PERFIL DAS CARDIOPATIAS DE CÃES E GATOS ATENDIDOS PELO SERVIÇO DE CARDIOLOGIA VETERINÁRIA DA UNIPAMPA

  • Gabriele Lopes
  • Milena Antunes Pontes
  • Vitoria Dotto Ragagnin Prior
  • Marilia Avila Valandro
  • João Paulo da Exaltação Pascon
Rótulo Endocardiose, DMMV, Cardiomiopatia, Dilatada

Resumo

Na rotina da clínica estima-se que 10% dos pacientes atendidos de forma geral apresentem alterações cardiovasculares. A origem dos distúrbios cardiovasculares pode ser congênita ou adquirida. Alterações congênitas normalmente expressam manifestação clínica em pacientes jovens, enquanto adquirida ocorre principalmente em animais de meia idade à senis. Em caninos, a doença cardíaca de maior ocorrência é a doença mixomatosa valvar mitral (DMVM), seguida doenças congênitas, cardiomiopatia dilatada (CMD), entre outras. A DMVM é a causada pelo espessamento ou atrofia dos folhetos valvares causando alterações hemodinâmicas que se agravam com a cronicidade da patologia. A CMD é uma patologia que causa aumento das câmaras cardíacas e ocorre principalmente em caninos de grande porte. Em felinos as cardiomiopatias estão entre as 10 principais causas de mortes na espécie, e a principal doença é a cardiomiopatia hipertrófica felina (CMH). A CMH é uma patologia que causa a hipertrofia das paredes das câmaras cardíacas, principalmente do ventrículo esquerdo, causando a diminuição do volume sanguíneo bombeado pelo coração. Desta forma, faz-se necessário conhecer a prevalência das principais cardiopatias de cada região, visando auxiliar o clínico veterinário na busca pelo diagnóstico precoce. Neste contexto, objetivamos caracterizar o perfil das cardiopatias de cães e gatos atendidos pelo Serviço de Cardiologia Veterinária (SCV) da UNIPAMPA. Para tanto, os dados foram coletados através dos prontuários dos pacientes atendidos de 2011 a julho de 2022 (130 meses) pelo SCV, para obtenção da prevalência de cada cardiopatia diagnosticada. Durante o período do estudo foram atendidos 445 pacientes, dos quais 96,4% eram da espécie canina, enquanto apenas 3,6% da espécie felina. Os caninos com maior porcentagem de fêmeas (58,2%) em relação a machos (41,8%), sem raça definida (SRD) 23,3%, seguida pelas raças Poodle (22,6%) e Yorkshire (14,9%), pesando entre 1 e 57kg, com maior prevalência entre 1 e 5kg (41,5%), e idade entre 05 e 15 anos (81,7%), evidenciando maior casuística de cães adulto a geriatras de pequeno porte. Dos 429 pacientes caninos atendidos pelo SCV 56,9% possuíam cardiopatias, 15,3% estavam acometidos por doenças que acometiam outros sistemas que não o cardíaco e 26,8% não obtiveram diagnóstico definitivo. Dentre as cardiopatias diagnosticadas nos cães, a DMVM foi a mais prevalente (49,8%), seguida pela CMD (2,3%), cardiomiopatia arritmogênica ventricular (1,3%), neoplasias na base do coração (0,9%), síndrome do nó sinusal (0,6%), estenose da valva aórtica (0,4%), comunicação interventricular (0,4%), displasia valvar (0,4%), tetralogia de Fallot (0,4%), persistência do ducto arterioso (0,2%) e efusão pericárdica (0,2%). Sobre os felinos, os machos foram mais prevalentes (81,2%) maior prevalência de SRD (75%) e 25% de Persa, idade de 2 a 5 anos (62,5%), pesando de 3 a 7 kg (43,7%). Demonstrando maior casuística de machos, adultos e SRD. Dos felinos atendidos pelo SCV 68,7% possuíam doença cardíaca, a CMH foi a mais prevalente (62,5%), seguida de comunicação interventricular (6,2%). Entretanto, 18,75% dos pacientes tinha acometimento de outro sistema que não o cardíaco, e 12,5% não obtiveram diagnóstico. Conclui-se então que em caninos a endocardiose foi a doença cardíaca de maior prevalência, o perfil de maior incidência foi fêmeas de pequeno porte, faixa etária adultos à idosos. Os felinos atendidos foram acometidos principalmente por CMH, sendo em sua maioria machos jovens à adultos.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
LOPES, G.; ANTUNES PONTES, M.; DOTTO RAGAGNIN PRIOR, V.; AVILA VALANDRO, M.; PAULO DA EXALTAÇÃO PASCON, J. PERFIL DAS CARDIOPATIAS DE CÃES E GATOS ATENDIDOS PELO SERVIÇO DE CARDIOLOGIA VETERINÁRIA DA UNIPAMPA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.