COMPORTAMENTOS PARA SUSTENTABILIDADE NO BIOMA PAMPA

  • Yuan Kuen Baltazar da Nobrega Tong
  • Valéria Garlet
  • Laércio André Gassen Balsan
  • Simone Dias Saraiva
  • Thiago Antônio Beuron
Rótulo Sustentabilidade, Comportamentos, para, Preservação

Resumo

Estudos têm apontando a relevância dos comportamentos e atitudes dos indivíduos, no que se refere à participação em iniciativas que prezem pela implementação da sustentabilidade em diferentes contextos. A sustentabilidade, enquanto ampliação do conceito de desenvolvimento sustentável, trata da preservação da vida no Planeta. Para que essa preservação realmente ocorra, é necessário que os seres humanos, enquanto agentes de transformação (positiva e negativa), incorporem hábitos de conservação do meio ambiente. Essa incorporação não é um objetivo simples; requer conscientização, esforço diário para manter práticas sustentáveis e mudanças nos comportamentos individuais e coletivos. Após a verificar o estado da arte do tema, percebeu-se a inadequação dos instrumentos de medidas de comportamentos para aplicação no contexto brasileiro. Sendo assim, foi necessária a proposição de uma Escala de Comportamentos para Sustentabilidade (ECOS). Os itens do instrumento foram resgatados da literatura, com base em uma ampla revisão nacional e internacional de autores. Como método, adotou-se uma pesquisa quantitativa, com abordagem descritiva, realizada por meio de um survey. Os resultados do levantamento foram utilizados para buscar uma validação estatística para a ECOS, sendo que a versão definitiva passou por alguns testes de estatística multivariada, perdeu alguns itens, mas apresentou-se como medida válida com índices confiáveis para sua utilização. Participaram do estudo 509 sujeitos da comunidade acadêmica da Universidade Federal do Pampa que atua em 10 cidades diferentes do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil (Alegrete, Bagé, Dom Pedrito, São Borja, São Gabriel, Itaqui, Jaguarão, Santana do Livramento, Caçapava do Sul e Uruguaiana). Desses sujeitos, 61,3% eram do sexo feminino e 38,7% do sexo masculino; em relação ao estado civil 46,6% eram casados e 44,6% solteiros. Referente à escolaridade 28,5% tem ensino superior completo e 25% ensino médio completo. Quarenta e cinco por cento (45%) dos respondentes afirmam ser pertencentes à Classe C (de R$ 2.005,00 a R$8.640,00). A maior parte dos respondentes (53,8%) é discente da instituição, seguido de 26,9% dos técnico-administrativos em educação e 19,3% de docentes. A primeira versão do instrumento foi composta por 59 itens distribuídos para avaliação dos seguintes fatores teóricos: Desperdício (14 itens), resíduos (15 itens), preocupação com o meio ambiente (15 itens) e consumo consciente (15 itens). Após a etapa de análise pelos especialistas na área, continuou-se o processo de validação do instrumento, com um pré-teste aplicado a mais 15 sujeitos. Após essa etapa verificou-se que não havia mais necessidades de mudança no instrumento. Completada essa etapa, o instrumento ficou constituído por 49 itens restantes. Para a medição dos itens foi utilizada uma escala do tipo Likert de 5 pontos, onde a atribuição do número 1 representa Discordo Totalmente e o número 5, Concordo Totalmente. Da escala pré-testada, composta por 49 itens, divididos teoricamente em cinco fatores restaram 10 itens divididos em três fatores. Quanto à AFC, os resultados apoiam AFE, no entanto não confirmaram a estrutura composta por cinco fatores como imaginado pelos autores desses estudos e pelos especialistas na área convidados. Desses, apenas três compuseram o modelo: Fator 1 (Consumo consciente), Fator 2 (Preocupação com o meio ambiente) e Fator 3 (Desperdício). Os índices de ajuste observados se demonstraram apropriados e os itens apresentaram carga fatorial acima de 0,75 com comunalidades superiores a 0,75. Somado a isso, obteve-se níveis adequados de consistência interna dos fatores: Consumo consciente (α = 0,85), Preocupação com o meio ambiente (α = 0,86) e Desperdício (α = 0,80). Os resultados obtidos indicam que a ECOS é uma ferramenta válida, compreensível e com conceitos que apresentam evidência de consistência interna. Sua utilização pode subsidiar novas pesquisas utilizando as medidas de comportamentos para a sustentabilidade e suas relações com outros constructos.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
KUEN BALTAZAR DA NOBREGA TONG, Y.; GARLET, V.; ANDRÉ GASSEN BALSAN, L.; DIAS SARAIVA, S.; ANTÔNIO BEURON, T. COMPORTAMENTOS PARA SUSTENTABILIDADE NO BIOMA PAMPA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.