PRESENÇA DE SARCOCYSTIS SPP. EM AMOSTRAS FECAIS DE PRAÇAS PÚBLICAS DA REGIÃO SUL DO RIO GRANDE DO SUL

  • Julia Victória Santos de Souza
  • Bruna Rocha Teixeira
  • Júlia Somavilla Lignon
  • Felipe Geraldo Pappen
  • Diego Moscarelli Pinto
  • Natália Soares Mastins
Rótulo esporocistos, diagnóstico, cães

Resumo

Sarcocystis spp. é um parasito intracelular obrigatório que possui importância em animais de produção, pois o ciclo de vida de algumas espécies deste protozoário está diretamente relacionado com o consumo de carne. Os produtos cárneos consumidos crus ou mal cozidos são considerados alimentos de alto risco epidemiológico na veiculação de agentes patogênicos. Existem mais de 100 espécies de Sarcocystis spp. que tem como hospedeiros definitivos animais carnívoros como o cão, o gato ou humanos, e vários hospedeiros intermediários como aves, répteis, pequenos roedores, herbívoros e suínos. Algumas espécies de Sarcocystis spp. são espécie-específica para os seus hospedeiros intermediários e família-específica para os seus hospedeiros definitivos. São parasitos heteroxenos, ou seja, necessitam de um hospedeiro intermediário para a fase assexuada e um hospedeiro definitivo para a fase sexuada do seu ciclo de vida. Os hospedeiros intermediários, são infectados através da ingestão de oocistos liberados nas fezes dos hospedeiros definitivos, que causam cistos nos tecidos musculares estriados e cardíacos, podem ou não ser visíveis a olho nu. Quando esses cistos são ingeridos pelo hospedeiro definitivo fazem reprodução sexuada, gerando oocistos, no interior do trato gastrintestinal, inicialmente não esporulados que logo mais se esporulam e são eliminados nas fezes, constituindo uma fonte de infecção para os animais suscetíveis. Na maioria das espécies, é uma doença debilitante que pode levar à morte e apresenta, nos hospedeiros intermediários, sinais clínicos como febre, rápido emagrecimento, prostração intensa levando ao decúbito, diarreia, palidez das mucosas, dispneia, salivação, pode ocorrer também abortos e retenção de placenta, enquanto nos hospedeiros definitivos causa diarreia. Dessa forma, o objetivo do presente trabalho foi relatar o diagnóstico coproparasitológico de Sarcocystis spp. em amostras de fezes de cães, coletadas das praças públicas dos municípios de Pelotas, Morro Redondo e Canguçu, Rio Grande do Sul. Durante os meses de março a julho de 2022, foram coletadas mensalmente amostras de fezes de cães em praças públicas dos municípios de Pelotas, Morro Redondo e Canguçu, Rio Grande do Sul. Neste período, 91 amostras foram colhidas e encaminhadas para o Laboratório do Grupo de Estudos em Enfermidades Parasitárias (GEEP), da Faculdade de Veterinária (FaVet), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). As amostras fecais foram analisadas por três técnicas coproparasitológicas. Inicialmente, foi realizada a técnica de flutuação simples, posteriormente as amostras foram processadas pela técnica de centrífugo-flutuação em solução de sulfato de zinco e, por fim, a técnica de sedimentação espontânea. A observação foi realizada em microscopia óptica (40x). Foi observada a presença de oocistos e esporocistos de Sarcocystis spp. em amostras de fezes provenientes dos municípios de Pelotas, Morro Redondo e Canguçu, em uma frequência de 3,91%. A ocorrência deste protozoário na população canina está relacionada aos hábitos alimentares desses animais. Os cães que se alimentam de carne crua, através da caça de pequenos mamíferos e pássaros ou pelo fornecimento de carnes e vísceras cruas ou mal cozidas, contendo cistos musculares viáveis, apresentam um maior risco de infecção por este protozoário. Portanto, em consideração ao ciclo do parasito e sua forma de transmissão, algumas medidas profiláticas são necessárias para que seu controle seja possível, visto que não existe um tratamento eficaz tanto para os hospedeiros definitivos quanto para os hospedeiros intermediários, dessa forma, deve-se evitar a ingestão de carne crua ou mal cozida, prevenindo a infecção de outros cães e de seus respectivos tutores e familiares com parasitos considerados zoonóticos.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
VICTÓRIA SANTOS DE SOUZA, J.; ROCHA TEIXEIRA, B.; SOMAVILLA LIGNON, J.; GERALDO PAPPEN, F.; MOSCARELLI PINTO, D.; SOARES MASTINS, N. PRESENÇA DE SARCOCYSTIS SPP. EM AMOSTRAS FECAIS DE PRAÇAS PÚBLICAS DA REGIÃO SUL DO RIO GRANDE DO SUL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.