AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIFÚNGICA DE AMOSTRAS DE QUITOSANA SINTETIZADAS POR DIFERENTES MÉTODOS

  • Henrique Blank Tuchtenhagen
  • Adriane Röedel Hirdes
  • Gabriela Xavier Giacomini
  • Glaucia de Figueiredo Nachtigal
  • Aline Joana Rolina Wohlmuth Alves dos Santos
Rótulo Quitosana, antifúngico, Colletotrichum, gloeosporioides, ultrassom, micro-ondas

Resumo

A quitosana é um biopolímero, não tóxico, solúvel em soluções levemente ácidas, constituído por unidades β(1→4)-2-amino-2-desoxi-D-glicopiranose e β(1→4)-2-acetoamido-2-desoxi-D-glicopiranose, obtido por desacetilação da quitina oriunda, por exemplo, de crustáceos. Na estrutura da quitosana destacam-se três grupos funcionais: hidroxila primária e secundária, amina e acetamida. A quitosana está presente em formulações antimicrobianas e antifúngicas. O fungo Colletotrichum gloeosporioides afeta a produção de frutas tais com goiaba, manga e mamão, inclusive pós colheita, acarretando em prejuízos aos produtores e causando a doença chamada de antracnose. O objetivo deste trabalho foi avaliar a quitosana, em soluções filmogênicas, na inibição do crescimento fúngico e de sua esporulação. As amostras de quitosana foram sintetizadas no Laboratório de Sólidos Inorgânicos (LASIR) da UFPel ou em Laboratórios parceiros na UNIPAMPA e avaliadas em parceria com a EMBRAPA. Para as análises antifúngicas, utilizou-se linhagem de Colletotrichum gloeosporioides da coleção proveniente do controle biológico de pragas, vinculada à Embrapa Clima Temperado, com código de acesso CPACT 651. As soluções de quitosana (0,6 % m/v) sintetizada e comercial foram preparadas em ácido acético (0,25% v/v) e avaliadas in vitro. Tween 80 (0,0046 % v/v) foi adicionado como plastificante. Em cada placa de Petri, contendo o meio de cultura BDA, foram adicionados 100L da solução de quitosana, após a secagem da superfície foram inseridos discos de micélio de 5 mm de Colletotrichum gloeosporioides, os quais foram cultivados previamente. As placas foram incubadas em BDO, a 25 °C e fotoperíodo de 12h. O experimento de crescimento micelial foi acompanhado de 24h 96h. Após dezoito dias foi realizada a avaliação de esporos das placas. Foram retirados, da periferia de cada placa de Petri, três discos de micélio de 5 mm de diâmetro que foram colocados em tubos contendo 9 mL de água estéril e agitados em vórtex. A quantificação dos esporos foi avaliada em câmara de Neubauer. Para cada análise antifúngica (6 repetições) foi ajustado um modelo linear pelo método dos mínimos quadrados para o crescimento micelial, na sequência foram submetidos à análise de variância (ANOVA), utilizou-se o método de Tukey à 5% de probabilidade. Para a análise de esporulação utilizou-se o método não-paramétrico de Kruskal-Wallis. A atividade biológica da quitosana pode ser influenciada por diversos fatores como, grau de desacetilação, massa molar, tipo de microrganismo, tempo de exposição e crescimento, concentração dos reagentes, etc. A quitosana em baixa concentração pode se ligar à carga negativa da superficie do microrganismo, propiciar a saída dos componentes presentes dentro da célula. Em alta concentração, a quitosana pode atuar como barreira e impedir a transferência de íons para o microrganismo, o que pode causar a sua morte. Nos experimentos realizados as amostras não mostraram efeito na inibição crescimento dos micélios. Em relação à esporulação o melhor resultado foi evidenciado para a quitosana comercial, seguido de quitosana sintetizada com uso de radiação de micro-ondas, ultrassom e aquecimento convencional em sistema de refluxo, com 43%, 30%, 31% e 19% de inibição, respectivamente. Resultados maiores e iguais a 30% são considerados favoráveis contra a esporulação, pois podem evitar infecções pós-colheita e reinfecções. Assim, os resultados obtidos mostraram-se significantes para inibição dos esporos do fungo Colletotrichum gloeosporioides, na ação antifúngica avaliada e a metodologia de síntese mostrou-se como um diferencial na obtenção de amostras com atividade, com destaque para o uso de radiação de micro-ondas e ultrassom na síntese de quitosana.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
BLANK TUCHTENHAGEN, H.; RÖEDEL HIRDES, A.; XAVIER GIACOMINI, G.; DE FIGUEIREDO NACHTIGAL, G.; JOANA ROLINA WOHLMUTH ALVES DOS SANTOS, A. AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIFÚNGICA DE AMOSTRAS DE QUITOSANA SINTETIZADAS POR DIFERENTES MÉTODOS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.