ACHADO INCIDENTAL DE DIOCTOPHYME RENALE EM BOLSA ESCROTAL DE UM CÃO

  • Patrick da Silva Magalhães
  • Marinara Macelai
  • João Pedro Scussel Feranti
Rótulo Dioctofimose, Parasito, Verme, gigante, Hematúria, Rim

Resumo

A dioctofimose é uma afecção parasitária causada pelo nematódeo Dioctophyme renale, conhecido como verme gigante do rim. Essa doença tem ampla distribuição mundial. De ciclo complexo e pouco compreendido, sabe-se que várias espécies podem se tornar o hospedeiro definitivo, todavia, acomete principalmente canídeos domésticos e silvestres. A enfermidade é considerada uma zoonose, apesar da infecção ser rara na espécie humana. A maior incidência de dioctofimose no Brasil está relacionada a cães errantes, que vivem em regiões ribeirinhas, e que tenham fácil acesso a fontes de água, sendo assim, tendo um maior contato com os hospedeiros intermediários (anelídeos aquáticos) e paratênicos (peixes e rãs). O rim direito é o órgão preferencialmente parasitado, contudo, o D. renale pode ser encontrado em diversas regiões no organismo do hospedeiro. Objetivou-se relatar o caso de um canino com dioctofimose localizada em bolsa escrotal. Um canino, macho, da raça Galgo Inglês, pesando 19,5kg, foi atendido em um hospital veterinário privado do município de Uruguaiana/RS. Durante a anamnese, o proprietário relatou que o animal foi resgatado das ruas, desta forma, não tinha muitas informações sobre o paciente. No exame físico, o paciente apresentava baixo escore corporal, desidratação, alopecia generalizada, presença de pulgas, além de lesões crostosas e eritematosas na pele. Demais parâmetros fisiológicos estavam dentro dos limites estabelecidos como normais para a espécie. Os achados sugeriram dermatopatia parasitária. Portanto, foi solicitado raspado profundo cutâneo, além de exames hematológicos e exame ultrassonográfico abdominal. No hemograma foi observado trombocitopenia (51 mil/mm3) e moderados agregados plaquetários. No exame bioquímico, observou-se aumento leve de creatinina (1,6 mg/dL) e fosfatase alcalina (202 U/I). No raspado profundo cutâneo foram observados em microscópio ótico, número elevado de ácaros compatíveis com Demodex sp. Sendo assim, o animal foi diagnosticado com demodicose. Durante a ultrassonografia abdominal, foram observados rins com diferenciação corticomedular diminuída, conformação anatômica alterada, além de esplenomegalia e parênquima esplênico homogêneo. O proprietário optou por manter o animal internado para o tratamento. Posto isto, foi administrado um comprimido de Simparic® 40mg. Ainda, foi iniciado o tratamento com banhos terapêuticos com Cloresten® e Hidrapet®, a cada sete dias, totalizando oito banhos. Durante o período de internação, o paciente foi encaminhado para orquiectomia eletiva. No transoperatório, após incisão de pele e túnica vaginal direita, foi observado a presença de um parasito, de cor avermelhada, medindo cerca de 20cm, compatível com Dioctophyme renale. Devido a presença do D. renale na região escrotal direita, foi solicitado novo exame ultrassonográfico, afim de descartar a presença de outro parasito, o qual não foi observado. O animal teve alta médica após 54 dias de internação, pesando 22 kg. Notou-se melhora na pelagem, as áreas alopécicas estavam com maior recobrimento de pelo, entretanto, o paciente ainda apresentava áreas crostosas pelo corpo. Foi receitado que o paciente continuasse com o tratamento dermatológico em casa, com banhos terapêuticos e produtos para hidratação da pele, além de, administração de antiparasitário a cada 35 dias. É frequente, em cidades da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, relatos de achados incidentais desses parasitos em procedimentos cirúrgicos eletivos, livres em cavidades abdominais, como por exemplo, durante ovariohisterectomias eletivas. A localização preferencial do parasito pelo rim direito, justifica-se pelo fato de estar bem próximo ao duodeno, fazendo com que as larvas migrem do intestino para o rim. O diagnóstico de dioctofimose, caso o parasita fêmea se encontre em trato urinário, pode ser efetivado por meio de urinálise, com a observação de ovos do parasito. O tratamento se dá através da localização e retirada cirúrgica do D. renale. Alguns fatores podem ter contribuído com o parasitismo no presente caso, por ser um cão errante, e o município de Uruguaiana apresentar regiões ribeirinhas, o canino pode ter tido contato com os hospedeiros intermediários e paratênicos com mais facilidade, dessa forma, proporcionando condições de desenvolvimento da dioctofimose. Apesar do achado incidental de dioctofimose ser comum, mostra-se necessário uma investigação diagnóstica completa, principalmente em caninos errantes, afim de pesquisar a presença desses parasitos, tanto no sítio mais comumente encontrado, como em outras localizações, afim de realizar o diagnóstico precoce e evitar que o parasito cause complicações mais graves ao paciente. Conclui-se com o presente caso que a remoção do D. renale, associada a tentativa de localização de demais parasitas no pós-operatório, foi a conduta adequada, associada a nenhuma complicação transoperatória.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
DA SILVA MAGALHÃES, P.; MACELAI, M.; PEDRO SCUSSEL FERANTI, J. ACHADO INCIDENTAL DE DIOCTOPHYME RENALE EM BOLSA ESCROTAL DE UM CÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.