ESTUDANDO AS CAUSAS DE ANEMIAS COM CARÁTER ARREGENERATIVO DE CÃES ATENDIDOS NO HCV-UFPEL

  • Isabela de Souza Morales
  • Isabela de Souza Morales
  • Juliana Montiel Núñez
  • Joara Tyczkiewicz da Costa
  • Marcela Brandão Costa
  • Fabiane de Holleben Camozzato Fadrique
  • Ana Raquel Mano Meinerz
Rótulo Anemia, Caninos, VCM, CHCM

Resumo

A anemia é definida como a redução numérica da massa eritrocitária, podendo ser classificada como absoluta ou relativa. Nos casos de anemias relativas essas sugerem a ocorrência de hemodiluição, hemólises ou ainda a inadequada relação amostra/anticoagulante, situações essas acarretadas frequentemente por erros pré-analíticos. A anemia absoluta, por sua vez, está associada a diversas condições enfermas que devem ser investigadas, pois a anemia pode se desenvolver a partir de diversos mecanismos associados a doenças crônicas, deficiência de ferro, redução na produção, assim como em perdas a exemplo nos casos hemorrágicos. Nesse contexto a classificação quanto a resposta medular e quanto a morfologia das anemias é essencial para elucidar a causa da redução da massa eritrocitária, assim como para auxiliar no estabelecimento do prognóstico e acompanhamento do paciente anêmico. Em especial a resposta medular é baseada nos valores do Volume Corpuscular Médio (VCM) e da Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM), em que se esperam uma anemia macrocítica e hipocrômica em respostas medulares ativas, enquanto nas arregenerativas se espera anemias normocíticas e normocrômicas. Vale ressaltar que a classificação quanto a resposta medular só pode ser estabelecida através da contagem de reticulócitos em que conforme a sua porcentagem determina o grau de resposta medular. Frente ao exposto, o estudo pretendeu avaliar as principais causas de anemias normocítica e normocrômica em pacientes caninos atendidos no Hospital de Clínica Veterinária (HCV-UFPel). Para a realização do estudo foram avaliados 50 hemogramas de cães portando diferentes enfermidades. Os animais eram adultos, de porte médio e sem raça definida. Todas as amostras foram processadas imediatamente após a coleta no Laboratório de Patologia Clínica Veterinária (LPCVet) conforme a metodologia descrita no Procedimento Operacional Padrão (POP). Os resultados demonstraram que dentre as condições enfermas mais frequentemente observadas com anemia normocítica e normocrômica foram em pacientes oncológicos, correspondendo a 34%(17/50) das amostras avaliadas, sendo o tumor de mama e mastocitoma os tipos tumorais mais frequentes. Nos quadros citados era esperado uma anemia de caráter arregenerativo, provavelmente em decorrência da redução da absorção de ferro devido a liberação de citocinas específicas em decorrência da cronicidade do quadro. Nesse sentido também podem ser inseridos 12% (6/50) pacientes portadores de enfermidades crônicas, como hepatopatia, demodicose, cardiopatia e doença renal crônica (DRC). Nesse último quadro possivelmente esteja envolvido mais de um mecanismo responsável pela anemia, como a redução da síntese de eritropoetina devido ao comprometimento renal. Na sequência foram observados em pacientes apresentando sintomatologias inespecíficas, correspondendo a 26% (13/50). Vale ressaltar que devido ao projeto de extensão em que o LPCVet está inserido muitos pacientes apresentam tutores em condições de vulnerabilidade social. Assim uma alta parcela dos pacientes apresentam condições nutricionais e sanitárias precárias, o que poderia explicar a causa da condição anêmica. No caso acredita-se que o mecanismo envolvido seja uma anemia ferropriva, onde tem uma classificação de semi-regenerativa e está associada a perda crônica e continuada de sangue ou mesmo por uma nutrição inadequada, pobre em ferro, elemento essencial para a eritropoiese. As doenças infecciosas e pacientes submetidos a quimioterapia corresponderam as mesmas frequências, com 13% (3/50) cada, sendo que a parvovirose, cinomose e pneumonia viral foram as enfermidades diagnosticadas, condições essas que podem causar anemia por diferentes mecanismos. No caso dos pacientes oncológicos submetidos a quimioterapia, o provável mecanismo seja por redução na produção medular, visto que a maioria dos quiomioterápicos apresentam baixa toxicidade seletiva. Na mesma proporção 13% (3/50) foi observada em pacientes com piometra, onde anemia pode ocorrer por diversos fatores, dentre eles intoxicação medular e lesão renal. Ressaltando que o quadro enfermo é crônico, o que pode envolver a anemia da doença crônica como mecanismo associado. As demais amostrasavaliadas eram de pacientes polifraturados, correspondendo a 16% (8/50), sendo que o LPCVet também atende à demanda do HCV-UFPel o qual mantem convenio com a prefeitura. Nessas circunstâncias é comum pacientes resgatados da rua com histórico de atropelamento e maus tratos, sendo inúmeras as causas que podem levar o paciente a uma anemia, incluindo o quadro traumático. Em vista dos resultados observados pode-se concluir que as anemias de caráter arregenerativo foram observadas em pacientes caninos principalmente relacionado a doenças crônicas seguidas por condições que sugerem perda contínua de sangue ou desnutrição do paciente avaliado.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
DE SOUZA MORALES, I.; DE SOUZA MORALES, I.; MONTIEL NÚÑEZ, J.; TYCZKIEWICZ DA COSTA, J.; BRANDÃO COSTA, M.; DE HOLLEBEN CAMOZZATO FADRIQUE, F.; RAQUEL MANO MEINERZ, A. ESTUDANDO AS CAUSAS DE ANEMIAS COM CARÁTER ARREGENERATIVO DE CÃES ATENDIDOS NO HCV-UFPEL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.