OVARIECTOMIA COMO UMA TÉCNICA ALTERNATIVA PARA CASTRAÇÃO ELETIVA EM CADELAS: RELATO DE CASO

  • Pedro Dantas
  • Pedro de Oliveira Dantas
  • Leonel Felix Leão Neto
  • Lorena Stephany Bezerra Alves
  • Maria Lígia de Arruda Mestieri
Rótulo Ovariectomia, Castração, fêmeas, Cirurgia, veterinária, Ovariohisterectomia

Resumo

A castração é atualmente o procedimento cirúrgico mais realizado mundialmente na medicina veterinária, sendo feito de forma eletiva na maioria dos casos. Nas fêmeas, os tutores que buscam este procedimento geralmente o fazem para evitar gestações indesejadas ou para uma melhora na qualidade de vida do animal, seja como forma de evitar comportamentos indesejados durante o cio ou para prevenir o desenvolvimento de tumores mamários e afecções uterinas. Para este fim, a ovariohisterectomia (remoção cirúrgica dos ovários e útero) é, sem dúvida, a técnica mais adotada na rotina veterinária. No entanto, estudos recentes relatam que a ovariectomia, com a remoção somente dos ovários, também deve ser considerada uma técnica segura para castração em alguns casos, podendo trazer benefícios ao paciente tanto durante a cirurgia, quanto no pós-operatório. Por isso, objetivou-se através deste estudo, relatar o caso de uma ovariectomia em uma paciente da espécie canina e trazer uma análise comparativa entre as técnicas de ovariohisterectomia e ovariectomia, demonstrando a ovariectomia como alternativa de procedimento cirúrgico eletivo para castração de cadelas. Foi atendida no hospital veterinário da Universidade Federal do Pampa uma cadela de um ano de idade, levada ao serviço pela tutora para castração eletiva. Como a paciente não tinha histórico de doenças atreladas a hormônios, complicações uterinas, ou outras patologias, o procedimento foi eletivo, e a paciente se mostrou apta para a realização da ovariectomia. Para tal, após indução anestésica, o procedimento foi iniciado com uma incisão de aproximadamente 4 cm acessando a cavidade abdominal por celiotomia pré-retro umbilical. Logo após, foi realizada a busca pelos ovários, em que ambos foram isolados e seus ligamentos suspensórios rompidos; realizou-se ligadura dupla dos pedículos ovarianos com fio de sutura PGA 2-0, utilizando a técnica de 3 pinças modificada. Caudal a pinça posicionada sob o oviduto, foi realizada uma ligadura também com PGA 2-0, seguida da transecção do ovário, cranial a pinça posicionada sob o oviduto. Finalizando o procedimento, a cavidade abdominal foi encerrada através da síntese da linha alba realizada em padrão Sultan com reforços em isolado simples com fio PGA 2-0. O mesmo tipo de fio foi utilizado para redução de espaço morto no subcutâneo em padrão zigue-zague, e a síntese da pele foi feita com fio de Nylon 4-0 em ponto isolado simples. Não houveram complicações trans ou pós-operatórias. Assim, quando comparadas as técnicas de ovariectomia e ovariohisterectomia, pode-se dizer que na ovariectomia o tempo cirúrgico é reduzido de forma considerável sem a necessidade de fazer a ligadura e retirada do útero, o que diversos estudos reforçam que contribui para a diminuição do risco de contaminação, infecção cirúrgica e complicações anestésicas. Os animais candidatos à ovariectomia são principalmente aqueles cujos tutores buscam por castração eletiva e que, por algum motivo, necessitam de um procedimento menos invasivo. Porém, pacientes com tumores ovarianos, problemas hormonais ou que não tem indicação para a retirada do útero também podem se enquadrar nesse grupo. A incisão realizada é menor e mais cranial se comparada à que geralmente é utilizada na ovariohisterectomia, por ser um procedimento que necessita de um campo de visualização menos amplo. Também, a redução do tamanho da incisão diminui o trauma cirúrgico e o risco de hemorragias intra-abdominais dos tecidos manipulados durante a cirurgia, já que esta técnica também possui uma menor necessidade de manipulação de vísceras abdominais, sendo possível que estes detalhes possam refletir de forma positiva na recuperação póstuma do paciente. Portanto, a partir do caso relatado e da comparação entre as duas técnicas, é possível concluir que a ovariectomia proporciona os mesmos efeitos que uma ovariohisterectomia, com um procedimento menos invasivo, mais rápido e eficiente, com uma menor tendência a causar infecções nosocomiais e melhor recuperação pós-operatória. Assim, a ovariectomia, mesmo que menos empregada para castração de fêmeas na cirurgia veterinária, é uma alternativa válida e segura para casos em que o procedimento é realizado de forma eletiva naqueles pacientes candidatos a tal técnica.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
DANTAS, P.; DE OLIVEIRA DANTAS, P.; FELIX LEÃO NETO, L.; STEPHANY BEZERRA ALVES, L.; LÍGIA DE ARRUDA MESTIERI, M. OVARIECTOMIA COMO UMA TÉCNICA ALTERNATIVA PARA CASTRAÇÃO ELETIVA EM CADELAS: RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.