NEFROTOMIA EM CÃO JOVEM COM SINAIS CLÍNICOS E POSITIVO PARA DIOCTOPHYME RENALE: RELATO DE CASO

  • Ruan Jordan Castelli Paim
  • Mical Cipriano Felipe
  • Josaine Cristina da Silva Rappeti
Rótulo Dioctophymatose, Parênquima, renal, Nefrotomia, Dictophyma, Renale

Resumo

A Dioctophymatose é uma doença renal que acomete animais com costume de ingerir água com a presença do hospedeiro intermediário (Lumbriculus variegatus), que é um fator biológico de controle de contaminação, geralmente encontrado em valetas, sapos e peixes contaminados com as larvas. Essas quando acessam a via digestória, normalmente, atravessam o estômago para a cavidade ou o duodeno para o rim direito uma vez que o verme se alimenta do parênquima desse órgão. O objetivo do presente trabalho é relatar a importância do diagnóstico precoce para a realização de uma nefrotomia ao invés de uma nefrectomia e descrever o caso. Foi atendido um paciente canino com peso de 9,7Kg, sem raça definida, de 1 ano e 6 meses de idade, no Hospital de Clínicas Veterinárias - Universidade Federal de Pelotas, com a queixa de urina com aspecto turno e sanguinolenta há uma semana. Estava em Normorexia, normodipsia, normoquezia, hematúria, sem êmese ou diarreia. O macho não castrado estava com a vacinação e a vermifugação corretas. Apenas com dor e uma rigidez abdominal consideráveis, mas não foi verificado nenhuma outra alteração em exame físico. Foram solicitados exames bioquímicos, hemograma, urinálise e ultrassom. Nos exames de sangue não foi verificado alterações, entretanto, as imagens ultrassonográficas do rim direito indicaram a presença de Dioctophyme renale assim como a urinálise verificou moderada concentração de ovos. Sendo assim, foi indicado o tratamento cirúrgico e as imagens demonstraram a região cortical parcialmente mantida o que sugeriu a nefrotomia. Após o encaminhamento do paciente ao bloco cirúrgico com as avaliações pré operatórias, foi submetido a medicação pré anestésica com Metadona 0,3 mg/Kg Intramuscular, indução anestésica com Propofol 4 mg/Kg intravenoso e manutenção com Isoflurano. Posicionado na mesa e colocado em decúbito lateral, com a tricotomia realizada previamente, foi executado a antissepsia com Álcool Iodado e Iodopovidona. Inicio-se a incisão pelo flanco direito com comprimento de 10cm em pele, subcutâneo, músculos oblíquo externo, oblíquo interno, transverso do abdome e peritônio. Dissecção do hilo renal, identificação da artéria renal e Garrote de Hommell da mesma com fita umbilical por 11 minutos e 16 segundos, período que foi feita a incisão de 2cm no polo dorsal do rim direito, visibilização do verme do rim e remoção do mesmo. Como os vermes possuem sexo, rapidamente foi identificado uma fêmea adulta viva, com 52cm mensurados posteriormente, e estava com enrolada em si mesma formando um nó. A lavagem com solução de cloreto de sódio 9% foi realizada no interior da pelve renal, seguido do fechamento do parênquima renal pela sutura Wolff e fio Poliglactina 910 2-0, remoção do garrote e sutura contínua simples na borda da incisão com o mesmo fio. Após inspecionar a cavidade abdominal e lavá-la com mesmo padrão da pelve renal foi iniciada a sutura Festonada nas aponeuroses da cavidade abdominal, redução do espaço morto com Cushing modificado e pele com padrão Intradérmico, ambos com fio Náilon 3-0. A nefrotomia não é tão comum quanto a nefrectomia para solucionar esses casos, já que o diagnóstico geralmente não é rápido o suficiente como no caso descrito, graças ao tutor cuisadoso em relação às alterações do animal e aos precoses sinais clínicos incomuns como hematúria e dor abdominal. Os cães devem evitar, mesmo que eventualmente, ingerir água em locais indevidos, sapos e peixes crus pois essas são as fontes de contaminação. Além disso, é importante o responsável estar atento a qualquer alteração e levar o animal ao médico veterinário para se chegar ao diagnóstico o mais breve possível, uma vez que a correção é somente cirúrgica através da nefrotomia ou nefrectomia, para longevidade do animal e qualidade de vida é melhor que se evite a retirada do rim, principalmente, em animais jovens como o paciente citado. Depois das avaliações pré-operatórias, procedimento cirúrgico e cuidados pós operatórios o paciente se recuperou e vive normalmente sem alterações. As técnicas descritas podem ser seguidas em outros casos para proporcionar maior sobrevida aos pacientes.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
JORDAN CASTELLI PAIM, R.; CIPRIANO FELIPE, M.; CRISTINA DA SILVA RAPPETI, J. NEFROTOMIA EM CÃO JOVEM COM SINAIS CLÍNICOS E POSITIVO PARA DIOCTOPHYME RENALE: RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.