A RESISTÊNCIA E MILITÂNCIA DO SUJEITO-MULHER ATRAVÉS DA ARTE

  • Larissa do Prado Martins
  • Carolina Fernandes
Rótulo Discurso, resistência, Sujeito-mulher, Arte

Resumo

Este trabalho buscou compreender como se produz o discurso de resistência na formação discursiva em que se filia o movimento Ni una menos, a partir dos princípios teórico-metodológicos da Análise de Discurso (AD) de vertente materialista. Com isso, a partir desse estudo, observamos os efeitos de sentidos produzidos através dos discursos que circulam dentro do movimento feminista através de performances e manifestações artísticas do corpo em protesto. Para isso, a partir do arquivo de pesquisa composto por imagens coletadas em sites de notícias que se relacionam com o movimento escolhido para a pesquisa, foi construído o corpus de análise, levando em conta as trajetórias e lutas dessas mulheres, bem como a exploração do potencial revolucionário do movimento como uma ação de resistência artístico-discursiva. No entanto, antes de realizar as análises desses discursos assumidamente feministas, buscamos compreender os processos que originam essas manifestações como ação política das mulheres e a influência de alguns acontecimentos na propagação dos discursos, pois, só assim, foi possível entender a configuração heterogênea dessa formação discursiva. Nesses termos, a materialização do discurso militante nas manifestações pautou-se na reprodução/transformação do discurso de resistência que motiva até hoje mulheres de todo o mundo a lutar pela diminuição da desigualdade de gênero que ainda persiste no contexto latino-americano. Baseando-se nisso, o movimento Ni una menos foi uma marcha contra a violência de gênero e direito ao aborto legal que aconteceu em várias cidades da Argentina, Chile, Uruguai e México entre 2015 e 2016. Os protestos foram desencadeados pelo estupro e assassinato frequente de jovens nessas regiões, o que põe em questão o porquê dessa forte violência baseada em gênero, e que provoca uma maior revolta das mulheres. A partir disso, analisamos a formação discursiva em que se inserem os sujeitos-mulheres considerando o lugar na formação social em que estas ocupam em oposição ao lugar ocupado por homens, explorando a formação imaginária a partir do que se pode entender do corpus de análise, pois as mulheres resistem à opressão dos homens que é construída a partir dessa construção ideológica de que a mulher deve assumir um determinado papel com relação a eles. Além disso, analisamos de que forma ocorre a materialização desses discursos, seja através dos textos exibidos em cartazes ou por meio de manifestações corporais que se apresentam nas imagens. Dessa forma, para a realização da pesquisa recorremos à concepção de discurso trazida por Michel Pêcheux, e desenvolvida por Orlandi, bem como a noção de Aparelhos Ideológicos de Estado (1970) formulado por Althusser, e através de conceitos-chave que contribuíram para uma melhor compreensão dos processos discursivos que se desenvolvem no movimento em questão. À vista disso, a necessidade de levar adiante essa pesquisa surge do entendimento de que a formação discursiva (FD) que configura o movimento aponta para uma FD feminista, estando seus discursos em constante transformação, bem como a ideologia que determina a produção de sentidos. Com isso, conseguimos perceber que os discursos analisados são constituídos pela FD das artes que se insere na FD feminista instaurando uma nova posição-sujeito que se relaciona com o político e o artístico por meio das manifestações, mudando a forma de dizer. Dessa forma, essa pesquisa oportunizou a expansão das possibilidades dos sentidos sob a ótica de cada sujeito que, nesse caso, se manifesta através do potencial revolucionário da arte, além de uma reflexão sobre os processos de significação do corpo como efeitos de resistência e militância política. Assim, finalizamos a pesquisa a partir da compreensão de que o surgimento da FD feminista não apaga a existência da FD machista, já que ela continua produzindo discursos na medida em que a FD feminista está sempre em resistência, levando as mulheres a buscar novas formas de se manifestar contra a ideologia patriarcal.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DO PRADO MARTINS, L.; FERNANDES, C. A RESISTÊNCIA E MILITÂNCIA DO SUJEITO-MULHER ATRAVÉS DA ARTE. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.