ME CONTA

  • Karen Albuquerque Villela
  • Jéssica Araújo Becker
Rótulo Arte, feminismos, Violência, contra, mulher, Memórias

Resumo

O presente projeto, aqui apresentado em resultados parciais, visa, a partir da relação entre arte e feminismos, alcançar mulheres externas ao circuito da arte para colaborar com suas lutas urgentes por direitos e pela vida. Pretende-se instigar e fortalecer a denúncia dos agressores e violentadores e a superação das dores das mulheres, das memórias da violência, abrindo caminhos para a produção de subjetividades não normativas uma vez que, de acordo com dados oficiais, uma mulher é estuprada a cada 8 minutos no Brasil. Somado também à alarmante situação de subnotificação de casos denunciados segundo o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Diante destes objetivos e justificativas, a presente pesquisa utilizou como metodologia a prática artística através de diferentes procedimentos: ação, intervenção urbana, enquete virtual, performance e vídeos, e o levantamento de referenciais práticos femininos e de perspectiva decolonial. Como resultados parciais, obteve-se: A primeira ação-intervenção realizada, e que motivou esta pesquisa, chamada Me conta tua história?, que ocorreu dia 8 de Novembro de 2020, no Parque da Redenção em Porto Alegre/RS, durante o ato nacional de mulheres que se mobilizaram contra a absolvição do estuprador André de Camargo Aranha e por justiça à Mariana Ferrer e demais vítimas de estupro e abusos sexuais. Neste trabalho, fotografei mulheres e convidei a escreverem suas mensagens em 23 lambe-lambes estampados com a frase #JUSTIÇAPORMARIFERRER, que posteriormente foram colados em diversos locais da cidade. O número de lambe-lambes representa a quantidade de mulheres que provavelmente foram violadas no Brasil enquanto durou a ação. Como desdobramentos, construí duas vídeo-performances, onde na primeira leio e apago relatos de histórias de violência, que foram coletados durante esse mesmo ato, e na segunda aponto uma caixa de lápis de cor até serem consumidos por completo, na intenção de aludir às infâncias destruídas pela violência sexual. Também indo contra os feminicídios e a favor das lutas do 8M, em março deste ano realizei uma performance e ação-participativa online. A performance foi realizada com transmissão ao vivo pelas redes sociais e nela, com autorização da maioria das famílias das mulheres rememoradas, escrevo nomes de vítimas de feminicídio no meu corpo, depilo algumas partes dele e raspo o cabelo. Terminada a performance fui pra rua, para a realização do desdobramento dessa performance, onde colei 10 lambe-lambes, que foram produzidos no dia anterior através de enquete participativa online, onde eu questionava o que estaria escrito nos cartazes das pessoas que gostariam de ir ao ato do 8M se ele acontecesse presencialmente, já que o mesmo foi suspenso na cidade de Porto Alegre por conta da segunda onda da pandemia do coronavírus. A quantidade de lambe-lambes colados correspondeu ao número de casos de feminicídios que estavam confirmados até então no mês de janeiro no Rio Grande do Sul. Além desta metodologia prático-artística, a pesquisa realiza o levantamento de referências artísticas que abordam o tema central onde até o presente momento realizado, observo: a atuação de Mónica Mayer (na ação participativa work in progress El Tendedero, (1978 - atual); Beth Moysés na performance em âmbito público chamada Diluídas en Água (2016); Renata Sampaio na fotoperformance Nem um fio a menos (2018); Rubiane Maia na performance em âmbito público Ensaio de Casamento (vermelho-mulher) (2011) e Regina José Galindo no vídeo da performance em âmbito público Piel (2001). Estando a pesquisa em andamento, posso afirmar como considerações/conclusões parciais: a arte não só pode como deve abordar o tema da violência contra a mulher, com o intuito de dar visibilidade, criar consciência acerca do assunto, tirando do privado e trazendo a público narrativas de problemas individuais de modo que se perceba problemas coletivos e sociais, enraizados na sociedade patriarcal e capitalista que vivemos, e provocar reflexões para que consigamos alcançar novos caminhos e possibilidades. Pretendo ainda realizar outros trabalhos artísticos abordando aspectos teóricos e conceituais como argumentação da pesquisa. Há uma vasta produção das mulheres a ser explorada, especialmente em se tratando de arte e feminismos, a qual não tem amplo reconhecimento e divulgação, além de um histórico de apagamento ainda maior no que tange a produção de mulheres negras ou racializadas. Também trazendo dados para dar luz aos fatos e que justificam a necessidade de atenção à grave situação a que são submetidas as mulheres, hoje e historicamente.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ALBUQUERQUE VILLELA, K.; ARAÚJO BECKER, J. ME CONTA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.