AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO INGESTIVO SOB DIFERENTES SISTEMAS DE INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA

  • Eduarda Lanes Souza
  • Gabriela Severo da Trindade
  • Bruna Brandão Flores
  • Lueli Fernandes Braganca
  • Cleiton José Ramão
Rótulo ILP, Comportamento, ingestivo, Ruminação, Forragem, Arroz

Resumo

A produção de arroz no Brasil é majoritariamente obtida em terras baixas irrigadas do Rio Grande do Sul (RS). Áreas não utilizadas para a cultura são destinadas ao pousio ou limitam-se à exploração de pecuária extensiva, em geral de baixos índices produtivos. O histórico da lavoura arrozeira no RS é caracterizado por sistemas tradicionais de monocultivo e alta mobilização dos solos, repercutindo na baixa eficiência de uso da terra. Nesse sentido, a integração lavoura-pecuária (ILP) pode se configurar uma alternativa com potencial de contribuir na rentabilidade por unidade de área, melhorando o desempenho produtivo de bovinos criados à campo. O objetivo deste estudo foi avaliar o comportamento ingestivo dos animais em diferentes sistemas de cultivo em ILP. Para tal, foi conduzido um experimento, com área total de 12 hectares, com quatro tratamentos e três repetições: I) Sistemas de cultivo de Oryza sativa (arroz) em pousio (tratamento testemunha); II) Sistemas de cultivo de Oryza sativa e Lolium multiflorum (azevém); III) Sistemas de cultivo de Glycine max (soja), e Lolium multiflorum; e IV) Sistemas de cultivo de Sorghum bicolor (sorgo forrageiro) e Lolium multiflorum. A pastagem de azevém foi semeada na entressafra. Foram utilizadas 3 novilhas Braford testes por unidade experimental, totalizando 27 fêmeas, com idade média inicial de 7 meses e aproximadamente 180 kg de peso corporal. A entrada dos animais na pastagem de azevém ocorreu quando a altura média da pastagem estava entre 15 e 20 cm, sendo mantidos até início do mês de outubro. A avaliação de comportamento ingestivo foi realizada em 11/09/2021, por observação diurna do comportamento dos animais, das 06:00 às 18:00 e anotado em planilha, de acordo com o comportamento observado a cada 10 minutos de intervalo, para as atividades de pastejo (P), outras atividades (O) e ruminação (R). Os animais apresentaram 7,7; 7,6 e 6,9 horas de pastejo nos sistemas II, III e IV, respectivamente. Já em relação ao período de ruminação, apresentaram 1,3; 1,9 e 1,5 horas de pastejo nos respectivos sistemas de cultivo. Outras atividades foram realizadas em 3,0; 2,5 e 3,6 horas, nos sistemas II, III e IV, respectivamente. Os resultados da análise demonstram que não houve diferença significativa nas atividades de comportamento registradas entre os sistemas. O tempo que os animais dedicam ao pastejo se configura com um indicador qualitativo do ambiente alimentar, por estar relacionado com a taxa de ingestão e o consumo diário de forragem, e pode ser afetado pela extensão da atividade de ruminação (relacionada às características nutricionais da dieta) e outras atividades (relacionadas ao status nutricional e social dos animais). Durante as avaliações de comportamento ingestivo verificou-se que os animais gastam mais tempo pastejando, sendo em média este tempo alocado de 7,4 horas durante o período diurno. Com uma boa oferta forrageira, a eficiência de colheita é maior, e em cada bocado o animal consegue apreender maior quantidade de gramas de forragem, fazendo com em intervalos mais curtos de tempo consiga colher maior quantidade de matéria seca de forragem. Esse processo faz com que o animal atinja a saciedade mais rapidamente e busque os locais tranquilos para ruminação e descanso, gastando menos energia com a colheita de forragem. Nestas condições, além de menor gasto energético, a ingestão de uma dieta com maior qualidade nutricional (maior proporção de folhas devido à oportunidade de seleção) fez com que os animais apresentassem melhor desempenho durante o período experimental. A segunda atividade que animais mais dedicaram tempo foi de outras atividades que não pastejo ou ruminação. Outras atividades ocuparam mais tempo que a atividade de ruminação. A atividade de ruminação em animais adultos ocupa entorno de 8 horas por dia com variações entre 4 e 9 horas, divididas em 15 a 20 períodos, entretanto, é uma atividade que se concentra no período noturno. A ruminação é influenciada pela natureza da dieta e parece ser proporcional ao teor de parede celular dos alimentos volumosos. O processo de ruminação ficou na média de 1,56 horas, em parte, essa menor dedicação dos animais na ruminação permite inferir sobre a boa qualidade da dieta proporcionada aos animais e indicando excelente bem-estar pela boa eficiência em adquirir os nutrientes no pasto (i.e., necessitando baixo tempo de pastejo para saciar-se) e dedicando tempo a outras atividades de menor gasto energético (i.e., atividades àquelas que não pastejo ou ruminação que demanda maior gasto energético). Portanto, conclui-se que a qualidade da forragem oferecida aos animais influencia no comportamento ingestivo dos animais.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
LANES SOUZA, E.; SEVERO DA TRINDADE, G.; BRANDÃO FLORES, B.; FERNANDES BRAGANCA, L.; JOSÉ RAMÃO, C. AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO INGESTIVO SOB DIFERENTES SISTEMAS DE INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.