UMA ANÁLISE SOBRE A FISIOCRACIA

  • João Vítor Leonardi
  • Agnes Martins Marques
  • Fernando Silva Santor
Rótulo Fisiocracia, Economia, Laissez-faire

Resumo

O presente resumo faz parte de um recorte do Projeto de Pesquisa (Re)pensar a Economia, no qual procuramos compreender os diferentes aspectos que permitiram à Economia se consolidar como Ciência Social. Partindo das principais escolas do pensamento econômico, este trabalho faz um recorte com foco na reflexão sobre a Fisiocracia. Tal escola surgiu na França e contribuiu com alguns fundamentos que perduram até a atualidade. Para desenvolvermos este trabalho foi feita uma revisão bibliográfica, buscando informações através de livros e artigos científicos. Alguns dos principais autores com os quais trabalhamos foram: Stanley Brue (2006) e Hunt e Lautzenheiser (2013). No séc. XVIII, a França ainda vivia sob um sistema feudal extremamente rígido, cuja hegemonia estava sendo tomada pelas ideias baseadas no mercantilismo. Alguns proprietários de terras eram contrários às leis absurdas que o povo devia seguir, principalmente os camponeses, pois qualquer taxa, imposto e tarifas eram-lhes cobradas, deixando de fora o clero e a nobreza. Esses personagens, que por acaso eram críticos e escritores e que, posteriormente, foram reconhecidos como economistas (ou de um pensamento pré-econômico), decidiram unir suas ideias como uma resposta a esse sistema mercantilista, originando assim a escola da fisiocracia. O famoso trabalho de François Quesnay, Tableau économique, criado para o rei da França Luís XVI, em 1758 e revisado em 1766, mostrou o fluxo circular de bens e dinheiro em uma economia ideal e livremente competitiva na sociedade da época. Partindo disso, o conceito fisiocrático começa a se difundir. O próprio termo fisiocracia, originado da língua grega, significa regra ou governo da natureza, algo que os fisiocratas queriam agregar como regras à sociedade. Os fisiocratas proclamaram uma ênfase na agricultura, classificando outros meios de produção como estéreis, já que a agricultura gerava um produto líquido acima do valor dos recursos usados durante a produção. Com a produção em grande escala da agricultura, o proprietário da terra recebia mais rendimentos, e por isso os fisiocratas pretendiam exercer uma taxa única sobre ele, ao invés das várias cobradas pelo rei. Com essas propostas, os fisiocratas centravam os camponeses para serem beneficiados via redistribuição e abolição de trabalhos não pagos. Um dos nossos pontos de interesse na teoria fisiocrata é entender como a expressão Laissez-faire, laissez-passer(deixe fazer, deixe passar) e como influenciou o pensamento econômico. Essa expressão era usada com o propósito de apresentar as pessoas como livres, sem interferência do governo. Essa expressão foi impulsionada pelos fisiocratas, de modo que foi adotada mais tarde por Adam Smith. Os fisiocratas se opunham a qualquer interferência do governo na economia além do básico, e também eram contra as ideias mercantilistas e feudais, sendo favoráveis à liberdade do comércio interno e o livre-comércio externo. Ao defender o Laissez-faire, os fisiocratas acabaram por defender a indústria, que definitivamente não era o que eles tinham como foco. Seu ponto principal era um comércio de grãos mais aberto e incentivo à exportação de produtos agrícolas, sendo que, na visão dos fisiocratas, nada era mais importante do que a terra e a produção de grãos. Mas com o progresso da indústria e comércio da França, eles foram se mostrando cada vez mais úteis para a economia, contrariando as ideias fisiocráticas. Os pensamentos desenvolvidos na escola fisiocrática, através do Tableau économique de Quesnay, deram origem futuramente a novas vertentes econômicas. Suas ideias sobre circulação de bens e as novas leis de importação e exportação contribuíram para o pensamento econômico de diversas escolas. Desse modo, alguns elementos da fisiocracia ainda estão presentes na economia atual. A teoria do Laissez-faire ajudou o economista Adam Smith a desenvolver sua teoria da mão invisível do mercado, que é a força que rege as leis econômicas que o estado, na visão do capital, não deveria alcançar.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
VÍTOR LEONARDI, J.; MARTINS MARQUES, A.; SILVA SANTOR, F. UMA ANÁLISE SOBRE A FISIOCRACIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.