MEMBRANAS DE QUITOSANA INCORPORADAS COM EXTRATO DE FOLHAS DE OLIVEIRA PARA APLICAÇÃO EM FERIDAS CUTÂNEAS

  • Larah Gondim Santos Paulino
  • Rafael Carvalho Alves
  • Gabriela Silveira Da Rosa
  • Caroline Costa Moraes
Rótulo Quitosana, Membrana, Curativo, Extrato, Folha, Oliveira

Resumo

O tecido epitelial é um dos órgãos mais ativos do corpo humano e apresenta uma alta complexidade em sua estrutura. As feridas cutâneas são originadas principalmente por meio do rompimento tecidual devido a agentes externos como lesões, cortes, queimaduras, etc, mas podem estar associadas, também, a efeitos causados por outros fatores, como no caso de feridas causadas por decúbito ou úlceras em diabéticos. A cicatrização destas feridas é um processo complexo que envolve muitas etapas e cujo sucesso depende grandemente do cuidado no tratamento. A utilização de curativos é uma das formas mais simples de se tratar esse tipo de feridas e dentre os materiais mais comumente utilizados para esta finalidade estão os polímeros de origem fóssil que, entretanto, representam um problema do ponto de vista ambiental quando descartados. Assim, o desenvolvimento de curativos cutâneos à base de biopolímeros, que proporcionem barreiras contra infecções de micro-organismos e outros agentes externos, bem como protejam a ferida contra injúria mecânica e promovam um ambiente favorável à cicatrização das lesões, tem se tornado alvo de investigações nos últimos anos. Dentre os biopolímeros tem se destacado a quitosana, um polímero natural abundante, obtido a partir da desacetilação alcalina da quitina extraída principalmente de exoesqueletos de artrópodes, como os crustáceos, e disponível como um subproduto das indústrias de processamento de alimentos como camarões e caranguejos. Além de biodegradável, a quitosana é biocompatível e não-tóxica e pode apresentar outras propriedades interessantes para aplicações na recuperação de feridas como antimicrobianas, antifúngicas e promotoras do crescimento celular. Além disso, a quitosana pode ser processada de diversas maneiras e aplicada na forma de pós, géis, filmes e membranas, etc. e incorporar em sua estrutura polimérica outros compostos que possam também favorecer a cicatrização de feridas, como compostos bioativos de origem natural. O extrato de folhas de oliveira (EFOs) é um líquido de cor escura e sabor amargo, obtido das folhas das oliveiras, que são um subproduto da produção de azeites e azeitonas de mesa e abundantes na indústria desses alimentos. Esse extrato é rico em compostos bioativos, principalmente fenólicos, com diversas propriedades tais como anti-microbianas, antifúngicas, antioxidantes, dentre outras, que o tornam uma alternativa para aplicação no tratamento de feridas cutâneas. Por tudo isso, este trabalho teve como objetivo produzir membranas à base de quitosana, incorporadas com extrato de folhas de oliveira para aplicação na recuperação de feridas cutâneas. Os EFOs foram obtidos a partir de maceração dinâmica adicionando-se 1,0 g de folhas de oliveira a 50 mL de água destilada e submetendo-se o sistema extrator a banho metabólico Dubnoff por 2h a 88 °C. As membranas foram obtidas pela metodologia de casting solubilizando-se 1,0 g de quitosana em ácido acético 1% (m/m) e agitando a solução por 3 h em agitador mecânico. Foram preparados soluções filmogênicas controle de quitosana pura (MC) e com adição de 50,0% de extrato (ME), que após solubilização do polímero foram levadas à estufa a 40 °C por 24 h, para evaporação do solvente. As membranas obtidas foram submetidas a análises de espessura, tensão na ruptura e alongamento e permeabilidade ao vapor de água (PVA). Os resultados de espessura para as membranas de controles (MC) e para membranas com extrato (ME) foram de 0,061 ± 0,002 mm e 0,067 ± 0,001 mm, respectivamente, no qual os resultados obtidos não apresentaram uma diferença significativa quando comparados. Isto pode ser em razão do baixo caráter hidrofílico do extrato que promove a menor absorção de umidade e a baixa presença de sólidos, não alterando, assim, consideravelmente a espessura da membrana. As tensões de ruptura e alongamento encontrados foram de 44,495 ± 9,953 MPa e 2,201 ± 0,512 % para o MC e 46,583 ± 14,636 MPa e 1,299 ± 0,325 % para o ME. Os resultados obtidos por ME quase dobraram quando comparados aos resultados dos MC. Podendo significar assim, que a presença do extrato formou membranas mais rígidos e com maior resistência à tração. E por fim, os resultados de PVA para as MC e para as ME foram de 1,717. 10-13 ± 9, 986.10-15 kg.m.Pa-1.s-1.m-2 e 9, 530.10-14 ± 2, 571.10-14 kg.m.Pa-1.s-1.m-2, respectivamente. Quanto às análises de PVA, os MC apresentaram valores superiores comparados ao ME. Essas respostas sugerem que a presença do extrato na membrana proporcionou uma forte interação entre as moléculas, dificultando assim a passagem do vapor de água em razão da diminuição dos espaços vazios. Diante destes resultado, concluiu-se que as membranas desenvolvidas mostraram um potencial para a aplicação como curativos em lesões cutâneas. Pretende-se, em trabalhos futuros, que mais pesquisas devem ser realizadas visando investigar o poder antioxidante e antimicrobiano do extrato, avaliando a sua eficiência na proteção como curativo cutâneo.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
GONDIM SANTOS PAULINO, L.; CARVALHO ALVES, R.; SILVEIRA DA ROSA, G.; COSTA MORAES, C. MEMBRANAS DE QUITOSANA INCORPORADAS COM EXTRATO DE FOLHAS DE OLIVEIRA PARA APLICAÇÃO EM FERIDAS CUTÂNEAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.