EFEITO DO GARANHÃO NA CINÉTICA ESPERMÁTICA PÓS DESCONGELAMENTO

  • Daliza Bruno Ribeiro
  • Cláudia Anacleto Amorim
  • Elise dos Santos Guerra
  • Flávio Arci Araújo
  • Fabricio Desconsi Mozzaquatro
Rótulo Criopreservação, Equino, Sêmen, Espermatozoide, CASA

Resumo

O agronegócio do cavalo é um dos setores que mais cresce no Brasil. A utilização de biotecnologias na área equina está em ascensão, destacando-se a inseminação artificial e a criopreservação. Contudo, o procedimento de congelamento e descongelamento do sêmen equino apresenta muita variabilidade nos seus resultados podendo ocorrer perdas de até 50% na viabilidade dos espermatozoides. Este trabalho tem por objetivo verificar a influência do garanhão na cinética dos espermatozoides criopreservados. Foram utilizados 12 ejaculados de 4 garanhões, com idade média de 12,5 ± 5,5 anos. Todos os animais apresentavam saúde reprodutiva, sendo mantidos nos mesmas condições de criação (piquetes com pastagem de campo nativo, água e sal mineral ad libidum, suplementados com 1,5% de seu peso vivo). Antes de iniciar o experimento, todos os animais foram coletados 3 a 4 vezes para esgotar as reservas de espermatozoides extra gonadais. As coletas de sêmen foram realizadas com vagina artificial modelo Botucatu. Na sequência, o sêmen obtido foi diluído com Botusêmen na proporção 1:1 e enviado ao laboratório. Foram realizadas análises imediatas: motilidade total, progressiva e vigor. Ainda, realizadas a coloração supra vital e verificação de patologias espermáticas sendo logo após, liberado para criopreservação. O procedimento de centrifugação do ejaculado foi realizado com centrifuga de bancada (K-14-4000 KASVI®) a 600 x G por 10 min para remoção do plasma seminal. O sobrenadante foi descartado e o pellet ressuspendido em diluente Botucrio® ajustando a concentração espermática em 100x106sptz/ml. O procedimento de congelamento foi realizado com uma máquina automática (TK3000®) com curva de resfriamento de (0,5ºC/min) e uma curva de congelamento (-20ºC/min), até que atingisse a temperatura de (-60ºC). Após as palhetas foram imersas em nitrogênio líquido e estocadas em botijões a (-196ºC) até o momento da avaliação. O procedimento de descongelamento seguiu o protocolo preconizado pelo LPEqui, sendo realizado em banho-maria a 37ºC/30s. Em seguida ao procedimento de descongelamento foi realizada a análise computadorizada da cinética espermática (CASA-Androvision®, Minutube, Alemanha). As variáveis mensuradas foram as seguintes: motilidade total, circular, rápida, lenta, local, progressiva e espermatozoides imóveis. O pre-set utilizado para o ajuste do equipamento foi de 30 imagens/segundo com 60 Hz; Tamanho de partícula capturada de 4 e 75 µm/m2; Espermatozoides considerados imóveis < 10 µm/segundo; Lentos < de 45 µm/segundo; Médios entre 45 a 80 µm/segundo e rápidos > de 80 µm/segundo. Estas análises foram realizadas no laboratório (REPROLAB/UFGRS). As variáveis foram analisadas utilizando o pacote estatístico SPSS com o teste de Tukey com nível de significância de 5%. Os resultados estão expressos em média e desvio padrão. Houve diferença na cinética espermática entre os garanhões nas variáveis motilidade rápida (p=0,004), circular (p=0,023), lenta (p=0,06), local (p=0,037) e progressiva (p=0,034). Na motilidade rápida observou-se que o garanhão 1 (10,52 ± 2,90), foi semelhante ao garanhão 3 (7,92 ± 1,13), porém diferente do garanhão 2 (1,69 ± 2,45). O garanhão 4 ( 6,41± 2,03) não diferiu dos demais. Analisando a motilidade progressiva observou-se que o garanhão 1 (40,38 ± 7,58) foi diferente do garanhão 2 (11,78 ± 7,03) e os garanhões 3 e 4 (32,99 ± 8,47; 28,52 ± 15,25; respectivamente) foram iguais entre si e em relação aos demais. No parâmetro motilidade circular o garanhão 2 (0,77 ± 0,94) foi diferente do garanhão 3 (3,03 ± 0,52). Os garanhões 1 e 4 (1,23 ± 0,34; 2,46 ± 1,34, respectivamente) não apresentaram diferença em relação aos demais. Na motilidade lenta, o garanhão 1 (29,64 ± 5,86) foi diferente do garanhão 2 (9,41± 4,46). Os garanhões 3 e 4 (22,12 ± 7,14; 19,66 ± 13,41, respectivamente) não foram diferentes aos demais. Mesma situação observada para a variável motilidade local, onde o garanhão 1 (11,21 ± 0,9) foi diferente do garanhão 2 (22,97 ± 6,98) e os garanhões 3 e 4 (19,87 ± 3,34; 12,48 ± 6,11, respectivamente) não apresentaram diferença entre si e em relação aos garanhões 1 e 2. Não foram observadas diferenças entre garanhões nas variáveis motilidade total (média 45,93 ± 14,11) e espermatozoides imóveis (média 54,08 ± 14,11). Também não foi observada variação entre ejaculados do mesmo garanhão. Conforme os dados apresentados verificam-se, que alguns parâmetros da cinética espermática avaliados durante um exame andrológico, como a motilidade total e progressiva apresentaram comportamento variável em relação aos diferentes animais, demonstrando que existe variação animal. Conclui-se que o fator garanhão pode influenciar alguns parâmetros da cinética de espermatozoide equino criopreservado.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
BRUNO RIBEIRO, D.; ANACLETO AMORIM, C.; DOS SANTOS GUERRA, E.; ARCI ARAÚJO, F.; DESCONSI MOZZAQUATRO, F. EFEITO DO GARANHÃO NA CINÉTICA ESPERMÁTICA PÓS DESCONGELAMENTO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.