UM OLHAR SOBRE A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E O ENSINO DE LÍNGUAS EM TESES E DISSERTAÇÕES

  • William Viera Larruscahim
  • Taise Simioni
Rótulo Sociolinguística

Resumo

Este trabalho apresenta uma pesquisa realizada em teses e dissertações do catálogo da CAPES que desenvolvam a temática da variação linguística e do ensino de línguas. Para fundamentar o trabalho, o embasamento teórico centra-se na Teoria da Variação e Mudança Linguística (LABOV, 2008[1972]), a qual tem como principal objeto o estudo da variação e mudança da língua no seio de comunidades de fala. Em vista disso, entende-se também que a variação é intrínseca a todas as línguas, o que vale dizer que as línguas possuem uma heterogeneidade ordenada (COAN; FREITAG, 2010). Como base teórica complementar para o trabalho, é trazida a Sociolinguística Educacional, defendida por Coelho et al. (2020) e Cyranka (2021), a partir da qual é discutida a contribuição da sociolinguística para o ensino, na medida em que se pontua um olhar de reflexão sobre o trabalho escolar com as normas cultas e populares e sobre os usos da língua. A partir de tais pressupostos teóricos, o presente trabalho busca apresentar e analisar dados referentes à: i) distribuição do número de trabalhos por níveis de escolaridade; e ii) distribuição do número desses mesmos trabalhos por ano. No tocante à metodologia de trabalho, a primeira etapa foi mapear, no Catálogo de Teses e Dissertações do portal da CAPES, todos os trabalhos do período compreendido entre 2011 e 2020, com a temática que relacionasse a variação linguística ao ensino. Quanto aos resultados, a partir da leitura dos resumos na íntegra, foi obtido um total de 380 trabalhos. Para a categoria de análise quanto ao nível escolar, foi adotada a seguinte classificação: Ensino Fundamental - Anos Iniciais; Ensino Fundamental - Anos Finais; Ensino Médio; Educação de Jovens e Adultos; Ensino Superior; Escola de Idiomas; Educação Indígena; e mais de um nível escolar. Vale lembrar que 14 do total de trabalhos não se encaixavam em nenhuma dessas categorias. Sendo assim, constatou-se que, dos 366 trabalhos, grande parte se concentrava no nível escolar dos Anos Finais do Ensino Fundamental aproximadamente 48%. Entre os níveis escolares da Educação Básica, o que menos apareceu foi a EJA cerca de 6% , evidenciando um retrato de exclusão que afeta esse nível de ensino, já que entre os demais é o mais marginalizado. Nessa análise, chama a atenção também a presença de um número razoavelmente expressivo de trabalhos que tiveram como corpus o Ensino Superior próximo de 11%. Com a mesma expressividade, o Ensino Médio esteve presente em aproximadamente 11% dos trabalhos. Os Anos Iniciais do Ensino Fundamental estiveram em aproximadamente 9% dos estudos. Por último, estiveram a Escola de Idiomas e a Educação Indígena presentes em aproximadamente 2% e 1% das pesquisas, respectivamente. A categoria mais de um nível escolar esteve presente em aproximadamente 12% dos trabalhos. Esse retrato mostrado apresenta parâmetros relativos a quais níveis carecem de pesquisas com o tema. Em relação à distribuição da quantidade de trabalhos por ano, há consideravelmente um crescente número a partir do primeiro ano (2011) até 2015, de 21 para 48 trabalhos. Com exceção de 2017, em que há uma queda brusca, com 36 trabalhos no ano, os anos de 2016, 2018 e 2019 ficam com 47, 46 e 40 trabalhos por ano, respectivamente, representando uma decrescente no número de trabalhos. No último ano da série, 2020 apresenta somente 30 trabalhos, voltando ao mesmo patamar de 2012, que tem 31. A partir dos resultados obtidos, reitera-se a importância de uma pesquisa como essa apresentada, no sentido de se levantar dados que mostrem um olhar para os resultados de uma década inteira de estudos sobre a relação entre a variação linguística e o ensino no Brasil, revelando um panorama de eventuais lacunas que ainda precisam ser preenchidas. Além do mais, este estudo traz contribuições para a ampliação do debate científico a respeito do assunto, o que pode ter impacto nas discussões sobre o ensino de línguas, sobretudo para a adoção e aperfeiçoamento de uma perspectiva de língua na qual é intrínseca a existência da variação, em contrapartida ao discurso de língua pura, que ainda é difundido no senso comum.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
VIERA LARRUSCAHIM, W.; SIMIONI, T. UM OLHAR SOBRE A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E O ENSINO DE LÍNGUAS EM TESES E DISSERTAÇÕES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.