GIARDÍASE EM CANIL COMERCIAL: DIAGNÓSTICO E CONTROLE

  • Maria Eduarda Rodrigues
  • Maria Gabriela Custodio Kobayashi
  • Vitória de Carvalho Oscar
  • Julia Somavilla Lignon
  • Felipe Geraldo Pappen
  • Natália Soares Martins
Rótulo GIARDÍASE, PARASITO, ZOONOSE

Resumo

Causada pelo protozoário Giardia spp., a giardíase é uma doença entérica de caráter zoonótico, que acomete diversas espécies de mamíferos (incluindo humanos), aves e anfíbios, sendo mais comum em cães. A infecção se dá pela ingestão de água ou componentes do solo, como a grama ou verduras mal higienizadas, com a presença de cistos viáveis do protozoário (transmissão fecal-oral). A sobrevivência do Giardia spp. no ambiente, se deve, principalmente, pela alta resistência dos cistos e por deficiências no manejo sanitário. Os aglomerados populacionais com precárias condições sanitárias favorecem a disseminação. A enfermidade acomete o intestino dos hospedeiros, e nos animais pode causar diarreia, vômito e falta de apetite. Junto a isso, a desidratação e perda de peso também são sinais clínicos de giardíase. Em humanos, os sinais clínicos ainda incluem náusea, anorexia, desnutrição, edema e dor abdominal. Animais jovens, crianças ou indivíduos com alguma deficiência imunológica são os acometidos que possuem sintomatologia mais evidente, podendo ainda apresentar síndrome da má absorção. O processo patológico envolvido na enfermidade depende, principalmente, do número de parasitos que colonizam o intestino delgado e da cepa do protozoário. Por ser um parasito frequente em grande parte do planeta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a giardíase no grupo de doenças negligenciadas. O presente trabalho tem como objetivo relatar a ocorrência de giardíase em filhotes oriundos de canil comercial da cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Em agosto de 2022, foram recebidas no laboratório do Grupo de Estudos em Enfermidades Parasitárias (GEEP), localizado na Faculdade de Veterinária (FaVet) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), amostras de fezes de cães provenientes de um canil comercial. Os animais tinham aproximadamente 90 dias e apresentavam histórico de diarreia intermitente. No momento da coleta, as fezes apresentavam-se pastosas e com odor fétido. Foi realizada a técnica de flutuação simples e centrífugo-flutuação em sulfato de zinco modificada, visando a visualização de ovos, cistos e/ou oocistos de parasitos gastrintestinais. Foi observada grande quantidade de cistos de Giardia spp. Após o diagnóstico, os filhotes foram tratados com fembendazol (0,5ml/kg/dia) durante 3 dias. Recomendações para controle ambiental foram realizadas para evitar a dispersão dos cistos no ambiente. Os animais foram removidos de baias de piso frio e colocados em gaiolas para facilitar a remoção das fezes. Além disso, foi recomendado a utilização periódica, do controle físico, vassoura de fogo e a desinfecção com produtos à base de amônia quaternária. A ocorrência dessa enfermidade em animais jovens é mais frequente quando estes estão em locais com condições inadequadas de higiene e de superlotação. Na propriedade em questão, diversos animais para venda viviam em conjunto, dividindo baias. Embora as fezes fossem recolhidas duas vezes ao dia e as baias higienizadas diariamente, a alta resistência ambiental dos cistos aos desinfetantes comerciais, como o hipoclorito de sódio, dificulta a eliminação deste parasito do ambiente. Vale ressaltar que essa doença é uma zoonose, portanto, deve ser dada especial atenção para que os cães não sirvam como fonte de infecção para os tratadores e para os futuros tutores, através da dispersão de cistos. O contínuo controle ambiental, juntamente com o monitoramento coprológico e controle parasitário dos animais são fortes aliados para o controle desta zoonose parasitária.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
EDUARDA RODRIGUES, M.; GABRIELA CUSTODIO KOBAYASHI, M.; DE CARVALHO OSCAR, V.; SOMAVILLA LIGNON, J.; GERALDO PAPPEN, F.; SOARES MARTINS, N. GIARDÍASE EM CANIL COMERCIAL: DIAGNÓSTICO E CONTROLE. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.