A INIQUIDADE SOCIOEDUCACIONAL NO BRASIL EM TEMPOS DE ENSINO REMOTO

  • Gabriel Vasconcelos
  • Anayara Fantinel Pedroso
  • Deisemara Turatti Langoski
Rótulo Iniquidade, social, Covid-19, Ensino, remoto, Políticas, públicas, Acesso, educação

Resumo

No ano de 2020 a pandemia da Covid-19 abalou o mundo e proporcionou inúmeras mudanças em todo âmbito internacional, inclusive no Brasil, especialmente no que tange à adoção do distanciamento social como forma de prevenção e combate ao coronavírus, o que acarretou em alterações significativas não apenas na forma de viver, como também, de possibilitar o acesso à direitos e garantias fundamentais dos cidadãos brasileiros. Desta forma, o presente estudo objetiva compreender como o ensino remoto está sendo aplicado no Brasil, especialmente quando relacionado às escolas públicas; além de verificar se o acesso à educação está sendo garantido de forma igualitária para todos os alunos e explicitar os possíveis problemas relacionados à iniquidade social. Para tanto, é abordado acerca das consequências relacionadas à adoção do ensino remoto nas escolas públicas como forma de assegurar, excepcionalmente, o distanciamento social entre discentes, docentes, funcionários, técnicos administrativos e demais colaboradores e assim, evitar a disseminação do vírus de maneira a não paralisar por completo as aulas, o que atingiria severas consequências negativas para as gerações vigentes no ambiente escolar. Contudo, é ressaltado que as aulas, por serem on-line, acabam prejudicando os alunos pertencentes às classes sociais baixas, que não possuem acesso à internet ou a dispositivos eletrônicos, sendo estes, uma porcentagem relevante no país, o que contribui para o aumento do abismo da iniquidade social no Brasil. Partindo deste pressuposto, compreende-se a importância que traz essa problemática para que seja analisada e, a partir dela, seja possível traçar caminhos para resolução da crise social e educacional em que se depara o Brasil há mais de um ano. Esta pesquisa bibliográfica e de método dedutivo utilizou de levantamentos e revisões bibliográficas onde as fontes foram artigos, teses, dissertações e textos científicos, nos quais abordavam, especialmente, sobre a atual situação de pandemia no Brasil e como o ensino se adequou a mesma, mesmo que, trazendo consigo vários problemas de cunho estruturais a serem superados para se chegar a uma equidade de aprendizado. Com a elaboração desta pesquisa, pode-se concluir que cerca de mais de 4,3 milhões dos alunos das escolas públicas do Brasil não possuem acesso à internet, conforme demonstram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (2021). Além disso, pode-se compreender que cada Governo estadual interviu de forma a tentar reduzir as obstruções que atrapalhavam a chegada de ensino para os alunos de baixa renda, porém os resultados deixaram a desejar em todos os estados, não sendo possível assegurar o acesso ao ensino remoto de qualidade a todos os estudantes de escolas públicas. Isso porque, a medida adotada de levar aparelhos digitais e internet para os alunos que não possuíam este acesso, enfrentou problemas relacionados às falhas na internet, problemas de divulgação, dentre outras falhas técnicas. Desta forma, percebe-se a urgente necessidade de (re)pensar em políticas públicas destinadas à educação nos atuais tempos pandêmicos, de forma a diminuir as desigualdades sociais e cumprir com o estabelecido na Constituição Federal, bem como na Declaração de Direitos Humanos no que tange ao acesso à educação de qualidade enquanto direito inalienável dos indivíduos. Portanto, reconhece-se a necessidade do Estado brasileiro fornecer os subsídios necessários para possibilitar o acesso à educação de forma igualitária em tempos de ensino remoto.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
VASCONCELOS, G.; FANTINEL PEDROSO, A.; TURATTI LANGOSKI, D. A INIQUIDADE SOCIOEDUCACIONAL NO BRASIL EM TEMPOS DE ENSINO REMOTO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.