INFLUÊNCIA DA CONCENTRAÇÃO DE ÁLCALI NO ISOLAMENTO DE LIGNINA PRESENTE EM RESÍDUO DA OLIVICULTURA

  • Michaella Almeida
  • Fernanda Gubert de Souza
  • Rafaela Moura Rodrigues
  • Catarina Motta de Moura
  • Gabriela Silveira da Rosa
Rótulo material, lignocelulósico, polpação, kraft, subproduto, azeitona

Resumo

O bagaço de azeitona é um subproduto da produção de azeite que possui como constituintes sólidos, principalmente, polpa (60%) e caroço (40%). A produção de 20 L de azeite pode gerar até 80 kg de bagaço de azeitona que frequentemente é utilizado para a nutrição animal ou como combustível sólido. Entretanto, nota-se um potencial da aplicação desse subproduto em outras áreas, visto que este material, principalmente o caroço, é constituído de materiais lignocelulósicos, dentre eles a lignina. Segundo dados da literatura, a lignina representa aproximadamente 45% do bagaço oriundo da extração de azeite de oliva. As principais aplicações desse composto incluem uso em dispersantes, tintas, vernizes e na composição de alguns produtos de borracha, contudo estudos recentes buscam utilizar este material na composição de filmes biodegradáveis, visto sua resistência a ação microbiológica e a maior absorção de raios UV. Em vista da necessidade de novas aplicações do bagaço da olivicultura, considerando a sua abundância e seu baixo valor agregado, este estudo visa encontrar a melhor condição de isolamento de lignina presente no caroço que compõe o bagaço oriundo da extração do azeite de oliva. O estudo foi realizado nos laboratórios de Engenharia de Alimentos e Engenharia Química da Universidade Federal do Pampa, Campus Bagé, utilizando material cedido por uma indústria produtora de azeite da região. O bagaço de azeitona passou por secagem em estufa com temperatura de ar controlada, em seguida ocorreu a separação do bagaço em leito de jorro para a obtenção do caroço que posteriormente passou por moinho analítico obtendo diâmetro médio de 0,598 mm. O material passou por digestão a 90°C por 90 min em solução aquosa de hidróxido de sódio (NaOH) na proporção de 1:6 em 4 diferentes concentrações a fim de avaliar o comportamento do isolamento da lignina. As concentrações utilizadas foram 0,4%, 2%, 4% e 11% e, após a digestão, o material seguiu para filtração e posterior precipitação da lignina presente no filtrado, denominado de licor negro, utilizando ácido sulfúrico (H2SO4) concentrado. Após a precipitação, o material foi filtrado novamente e a lignina obtida foi seca em estufa a 40°C por 24 h. Testes preliminares apontaram que o teor de lignina no caroço do bagaço da azeitona é de, aproximadamente, 44%, em vista disso, os rendimentos do produto isolado para cada concentração de NaOH foram 2,0%, 4,8%, 9,9% e 69,1%, respectivamente. A solubilização da lignina no licor negro ocorre em razão dos grupos fenólicos do composto que permanecem ionizados em pH entre 13 e 14, ao adicionar ácido na solução os grupos fenólicos são protonados levando a precipitação da lignina, em razão disso, quanto menor o pH da solução, maior a concentração de lignina isolada. A partir dos resultados, entende-se que, maiores concentrações de NaOH facilitam a digestão da matéria-prima e liberação da lignina de modo que esta se apresente solubilizada em solução álcali podendo ser obtida através de métodos de separação como filtração e centrifugação. Portanto, conclui-se que a melhor concentração de NaOH para isolamento da lignina do bagaço oriundo da extração de azeite de oliva é 11%, pois mantém o pH do licor negro próximo a 13 oferecendo as melhores condições de extração do material lignocelulósico, possibilitando futuros estudos para aplicação do produto no desenvolvimento de novos materiais como filmes biodegradáveis de maneira a proporcionar o redirecionamento do resíduo da olivicultura.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ALMEIDA, M.; GUBERT DE SOUZA, F.; MOURA RODRIGUES, R.; MOTTA DE MOURA, C.; SILVEIRA DA ROSA, G. INFLUÊNCIA DA CONCENTRAÇÃO DE ÁLCALI NO ISOLAMENTO DE LIGNINA PRESENTE EM RESÍDUO DA OLIVICULTURA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.