CONCRETOS COM PET E BARREIRA FÍSICA EM SITUAÇÃO DE INCÊNDIO: ANÁLISE DA PERDA DE PESO

  • Alvimar Nascimento Ribeiro
  • Simone Dornelles Venquiaruto
  • Marcelo de Jesus Dias de Oliveira
Rótulo Polietileno, Tereftalato, Elevadas, temperaturas, Concreto, PET, Novos, materiais

Resumo

O descarte de resíduos que estão presentes no dia a dia e são considerados lixo, tem como destino final o meio ambiente. Alguns desses materiais demoram centenas de anos para desaparecer e durante o seu processo de deterioração podem liberar substâncias nocivas ao meio ambiente. Há alguns anos vem crescendo uma preocupação mundial com a questão do gerenciamento de resíduos urbanos gerando a busca por soluções alternativas capazes de realocar esses resíduos na cadeia de produção, como matéria prima novamente. Atualmente, o setor da construção civil é visto como um dos grandes geradores de resíduos, sendo vital que esta indústria tome para si o papel de controlar esse problema e de propor soluções. Tal situação, combinada com a futura possível escassez de alguns materiais tradicionais da construção civil, tem impulsionado alguns pesquisadores a investigar a inserção de produtos não naturais em matrizes cimentícias, como o resíduo de polietileno tereftalato (PET). No entanto, é notório que para que ocorra a validação de um novo material é necessário analisar as características do mesmo, o comportamento e as propriedades da matriz em que esse material foi inserido. Além disso, se faz necessário a investigação de todas as situações adversas que essa matriz cimentícia possa vir a ser submetida quando aplicada na construção civil, como no caso de um o incêndio, por exemplo. A literatura mostra que situações como a de um incêndio ocasionam no concreto uma perda de peso devido as modificações químicas que acontecem internamente na matriz cimentícia, tal fenômeno, modifica a homogeneidade do concreto aumentando a porosidade do material, o que por consequência prejudica as algumas propriedades da mistura, como por exemplo, a resistência a compressão. Em função do exposto, este trabalho objetiva avaliar a perda de peso de concretos confeccionados com substituição parcial da areia natural por PET submetidos a elevadas temperaturas (400°C e 600°C). Para a realização desta pesquisa foram moldados dois traços distintos. Um traço foi produzido com agregados tradicionais e com característica estrutural (25MPa) para servir como referência (T-Ref). O outro traço foi produzido de forma semelhante ao primeiro, exceto pela substituição parcial em volume de 20% da areia natural por areia de PET (T-20P). Após o processo de produção e cura dos concretos, as amostras foram divididas em dois grupos distintos. Para cada traço, parte dos corpos de prova receberam uma proteção física contra o fogo (pintura com tinta intumescente) aplicada de acordo com as recomendações do fabricante. A tinta intumescente tem a função de gerar uma barreira física através da expansão de sua película, que protege fisicamente o concreto em elevadas temperaturas, preservando provisoriamente as propriedades. Após a secagem da tinta, os concretos foram submetidos às elevadas temperaturas. Para esta etapa foi utilizado um forno elétrico Sanchis, com taxa de aquecimento de 1°C/min para cada corpo de prova de acordo com a norma RILEM TC129 MHT (2000). Os corpos de prova eram aquecidos até a temperatura de controle ser atingida, após o equipamento era desligado e as amostras passavam por um resfriamento lento. Anteriormente e posteriormente ao processo de aquecimento, as amostras eram pesadas. Os resultados mostraram que os concretos do traço T-20P apresentaram inicialmente um menor peso médio das amostras quando comparados ao traço referência (T-Ref), o que já era esperado em função da menor densidade do PET em relação a areia. Após a exposição à temperatura de 400°C a perda de peso média dos corpos de prova do traço T-20P com e sem barreira física foi de aproximadamente 4,3%. Para o traço T-Ref a redução do peso para as amostras sem barreira física e com barreira física foram de 1,53% e 1,79%, respectivamente. Para a temperatura de 600°C, a perda de peso média dos corpos de prova do traço T-20P sem barreira física foi de 6,63% e para os concretos com barreira física, de 7,19%. Para os concretos do traço T-Ref observou-se uma perda média de peso de 6,46% para as amostras com barreira física, e uma perda de 6,38%, para as amostras sem barreira física. Para melhor interpretação dos resultados foi realizado uma análise de variância (ANOVA), que mostrou que entre as variáveis independentes estudadas (barreira física, temperatura e teor de PET), somente as variáveis temperatura e teor de PET se mostraram significativas, ou seja, influenciaram a perda de peso dos concretos.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
NASCIMENTO RIBEIRO, A.; DORNELLES VENQUIARUTO, S.; DE JESUS DIAS DE OLIVEIRA, M. CONCRETOS COM PET E BARREIRA FÍSICA EM SITUAÇÃO DE INCÊNDIO: ANÁLISE DA PERDA DE PESO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.