ASPECTOS ULTRASSONOGRÁFICOS E DIFERENCIAIS EM CASO DE FIBROMA VESICAL EM CÃO

  • Anna Vitória Hörbe
  • Maria Eduarda Rodrigues Costa
  • Catherine Konrad Nava Calva
  • Luiza Eula Marques
  • Ingrid Rios Lima Machado
Rótulo Neoplasia, benigna, vesical, Alterações, ultrassonográficas, Vesícula, urinária, Diagnóstico, ultrassonográfico

Resumo

Neoplasias de vesícula urinária (VU) possuem importante relevância na rotina clínica de pequenos animais e seu diagnóstico é comumente atrelado aos exames de imagem, como a ultrassonografia. Este apresenta-se como um método de fácil acesso, não invasivo, que permite a avaliação da VU, possibilitando a percepção de afecções que possam levar a perda de estratificação epitelial e alteração de sua característica estrutural, como no caso das neoplasias. Objetiva-se com o presente relato descrever os principais achados ultrassonográficos e diagnósticos diferenciais de fibroma vesical. Um canino, fêmea, da raça American Bully, pesando 31,0 kg chegou ao Hospital Veterinário Universitário com queixa de quadros de hematúria. Ao exame físico constatou-se apenas hiperemia em mucosa vaginal. Foram solicitados exames hematológicos, os quais não apresentaram alterações, urinálise, a qual foi sugestiva de infecção bacteriana e ultrassonografia abdominal. No exame ultrassonográfico evidenciou-se presença de estrutura pedunculada intraluminal em margem cranial da VU, medindo cerca de 1,21cm de diâmetro, homogênea hipoecogênica, com contornos regulares e aderida discretamente ao epitélio, alterações características de cistite polipoide ou neoplasia urinária. Ainda, foi observado espessamento difuso de parede, sem demais achados. Após 14 dias a paciente retornou para avaliação, onde realizou-se cateterismo guiado por ultrassom para citologia esfoliativa da região nodular, a qual foi sugestiva de Carcinoma de Células Escamosas. Após o procedimento cirúrgico para remoção do nódulo o histopatológico definiu que se tratava de um fibroma, neoplasia benigna de origem mesenquimal. A recomendação do exame ultrassonográfico na suspeita clínica de doenças do trato urinário inferior é frequentemente associada a alta sensibilidade desta modalidade em averiguar alterações em estratificação de parede e conteúdo intraluminal, relacionando também à interpretação frente aos achados de imagem, como a conformação e localização das estruturas, que norteiam a conduta clínica para um método diagnóstico definitivo. De acordo com a literatura, neoplasias benignas de VU, como os casos de fibroma, tem ocorrência rara e são caracterizados ultrassonograficamente como estruturas organizadas e circunscritas, de ecotextura homogênea e não-invasivas ao epitélio, como visto neste caso. Já tumores vesicais malignos apresentam-se em arranjo desorganizado, com irrigação sanguínea ao uso do modo Doppler, são invasivos ao epitélio, possuem contornos irregulares e ecogenicidade variável entre áreas hiperecóicas e hipoecóicas, abrangendo muitas vezes regiões fibróticas ou necróticas, a exemplo do Carcinoma de Células de Transição, sendo o de maior ocorrência, e o Carcinoma de Células Escamosas. Os aspectos ultrassonográficos descritos sobre neoformações benignas em VU, na maioria das vezes, não permitem sua diferenciação dos cistos polipoides, isto porque estes apresentam-se equivalentes quanto a densidade tecidual e formato, resultando em uma imagem sonográfica semelhante em ambos os casos. Outros tipos de exame de imagem podem ser utilizados como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. De qualquer forma, o diagnóstico definitivo se dá apenas por biópsia ou histopatológico. Apesar disso, pode-se concluir que a ultrassonografia é indispensável para os diagnósticos de doenças do trato urinário, pois apresenta-se como um método acessível, de baixo custo que fornece informações imprescindíveis para o direcionamento diagnóstico das alterações benignas e malignas envolvendo a parede da VU.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
VITÓRIA HÖRBE, A.; EDUARDA RODRIGUES COSTA, M.; KONRAD NAVA CALVA, C.; EULA MARQUES, L.; RIOS LIMA MACHADO, I. ASPECTOS ULTRASSONOGRÁFICOS E DIFERENCIAIS EM CASO DE FIBROMA VESICAL EM CÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.