OBSERVANDO A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E SUA RELAÇÃO COM O ENSINO, ATRAVÉS DA ANÁLISE DE DISSERTAÇÕES E TESES

  • Julia da Rosa Diogo
  • Taíse Simioni
Rótulo Variação, linguística, Ensino, Teses, Dissertações

Resumo

Esta pesquisa faz parte do projeto de pesquisa Variação Linguística: descrição, ensino e formação de professores, que tem como fundamentação teórica a Sociolinguística Variacionista, área que estuda a relação existente entre a língua e a sociedade, tendo como foco as regras variáveis da língua, isto é, aquelas que permitem que se alternem duas ou mais variantes. Esse trabalho se justifica pela importante contribuição da Sociolinguística para o campo educacional, principalmente no que diz respeito à questão do tratamento da variação linguística, permitindo uma renovação na perspectiva de língua adotada pelas escolas no ensino de gramática. O objetivo geral deste estudo é analisar trabalhos que abordem a variação linguística e sua relação com o ensino, a partir do levantamento de dissertações e teses, no catálogo da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Os objetivos específicos são observar a distribuição dos trabalhos em universidades públicas ou privadas; analisar a distribuição das dissertações em programas acadêmicos ou profissionais; identificar a distribuição dos trabalhos por região (Sudeste, Nordeste, Norte, Sul e Centro-Oeste); e averiguar as cidades onde foram gerados os dados das pesquisas (capital, não-capital ou exterior). O levantamento de dados foi realizado através do Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES, analisando os trabalhos de 2011 a 2020, com o critério de que estes abordassem a variação linguística e o ensino. Como resultados obteve-se o total de 380 trabalhos (dissertações e teses), realizados em 83 universidades. Foram identificadas pesquisas nas cinco regiões e em 213 cidades onde foram gerados os dados. A maioria dos trabalhos foi feita em universidades públicas, 83%, e percebeu-se um crescimento de trabalhos em programas profissionais, de 2014 a 2018, o que pode ter sido motivado pela implementação do Programa de Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS), o qual reúne 42 universidades públicas das cinco regiões. Em 2019, o número de trabalhos decai um pouco e, em 2020, é quase inexistente, com apenas 4% de trabalhos em programas profissionais. Uma das causas para que este número tenha caído drasticamente pode ser a pandemia da COVID-19, que se alastrou em todo o país, fazendo com que muitos trabalhos que precisavam ser feitos em campo não pudessem ser realizados. A região onde mais foram desenvolvidos trabalhos foi a Sudeste, com 31%, seguida pela região Sul, com 24%, e Nordeste, com 23%. As regiões Norte e Centro-Oeste tiveram o mesmo percentual, com apenas 11% dos trabalhos, e a maioria dos trabalhos teve seus dados gerados em não-capitais, 84%; 14% foram realizados em alguma das capitais das cinco regiões; 1% deles foi realizado em capital e exterior e 1% foi realizado somente no exterior. Com isso, conclui-se que as universidades públicas se mostram de grande importância, visto que possibilitam que um maior número de pessoas possa ter uma formação continuada. Além disso, percebeu-se um crescimento de programas profissionais de mestrado, devido ao grande número de universidades públicas espalhadas pelo país. A região sudeste destacou-se por apresentar mais trabalhos, porque abriga o maior número de programas de mestrados e doutorados. Percebeu-se que as não-capitais apresentam um maior número de estudos realizados, mostrando, assim, que não é somente nas grandes cidades que se concentram os trabalhos de mestrado e doutorado, o que permite que se tenha dados do interior e que se possa conhecer essa realidade.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DA ROSA DIOGO, J.; SIMIONI, T. OBSERVANDO A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E SUA RELAÇÃO COM O ENSINO, ATRAVÉS DA ANÁLISE DE DISSERTAÇÕES E TESES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.