CASUÍSTICA DE NEFRECTOMIAS E NEFROTOMIAS ASSOCIADAS À DIOCTOFIMATOSE REALIZADAS NO HCV-UFPEL NO PERÍODO DE JANEIRO A OUTUBRO DE 2022

  • Vitória Porciúncula da Silva
  • Talita de Oliveira
  • Alessandra Goulart Teixeira
  • Mical Cipriano Felipe
  • Lory Luísa Jacques de Castro Rizzatti
  • Josaine Cristina da Silva Rappeti
Rótulo cirurgia, dioctophyme, renale, cães

Resumo

O verme gigante do rim também conhecido como dioctophyme renale é um parasito nematóide de grande relevância para o bem estar animal, pois acarreta na destruição do parênquima renal, consequentemente, o paciente apresenta diversas alterações metabólicas ocasionadas pela disfunção do rim afetado, podendo até mesmo levar a óbito, caso a doença não seja tratada. Sabe se que devido à proximidade com o duodeno, o verme acomete principalmente o rim direito, além disso, esses parasitos podem ao sair do estômago migrarem para a cavidade abdominal ou torácica, comprometendo diversos locais. O diagnóstico dessa enfermidade é através de exames de imagem como a ultrassonografia, para a detecção do parasito, ou urinálise, que quando existe a fêmea no rim, pode-se encontrar ovos na urina. Salienta-se que o tratamento desta afecção é somente através de cirurgia, não ocorrendo ainda a possibilidade de tratamentos medicamentosos. Em virtude disso, as técnicas cirúrgicas que podem ser utilizadas para remoção do dioctophyme renale são a nefrectomia e a nefrotomia, dependendo da gravidade da lesão renal e destruição do parênquima renal. O objetivo deste trabalho é fornecer o levantamento de dados sobre a casuística de procedimentos de nefrectomia e de nefrotomias realizadas como tratamento para dioctofimatose no Hospital de Clínicas Veterinária da Universidade Federal de Pelotas(HCV-UFPel). Dessa forma, para a elaboração deste trabalho foram coletados os dados do sistema de prontuários médicos veterinários do HCV-UFPel cujas cirurgias de nefrectomias e nefrotomias foram realizadas no período de janeiro a outubro de 2022. A nefrotomia trata-se de uma incisão no rim para remoção do verme em casos em que há ainda a existência de pelo menos 10% do parênquima renal, em alguns caso ocorre que o verme causa destruição tecidual renal tão acentuada que o órgão torna-se afuncional, fazendo-se necessária a nefrectomia que consiste na remoção completa do rim afetado. Para as duas técnicas a abordagem é a mesma. Inicia-se com incisão paracostal e dissecção do hilo renal, para ambas as técnica, porém na nefrotomia a artéria renal é clampeada ou é feito um garrote de Hommell, para hemostasia temporária, o rim é incisado pelo polo dorsal, permitindo a retirada do parasito, após o rim vai ser suturado em padrões de wolff e contínuo simples, e o garrote será removido. A técnica cirúrgica de nefrectomia que foi a mais utilizada no HCV-UFPel, é realizada a abordagem ao rim, também da forma paracostal, onde se tem maior facilidade para manipulação do órgão afetado, que deve ser feita a dissecção através de compressa umedecida, removendo o órgão do peritônio, dos ligamentos e de todas as aderências peri renais, após a localização da artéria e veia renal elas devem ser ligadas, no caso de rim parasitado por Dioctophyme renale por uma ligadura simples, já que este não apresentará grande irrigação sanguínea, por fim se faz ligadura do ureter próximo a vesícula urinária.após a inspeção da cavidade abdominal a mesma deve ser suturada de maneira rotineira, abrangendo plano a plano. Na verificação de dados foram contabilizadas 9 nefrectomias e 5 nefrotomias totalizando 14 intervenções cirúrgicas para retirada do verme gigante do rim, sendo todas em cães e no rim direito. Foi realizada no mês de janeiro uma nefrotomia, fevereiro duas nefrectomias, março uma nefrectomia, abril uma nefrectomia, junho uma nefrotomia e uma nefrectomia, em agosto três nefrectomias e duas nefrotomias, setembro uma nefrectomia e até o dia 7 outubro uma nefrotomia. Salienta-se que foram poucas as cirurgias em que foi encontrado o verme gigante do rim na cavidade abdominal, sendo contabilizado apenas 1 caso, no mês de setembro. Através da análise dos dados apresentados conclui-se que embora 14 seja considerado um número pequeno, essa afecção é considerada importante, pois com a destruição do parênquima renal, o animal vem a tornar-se doente renal, mesmo após a intervenção cirúrgica. Ademais observou-se a preferência do dioctophyme renale pelo rim direito em todos os casos, confirmando-se o que retrata na literatura.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
PORCIÚNCULA DA SILVA, V.; DE OLIVEIRA, T.; GOULART TEIXEIRA, A.; CIPRIANO FELIPE, M.; LUÍSA JACQUES DE CASTRO RIZZATTI, L.; CRISTINA DA SILVA RAPPETI, J. CASUÍSTICA DE NEFRECTOMIAS E NEFROTOMIAS ASSOCIADAS À DIOCTOFIMATOSE REALIZADAS NO HCV-UFPEL NO PERÍODO DE JANEIRO A OUTUBRO DE 2022. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.