ACHADOS EM EXAMES DE IMAGEM, SÍNDROME BRAQUICEFÁLICA: RELATO DE CASO

  • Nathália Brandes Décimo Rodrigues
  • Francesca Lopes Zibetti
  • Vitória Xavier Cabral
  • Jéssica Krüger Nunes
  • Paula Priscila Correia Costa
  • Amanda Leal de Vasconcellos
Rótulo Diagnóstico, Cachorro, Veterinária

Resumo

A síndrome do cão braquicefálico se caracteriza pelo conjunto de alterações que ocorrem nas vias áreas superiores, tendo como origem alterações anatômicas congênitas, devido à seleção em animais para que tenham focinhos mais curtos, como Buldogue Inglês. As más formações nas narinas, cavidade nasal, nasofaringe, laringe e/ ou traqueia, podem ocasionar em distúrbios respiratórios.Entre as alterações mais comumente encontradas estão: estenose de narinas, palato mole longo, eversão lateral de sáculos laríngeos e colapso de traqueia e laringe. Essas anormalidades ocasionam no estreitamento das vias do trato respiratório superior, comprimindo a passagem de ar e ocasionando a restrição da respiração, levando a sinais de sufocamento durante esforço físico ou calor excessivo. As deformações que o animal apresenta podem desencadear em sinais clínicos como espirro reverso, tosse e respiração ruidosa. O diagnóstico desta patologia deve ser baseado na anamnese, distúrbios respiratórios, juntamente com as raças predispostas. Após a triagem, deve ser realizado o exame físico do paciente para percepção de grau de estenose que a narina apresenta, posteriormente realizando exames complementares como a radiografia, para estimativa do prolongamento e espessamento do palato, nasofaringe e hipoplasia de traqueia, assim como comprometimento pulmonar como broncopatia e pneumonia por aspiração. A rinoscopia e tomografia computadorizada, podem ser utilizadas para diagnóstico das obstruções intranasais. A ressonância magnética tem apresentado bons resultados na avaliação do espaço nasofaringe. Também pode ser utilizado a pletismografia barométrica para função respiratória e exames cardiológicos, devido a complicações desencadeadas pela patologia. O objetivo deste trabalho foi relatar um caso de um cão diagnosticado com a síndrome do cão braquicefálico. Foi atendido, um canino, da raça Buldogue Inglês, macho, 4 anos, apresentando sinais como anorexia, apatia, inapetência, cansaço e episódios de êmese. Apresentava também prolongamento de palato, estenose de traqueia e estenose de focinho. Para investigação do quadro, foi solicitada a realização de exames ultrassonográficos, em que se identificou uma discreta hepatomegalia, esplenomegalia, presença de lama biliar, alteração da morfologia renal, hiperplasia da adrenal direita e cistite. Devido à predisposição racial, realizaram-se exames para avaliação cardíaca, como ecocardiograma, eletrocardiograma e verificação da pressão arterial. No ecocardiograma foi constatada uma hipertrofia do tipo concêntrica do ventrículo esquerdo e insuficiência valvar pulmonar de grau discreto sem repercussão hemodinâmica, já no eletrocardiograma foi possível identificar uma arritmia sinusal com frequência cardíaca mínima de 53 batimentos por minuto e máxima de 126 batimentos por minuto, sem desvio de eixo elétrico cardíaco (+ 82 graus). Já na aferição de pressão arterial, o valor obtido por média de cinco aferições, notou-se uma hipertensão grave com alto risco de lesão em órgãos alvo como rins, olhos, coração e sistema nervoso central. Desta forma, foi possível concluir que para diagnosticar a síndrome do cão braquicefálico é necessário combinar os achados dos exames complementares com a anamnese do paciente, e que exames de imagem podem ser úteis na identificação de alterações das vias áreas, assim como, independentemente da idade, deve-se realizar exames para avaliação do sistema cardíaco com o intuito de avaliar as possíveis complicações que a patologia pode causar.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
BRANDES DÉCIMO RODRIGUES, N.; LOPES ZIBETTI, F.; XAVIER CABRAL, V.; KRÜGER NUNES, J.; PRISCILA CORREIA COSTA, P.; LEAL DE VASCONCELLOS, A. ACHADOS EM EXAMES DE IMAGEM, SÍNDROME BRAQUICEFÁLICA: RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.