EXTRAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO EXTRATO LIPÍDICO DO BAGAÇO DA OLIVEIRA

  • Caroliny Quines
  • Fernanda Saraiva Gomes Brazeiro
  • Candice Soares Dias
  • Valéria Terra Crexi
  • Vilásia Guimarães Martins
  • Catarina Motta de Moura
Rótulo Resíduo, industrial, Olivicultura, Antioxidante

Resumo

O bagaço da oliveira é identificado como um resíduo industrial da olivicultura, que é obtido através da extração do azeite de oliva e em sua composição encontra-se polpa, caroço e pele, sendo cada qual com suas propriedades e características. Pode-se afirmar, que com o passar dos anos, vem aumentando o uso e estudo do bagaço da oliveira. Isso ocorre, pois é um subproduto com diversas funcionalidades devido sua composição, além de possuir propriedades que reduzem o risco de algumas doenças relacionadas a problemas cardiovasculares e colesterol. Com isso, é de suma importância definir a composição do bagaço de oliveira em estudo. O objetivo deste trabalho foi realizar a caracterização centesimal do bagaço in natura e da polpa liofilizada, bem como realizar a extração da fração lipídica da polpa e caracterizá-la. O bagaço in natura, foi cedido pela empresa Azeites Batalha, a qual está localizada no município de Pinheiro Machado (-31°3001.4S, -53°3039.6W), na Região da Campanha Gaúcha, o bagaço em estudo refere-se à safra de 2022. O bagaço da oliveira in natura foi congelado em ultrafreezer (-75ºC ± 0,5) para posterior liofilização (30 h a -55ºC ± 0,1ºC). A obtenção da polpa do bagaço de azeitona liofilizada foi realizada, através de separação pneumática no equipamento leito de jorro, a partir da diferença de densidade entre caroço e polpa. A partir dos dados encontrados na literatura pôde-se determinar a quantidade de solvente necessário para a extração da fração lipídica, utilizou-se a proporção de 1:3 (polpa:etanol). A extração foi realizada em banho ultrassônico na frequência 40 kHz e potência 154 W, por 60 min a 30ºC. Após a etapa de extração foi realizada a recuperação do solvente pelo método de evaporação à vácuo. A caracterização dos materiais seguiu metodologias oficiais e da literatura. As análises de composição centesimal para o bagaço in natura e polpa liofilizada foram: umidade, lipídios, proteínas, cinzas, fibra bruta e carboidrato (por diferença). Já para o extrato lipídico, as análises foram de índice de acidez, atividade antioxidante e compostos fenólicos. A partir das análises realizadas, os resultados encontrados para o bagaço in natura foram de 65,51 ± 1,28% (b.u) de umidade; 9,1 ± 0,26% de lipídios; 2,20 ± 0,05% de cinzas; de 10,90 ± 0,17% de proteínas; 57,46 ± 0,21% de fibra bruta e 18,44 ± 0,05% de carboidrato (por diferença). Os valores encontrados para umidade estão de acordo com os dados da literatura, na safra de 2021. Para lipídios o valor encontrado foi cerca de 45% inferior e o valor de proteínas foi 38% superior aos dados encontrados na literatura, ambos para a safra de 2021. Já em relação ao teor de cinzas, fibras e carboidratos os valores foram cerca de 41% inferior, 158% superior e carboidratos 59% inferior, respectivamente, todos em comparação com a safra de 2021. O teor de umidade do bagaço de azeitona pode variar de 50-70% dependendo do tipo do sistema de fases empregado na indústria oleícola, o teor de cinzas nos resíduos oleícolas dependem principalmente do tipo de solo e do cultivar da oliveira, o teor de lipídios está relacionado com a cultivar e grau de maturação da azeitona no momento da extração, segundo dados da literatura. Para as análises referente a polpa liofilizada, os resultados encontrados foram de 9,16 ± 0,24% de umidade; 17,63 ± 0,10% de lipídios; 2,50 ± 0,05% de cinzas; 9,82 ± 0,89% de proteínas; 55,30 ± 0,48% de fibra bruta e 14,64 ± 0,42% de carboidratos (por diferença). Não foram encontrados na literatura dados referente a caracterização da polpa liofilizada. Além disso, o extrato da fração lipídica também foi analisado e os resultados encontrados para índice de acidez foi de 8,82 ± 0,01% de ácido oleico. Para atividade antioxidante, o valor encontrado foi de 91,02 ± 0,01% e para compostos fenólicos, tem-se 1931,09 ± 172,9 mgácido gálico/100gamostra. Não foram encontrados estudos na literatura sobre extração da fração lipídica somente da polpa do bagaço. A partir dos resultados encontrados, conclui-se que o bagaço da oliveira in natura, em estudo, apresenta grande potencial para extração de determinados compostos de interesse, como o extrato da fração lipídica. O extrato da fração lipídica apresentou boas características de atividade antioxidante e compostos fenólicos confirmando a propriedade funcional.

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Publicado
2022-11-23
Como Citar
QUINES, C.; SARAIVA GOMES BRAZEIRO, F.; SOARES DIAS, C.; TERRA CREXI, V.; GUIMARÃES MARTINS, V.; MOTTA DE MOURA, C. EXTRAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO EXTRATO LIPÍDICO DO BAGAÇO DA OLIVEIRA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 2, n. 14, 23 nov. 2022.