PROFESSORES, AGENTES DE MUDANÇA, NA FORMAÇÃO DO HÁBITO DE LEITURA EM ADOLESCENTES

  • Katya Karina Figueiredo Machado
  • Luciana Vargas Pedroso
  • Márcia Helena Rodrigues de Freitas Arend
  • Tatiane Motta Da Costa E Silva
  • Rodrigo de Souza Balk
Rótulo Leitura, Adolescentes, Professores, Formação, Escola

Resumo

A leitura, como meio de integrar os sujeitos na sociedade, torna-os capazes de modificar as realidades para que contemplem a dignidade e a justiça para todos. Portanto, o presente estudo mostra a importância do educador na formação leitora de adolescentes no Município de Uruguaiana- RS. Ao presenciar tantos estudantes na faixa etária do Ensino Fundamental II distantes da leitura, com pouco gosto ou entusiasmo em ler, levantou-se a problemática sobre o que os educadores estão propondo na escola que motivam a leitura. Na sociedade contemporânea, o cultivo à prática leitora nem sempre é prioridade, o que deveria ser essencial para o desenvolvimento humano. Portanto, esse estudo se justifica pela necessidade que as escolas têm de encontrar meios de estimular seus estudantes à prática leitora, bem como instrumentalizar os profissionais da educação para desempenharem esse papel de mediadores do conhecimento, provocando-os à mesma prática. Os educadores, como pesquisadores, precisam estar em constante aperfeiçoamento, acompanhando as transformações sociais, redescobrindo novos formatos de fomentar aprendizagem, muito em evidência com a pandemia de Covid-19, cenário em que este estudo foi realizado. Sendo imprescindível que tenhamos bons pensantes, precisaremos rever os processos de ensinagem, descobrindo a influência desses educadores no hábito de leitura dos adolescentes. O estudo tem por objetivo analisar a prática leitora do educador, sua média de leitura feita durante um ano letivo, bem como identificar as estratégias utilizadas por ele na sua prática educativa para o incentivo à leitura. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, caracterizando-se como uma pesquisa do tipo exploratória e descritiva. A coleta de dados ocorreu, a partir da aplicação de entrevista que avaliou educadores que atuam de 6º a 9º ano do Ensino Fundamental, de uma escola da Rede Privada de Ensino. Foi aplicado no período de março e abril de 2021, de forma remota e online, devido à impossibilidade de encontro presencial. Participaram da avaliação 6 educadores de diferentes componentes curriculares, com idades entre 26 e 58 anos; com tempo de serviço variando de 3 a 35 anos. O trabalho iniciou com um diálogo com o gestor da escola, seguido por uma conversa com os educadores, via Google Meet, para explanação dos objetivos do estudo e a entrega do Termo do Consentimento Livre e Esclarecido que foi lido e consentido por eles. Logo após, as entrevistas foram enviadas por meio de um Link do Google Formulário, onde foram preenchidas e enviadas aos pesquisadores. Para a análise dos dados, utilizou-se como principal aporte teórico a análise de conteúdo. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Pampa sob o número de parecer CAAE 38143820.4.0000.5323. Os resultados do estudo apontam que os educadores cultivam o próprio hábito de leitura por meio de livros, revistas, noticiários online, filmes; lendo com frequência, tanto livros informativos quanto para deleite. Um dos educadores estipula como meta uma leitura mensal, pelo menos, de um livro ou artigo, do seu gosto ou não, para manter-se um leitor ativo. Outro diz ler dois livros ao mesmo tempo, um para sua própria prática pedagógica e outro para degustar do prazer de ler. Os educadores mostram claramente a influência da família, com ambientes leitores e o papel dos educadores, na sua formação leitora. Um professor não estipulou a quantidade de livros que lê. Outro apontou a dificuldade em ler livros impressos pelo excesso de uso do computador em tempos de pandemia. Quanto à finalidade em que a leitura é realizada em sala de aula, os educadores assinalam a interpretação, tanto de textos, quanto para resolução de problemas; para pesquisa, enriquecimento do vocabulário e compreensão do componente curricular ministrado. As metodologias utilizadas pelos educadores são o conto, a dramatização nas línguas estrangeiras; propostas de discussões de textos lidos; histórias em quadrinhos. Para chamar a atenção de alunos que não gostam de ler, alguns buscam por leituras a partir das preferências de filmes ou de temas surgidos em conversas durante a aula. Os educadores associam o não gostar da leitura e a falta do hábito de ler entre os jovens, aos fatores: falta de estímulo da família; busca por respostas imediatas; uso excessivo da tecnologia e redes sociais, acentuado pelo momento de pandemia. Constatou-se por fim, que este estudo encontrou resultados positivos diante da influência leitora dos profissionais da educação na escola de atuação, podendo colaborar com a continuidade de um trabalho de resgate ou intensificação do hábito de leitura na adolescência. Se quisermos uma sociedade de qualidade, é importante que a leitura seja construtora de sentido para os adolescentes, para que assim criem expectativas, formulem suas hipóteses, solucionem problemas, construam textos e tenham atitudes com função social.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
KARINA FIGUEIREDO MACHADO, K.; VARGAS PEDROSO, L.; HELENA RODRIGUES DE FREITAS AREND, M.; MOTTA DA COSTA E SILVA, T.; DE SOUZA BALK, R. PROFESSORES, AGENTES DE MUDANÇA, NA FORMAÇÃO DO HÁBITO DE LEITURA EM ADOLESCENTES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.