50) idade superior a dez anos. Todos os pacientes avaliados portavam condições enfermas como: cistite idiopática, Vírus da Leucemia Felina (FeLV), Peritonite Infecciosa Felina (PIF), piometra, tumores e politraumatismo. Estas condições podem através de mecanismos variados cursar com um quadro trombocitopênico, no entanto a avaliação quantitativa plaquetária certamente foi influenciada pelos agregados plaquetários presentes em todas as amostras, fato que deve ser considerado na interpretação do plaquetograma. Chama a atenção que em 14% (7/50) de pacientes hígidos que vieram para avaliação cirúrgica de OSH não terapêutica resultaram em trombocitopenia. O achado traz um alerta para o clínico veterinário que usa a contagem plaquetária como parâmetro isolado para avaliação de riscos cirúrgicos. Nesse sentido vale destacar que em 42% (21/50) dos pacientes avaliados apresentaram concomitantemente a trombocitopenia uma leucocitose neutrofílica. Os mesmos eram pacientes portadores de Doença Renal Crônica (DRC), esporotricose, bronquite, tumor de mama, politraumatismo e cistite, condições onde se espera uma demanda medular com a mobilização de leucócitos para a circulação. Vale ressaltar um felino com um quadro de leucocitose neutrofílica com diagnóstico de esporotricose, no entanto o mesmo apresentava uma linfocitose paralela, provavelmente pelo estímulo antigênico continuado, ou mesmo por se um filhote de seis meses, onde espera-se um sistema imune mais reativo aos desafios imunológicos. As alterações no eritrograma, foram observadas em apenas 4% (2/50) dos pacientes do estudo, sendo a anemia a única alteração observada. Os pacientes anêmicos eram felinos com diagnóstico de piometra, esporotricose e DRC, condições em que se espera redução eritrocitária por variados mecanismos, como anemia da doença crônica ou redução da eritropoetina. O estudo ainda alerta que 40% (20/50) eram pacientes portando trombocitopenia isolada como previamente descritos com condições enfermas acarretando o quadro. Frente aos resultados pode-se concluir que deve-se interpretar o plaquetograma associado não só a condição enferma do paciente mas também as alterações morfológicas vistas no esfregaço sanguíneo, visto que mesmo associado a enfermidades diversas os quadros trombocitopênicos ocorreram no estudo de forma isolada em uma porcentagem significativa dos pacientes avaliados e sem sintomatologias sugestivas associadas a redução quantitativa plaquetária.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
CILON BRUM RODEGHIERO, P.; BRANDÃO COSTA, M.; RAQUEL MANO MEINERZ, A. DISCUTINDO A TROMBOCITOPENIA NO PACIENTE FELINO ASSOCIADA A AGREGAÇÃO PLAQUETÁRIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.