INVESTIGAÇÃO DA INFECÇÃO CONJUNTA PELO VÍRUS HIV E LEISHMANIA EM PESSOAS QUE VIVEM COM HIV/AIDS

  • Luanne Faria Sanches
  • Bruna Bolina da Cunha
  • Júlia Fortunato Prieto
  • Gabriela Dowich Pradella
  • Taiane Acunha Escobar
  • Irina Lubeck
Rótulo Doenças, negligenciadas, Infecções, Oportunistas, relacionadas, Aids, HIV, Leishmaniose, Visceral

Resumo

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) é uma doença causada pela infecção do vírus da imunodeficiência humana (HIV). No Brasil, segundo boletim epidemiológico HIV/Aids (2020), foram registrados em 2019, 41.909 novos casos de infecção por HIV e 37.308 casos de Aids. O município de Uruguaiana, região de tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Uruguai (fronteira fluvial), detém a 52ª posição em casos de infecção pelo retrovírus humano no ranking dos 100 municípios brasileiros com mais de 100.000 habitantes. O retrovírus humano afeta o sistema imunológico tornando o organismo mais vulnerável ao aparecimento de patologias oportunistas por vírus, parasitos, fungos e algumas bactérias. Neste grupo encontram-se as espécies de Leishmania spp. As leishmanioses, cutânea e visceral, são enfermidades de transmissão vetorial e integram o grupo de doenças infecciosas negligenciadas, uma vez que ocorrem em países pobres, em desenvolvimento, e atingem as populações mais vulneráveis e com difícil acesso aos serviços de saúde. Essas são causadas por protozoários, parasitos intracelulares obrigatórios do gênero Leishmania, consideradas crônicas, graves e potencialmente fatais para os humanos quando não se institui o tratamento adequado. A Leishmaniose Visceral (LV) é uma enfermidade causada pelo protozoário Leishmania infantum sendo mais frequente a ocorrência de formas assintomáticas. A cidade de Uruguaiana, é considerada área de transmissão de LV, pois existem casos em humanos e animais, e a presença do vetor. A ocorrência simultânea dessas enfermidades acarreta alterações no processo saúde/doença de ambas, aumentando as chances de indivíduos HIV positivos manifestarem a doença clínica (Aids), como também, ampliando as chances da ocorrência e de recidivas de Leishmaniose. Dessa forma, o objetivo da pesquisa foi identificar a existência de coinfecção por Leishmania em pacientes HIV/Aids atendidos pelo setor IST/Aids do município de Uruguaiana/RS. Quanto à metodologia, foram coletadas, até o momento, 16 amostras de sangue de pacientes HIV positivos. Inicialmente, fez-se teste de dois diferentes métodos de extração de DNA, sendo um com QIAamp DNA Mini Kit (Qiagen) e outro utilizando o método in house. A extração de ácidos nucléicos foi mais eficiente com o emprego de kit comercial, obtendo-se cerca de 19,15 ng/uL de DNA por amostra. Posteriormente, no cPCR a sequência alvo de 145 pb do fragmento LT1, situado no minicírculo do kDNA do grupo Leishmania donovani, foi detectada através dos oligonucleotídeos iniciadores RV1 e RV2. Os produtos de PCR foram visualizados em luz ultravioleta após eletroforese em gel de agarose 2% e corados com corante de ácidos nucléicos, assim como dois controles positivos para Leishmania, e um controle negativo composto por água destilada. Através do cPCR, foi possível constatar que não há presença de material genético do parasito nas amostras coletadas. Sendo assim, faz-se necessária a persistência na identificação de indivíduos HIV positivos coinfectados por Leishmania de acordo com o número amostral descrito no projeto (240), pois a LV pode induzir a uma maior imunossupressão e estimular a replicação viral, levando o paciente ao desenvolvimento da Aids mais rapidamente. Nesse sentido, seu diagnóstico precoce é crucial para reduzir a gravidade e a mortalidade nos pacientes coinfectados. Nessa perspectiva, é possível concluir que, apesar do resultado negativo das amostras coletadas, a necessidade de implementação e incorporação de diagnóstico de LVH na população imunossuprimida vivendo com HIV/Aids na rotina dos serviços de saúde do município é imprescindível, considerando que a leishmaniose entrou para o rol de infecções oportunistas em pessoas vivendo com HIV/Aids.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
FARIA SANCHES, L.; BOLINA DA CUNHA, B.; FORTUNATO PRIETO, J.; DOWICH PRADELLA, G.; ACUNHA ESCOBAR, T.; LUBECK, I. INVESTIGAÇÃO DA INFECÇÃO CONJUNTA PELO VÍRUS HIV E LEISHMANIA EM PESSOAS QUE VIVEM COM HIV/AIDS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.