PARASITISMO POR MACRACANTHORYNCHUS HIRUDINACEUS EM SUÍNO DOMÉSTICO (SUS SCROFA DOMESTICUS): ACHADO DE NECROPSIA COM POTENCIAL ZOONÓTICO

  • Natália Martins
  • Natália Soares Martins
  • Julia Somavilla Lignon
  • Fabiano da Rosa Venancio
  • Maria Gabriela Custodio Kobayashi
  • Felipe Geraldo Pappen
  • Jerônimo Lopes Ruas
Rótulo acantocéfalo, endoparasitos, zoonoses

Resumo

Macracanthorhynchus hirudinaceus é um endoparasito acantocéfalo, cuja infecção pode causar uma das zoonoses parasitárias mais relevantes na criação de suínos, denominada macracantorrincose. Morfologicamente, o parasito é caracterizado, principalmente, por possuir uma probóscide formada por anéis espinhosos, os quais são usados pelo parasito para fixar-se na parede do intestino delgado, causando enterite. A partir do processo inflamatório, a parede intestinal pode romper-se desencadeando a peritonite e a morte do animal. Clinicamente, essa endoparasitose não possui sintomatologia patognomônica, no entanto, podem ser observados sinais como inapetência, emagrecimento progressivo, anorexia, fraqueza, espasmos musculares, além da observação de diarreia com alimentos pouco digeridos. Em humanos, o quadro clínico é similar ao que ocorre nos animais. Achados de necropsia em suínos envolvem ulcerações, inflamação no intestino delgado, presença de nódulos na camada serosa, e deposição de fibrina nas vísceras do intestino. A infecção dos suínos ocorre através da ingestão do hospedeiro intermediário, os besouros coprófagos da família Scarabeidae, portadores de larvas infectantes (cistacanto). Esses coleópteros, degradam a matéria orgânica e ingerem os ovos liberados através das fezes excretadas pelos hospedeiros definitivos (suínos) infectados. Os ovos desses parasitos são resistentes a oscilações drásticas de temperaturas e podem sobreviver até três anos no solo. Portanto, criações extensivas, com baixos níveis de tecnificação, são mais propensas ao fechamento do ciclo biológico do parasito, enquanto que as criações de suínos em escala industrial, cada vez mais tecnificadas, praticamente não propiciam sua transmissão. Diante do exposto, objetivou-se relatar o parasitismo por M. hirudinaceus em suíno doméstico (Sus scrofa domesticus) na região sul do Rio Grande do Sul, Brasil. Foi encaminhado ao laboratório do Grupo de Estudos em Enfermidades Parasitárias (GEEP) da Faculdade de Veterinária (FaVet) localizado na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), amostra de fezes e espécimes de parasitos para identificação morfológica, oriundos de necropsia de um suíno doméstico, adulto, fêmea, realizada no Laboratório Regional de Diagnóstico (LRD) da FaVet/UFPel. O animal era proveniente de uma criação extensiva na cidade de Piratini, no sul do estado do Rio Grande do Sul. Foram realizadas técnicas coproparasitológicas de Gordon e Whitlock modificada por Ueno & Gonçalves (1998), centrífugo-flutuação com sulfato de zinco modificada por Monteiro (2017) e sedimentação espontânea de Hoffman et al. (1934) em triplicata. Posteriormente, a leitura e análise dos resultados foram realizadas em microscopia óptica nas objetivas de 10x e 40x. Os espécimes parasitários foram observados em estereomicroscópio (lupa) e de acordo com características morfológicas, classificados taxonomicamente como M. hirudinaceus. Nos exames coproparasitológicos não foram observados ovos da espécie em questão, o que pode fazer com que o parasitismo passe desapercebido. Independentemente do tipo de sistema de produção empregado, tanto as criações destinadas aos suínos de exploração industrial, quanto as de subsistência, deve-se incentivar a melhoria as práticas de manejo sanitário e nutricional, visando a redução da diversidade de parasitos presentes no ambiente e, consequentemente, os casos de doença nos animais. Além das perdas relacionadas à produção animal, M. hirudinaceus é considerado causador de zoonose, devendo, assim, ser monitorado e controlado. Levando em consideração que as técnicas coproparasitológicas de rotina possuem dificuldade em detectar a infecção, ressalta-se a importância da necropsia como método de diagnóstico. A literatura sobre a ocorrência de M. hirudinaceus é escassa na região estudada, sendo indispensável que mais estudos sejam realizados a fim de auxiliar os médicos veterinários quanto controle deste parasito.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
MARTINS, N.; SOARES MARTINS, N.; SOMAVILLA LIGNON, J.; DA ROSA VENANCIO, F.; GABRIELA CUSTODIO KOBAYASHI, M.; GERALDO PAPPEN, F.; LOPES RUAS, J. PARASITISMO POR MACRACANTHORYNCHUS HIRUDINACEUS EM SUÍNO DOMÉSTICO (SUS SCROFA DOMESTICUS): ACHADO DE NECROPSIA COM POTENCIAL ZOONÓTICO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.