A VARIAÇÃO DE NÓS E A GENTE NA FALA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO

  • Laura Fagundes Delabari
  • Julia da Rosa Diogo
  • Helen Cristina da Silva
Rótulo Variação, Linguística, Formas, pronominais, Nós, gente, Português, brasileiro

Resumo

Tendo em vista as várias possibilidades de realização de uma variante linguística, analisamos neste trabalho, a variação da primeira pessoa do plural nós e a gente na posição de sujeito no português do Brasil, com o propósito de verificar a frequência de uso desses pronomes e os grupos de fatores que influenciam sua variação, contribuindo para com o conhecimento sobre o português brasileiro (PB) e, consequentemente, oferecendo subsídios para o ensino de Língua Portuguesa. Para tanto, foram selecionados e analisados oito artigos que tratam do tema, a saber: Nós e a gente no Português falado culto do Brasil (LOPES, 1998); De gente para a gente: o século XIX como fase de transição (LOPES, 2002); A gramaticalização de a gente em português em tempo real de longa e de curta duração: retenção e mudança na especificação dos traços intrínsecos (LOPES, 2004); O quadro pronominal dos pronomes pessoais: descompasso entre pesquisa e ensino (LOPES, 2012); A variação do sujeito nós e a gente na fala florianopolitana (SEARA, 2002); O que a fala e a escrita nos dizem sobre a avaliação social do uso de a gente? (ZILLES, 2007); A variação nós/ a gente no dialeto mineiro: investigando a transição (MAIA, 2009) e A variação entre nós e a gente: uma comparação entre o português europeu e o português brasileiro (VIANNA e LOPES, 2012). A análise dos artigos citados foi realizada com base nas seguintes hipóteses: há variação entre nós e a gente nas diferentes regiões do país, influenciada pelas variáveis sociais escolaridade, faixas etária e sexo/gênero; no Português Brasileiro (PB), a gente é o pronome preferido, sendo suas realizações favorecidas pelos seguintes contextos: menos saliência fônica, menos escolarizados, mais jovens e sexo feminino. Os resultados obtidos evidenciam, dentre outras questões, que a forma inovadora a gente está se consolidando no falar culto do Brasil (LOPES, 1998; 2002), sendo a forma pronominal preferida para representar a primeira pessoa do plural no PB. Com relação à influência das variáveis linguística, as que mais se mostraram relevantes foram a saliência fônica e o tempo verbal, mesmo este último não estando em nossas hipóteses iniciais. Já, no que diz respeito aos condicionadores extralinguísticos, verificamos que o fator escolaridade, refutando nossa hipótese inicial, demonstra que a gente se generalizou na comunidade e não é considerado um traço específico de falantes com pouca escolaridade, haja vista que os falantes de maior escolarização tendem a privilegiar mudanças linguísticas que representa, uma forma aceita. No que se refere à variável faixa etária, nossa hipótese se confirmou pois, os mais jovens tendem a usar com mais frequência a forma inovadora, a gente, do que os mais velhos, que preferem a variante nós. Outra hipótese que se confirmou foi a de que as mulheres tendem a usar mais o a gente do que os homens, indicando que a mudança é liderada pelas mulheres, pois o gênero feminino favorece o uso de a gente.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
FAGUNDES DELABARI, L.; DA ROSA DIOGO, J.; CRISTINA DA SILVA, H. A VARIAÇÃO DE NÓS E A GENTE NA FALA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.