PRODUÇÃO E OTIMIZAÇÃO DE MICROESFERAS RETRORREFLETORAS PARA APLICAÇÕES EM SINALIZAÇÃO HORIZONTAL VIÁRIA

  • Juliano Pase Neto
  • Joao Manoel Martins Marcal
  • Jacson Weber De Menezes
  • Chiara Valsecchi
  • Luis Henrique Gomez Armas
Rótulo Sinalização, viária, vidros, retrorreflexão, microesferas, premix

Resumo

A sinalização horizontal viária é um conjunto de marcas, símbolos e legendas aplicados sobre o revestimento de uma rodovia, para proporcionar condições adequadas de segurança e conforto aos usuários. É importante principalmente para o tráfego noturno, pois fornece aos usuários a delimitação das faixas de rolamento, sem as quais se torna difícil visualizar a própria pista da rodovia. Para melhorar ainda mais a visibilidade das faixas no período noturno, normalmente são aplicadas microesferas de vidro nas tintas de sinalização. Estas microesferas conferem à tinta uma retrorreflexão da luz incidente, aumentando a eficiência em termos de facilidade de visualização, tornando as condições de tráfego mais seguras. Neste sentido, este trabalho tem como objetivo a produção e otimização de microesferas para aplicações em sinalização viária horizontal considerando vidros transparentes fabricados a partir da cinza da casca do arroz. Mais especificamente, foram produzidas e otimizadas microesferas do tipo 1-B, conforme a norma ABNT NBR 16184, chamadas também de PREMIX, que possuem diâmetros entre 63 à 300 µm, sendo que quase 100% das microesferas deve estar entre 100 e 200 µm, e são incorporadas a tinta antes de sua aplicação na via. A metodologia utilizada para a produção das microesferas consistiu de: (a) moagem de cacos de vidro, sendo este produzido a partir da cinza da casca de arroz, utilizando pistilo e almofariz, o que resulta em fragmentos de vidro de dimensões micrométricas, (b) utilização de peneiras granulométricas para a faixa de interesse de diâmetros e (c) método de chama horizontal. Mais especificamente, os fragmentos de vidro foram passados em peneiras granulométricas com aberturas de 250 µm e foram retidas na peneira de 150 µm. Com os fragmentos nesta faixa granulométrica foram produzidas as microesferas considerando o método de chama horizontal. Neste método o pó de vidro é dispersado sobre a chama (com o auxílio de um funil) que, simultaneamente, eleva a temperatura das microesferas e desloca-as na horizontal, devido à pressão da chama. A chama é produzida e regulada por meio de um maçarico tendo como fonte combustível o gás GLP (1kgf/cm²) e como comburente o oxigênio (2kgf/cm²). Ao cair sobre a chama do maçarico o pó de vidro é deslocado no sentido horizontal, o que, aliado a alta temperatura da chama, faz com que ocorra o processo de esferolização. Para a caracterização da aparência quanto à forma das partículas resultantes do processo de chama horizontal, foi utilizado o microscópio óptico e foram contadas 1000 partículas para avaliar a eficiência do processo de esferolização. Os resultados mostram que a maior parte dos fragmentos se tornam esféricos, sendo que poucas partículas estão geminadas ou tomam a forma de ovoides. Estas duas últimas formas não são interessantes para a aplicação em sinalização viária uma vez que não apresentam o fenômeno da retrorreflexão. Mais especificamente, os resultados mostram as microesferas produzidas possuem um diâmetro médio de 171 µm, o que a caracterizam como microesferas do tipo I-B e 92% dos fragmentos tornam-se microesferas considerando uma única passagem dos fragmentos ao processo de chama horizontal. Segundo a norma NBR 16184, a aparência e defeitos das microesferas tipo I-B podem ter até 30% de fragmentos ovoides e geminadas. Sendo assim, do ponto de vista de aparência, é possível produzir microesferas do tipo I-B para a aplicação em sinalização viária utilizando vidros fabricados a partir da cinza da casca de arroz e o método de chama horizontal.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
PASE NETO, J.; MANOEL MARTINS MARCAL, J.; WEBER DE MENEZES, J.; VALSECCHI, C.; HENRIQUE GOMEZ ARMAS, L. PRODUÇÃO E OTIMIZAÇÃO DE MICROESFERAS RETRORREFLETORAS PARA APLICAÇÕES EM SINALIZAÇÃO HORIZONTAL VIÁRIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.