ELEMENTOS DO MERCANTILISMO NA FORMAÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO

  • Gabriel Ricciardi
  • Jéssica Ferreira da Rosa Martinez
  • Caroline Antonioli
  • Fernando Silva Santor
Rótulo Mercantilismo, Economia, Teoria, Clássica, Informação

Resumo

O trabalho trata-se de um recorte do Projeto de Pesquisa Re-pensar a Economia sob a perspectiva da responsabilidade metaética, vinculado ao Grupo de Pesquisa t3xto da Unipampa, campus São Borja. Tal recorte refere-se à primeira etapa da pesquisa, na qual busca-se compreender as origens do pensamento econômico. Portanto, a partir de um resgate sócio-histórico, o trabalho buscou compreender como o mercantilismo e o desenvolvimento e acesso à informação influenciaram o pensamento econômico. Para tal, foi utilizada a metodologia de revisão bibliográfica, com ênfase nos seguintes autores: Araújo (2014), Barbero (2007), Bobsin (2005), Burke e Briggs (2004), Brue (2006), Hunt e Lautzenheiser (2013), Kanaan (2018) e Nunes (2005). Destacam-se importantes contribuições do pensamento mercantilista e das três principais instituições (Igreja Católica, Protestantismo e Estados-Nação) para a estrutura econômica que moldou-se a partir deste período. A fim de otimizar a apresentação da análise, as reflexões foram organizadas a partir da estrutura hierárquica que segue. Traçou-se um percurso sobre as principais influências políticas, econômicas e sociais, das instituições supracitadas. No segundo momento, analisou-se seu impacto nos Estados-Nação e como estes se estruturaram de forma a tornarem-se grandes potências. Por fim, concentrou-se especificamente na Inglaterra, para compreender como estes processos impactaram sua organização e fizeram com que se destacasse dos demais Estados. Neste percurso, são destacados elementos que tiveram reflexo na Teoria Econômica Clássica. Uma íntima relação entre questões morais e político-econômicas estabeleceu suas bases no período feudal, quando o império Carolíngio articulou-se com a Igreja Católica e concedeu a ela diversos privilégios políticos. A Igreja passou a agir em questões alheias à espiritualidade, ampliando sua influência no âmbito político, econômico e social em aspectos como a burocratização dos processos, a mundialização dos mercados e uma visão paternalista destes segmentos. Com a expansão da relação entre clero e política, a Igreja começou a expandir suas próprias riquezas e ampliar seu controle sobre a vida cristã, mas começou a ser vista como contraditória por uma parcela de seus seguidores, o que acarretou em movimentos contrários, culminando na Reforma Protestante - tendo como destaque nomes como Martinho Lutero e, posteriormente, João Calvino. O movimento calvinista buscava uma moral econômica distinta da moral espiritual, onde o homem adquiria sua realização pessoal com o trabalho e a economia rompia seu vínculo direto com o divino. Ainda, o movimento defendeu a autonomia da consciência individual frente à ideia de julgamento da Igreja, que antes era a encarregada de validar ou reprovar os sentimentos, ideias e ações particulares, o que impulsiona o sentimento de liberdade individual. O calvinismo também via grande relevância no acesso à informação, onde a tradução da Bíblia para diversos idiomas proporcionava um sentimento de independência, pois não era mais necessário depender da Igreja para ter acesso aos escritos bíblicos. A tradução destes livros englobava as mais diversas línguas vernaculares, o que fortaleceu o sentimento de pertencimento e nacionalismo. Esta forte ligação entre os indivíduos e suas localidades foi uma das forças motrizes da expansão de potências nacionais, os chamados Estados-Nação. O nacionalismo foi um elemento central para que os governos destes Estados buscassem, a partir da retomada das estratégias burocráticas da Igreja Católica, formas de beneficiar seus países em busca de uma soberania nacional. Através do desenvolvimento de leis para proteção de ouro, prata e dos próprios indivíduos, buscaram criar em sua população a ideia de que o trabalho individual seria um fator determinante para o desenvolvimento da nação. Na Inglaterra, o mercantilismo atingiu seu apogeu e a expansão econômica deu-se a partir do comércio externo e o desenvolvimento da ideia de balança comercial. Esta nação foi capaz de utilizar métodos divergentes aos adotados pelos demais países, garantindo seu desenvolvimento econômico de forma mais efetiva. Salienta-se que a Inglaterra foi a pioneira nos processos sócio-político-históricos, o que sugere a necessidade de transformações sociais específicas para estabelecer uma política econômica que, de fato, os favorecesse e que fosse capaz de ser aplicada em suas colônias. Concluiu-se portanto que os fatores que são tidos como características globais do mercantilismo dizem respeito ao que ocorreu especificamente no mercantilismo inglês. E os reflexos destes aspectos podem ser percebidos como contribuições para o pensamento econômico, em especial para a Teoria Clássica. Percebe-se, a partir da consulta bibliográfica, a forte presença do militarismo, que esteve relacionado a essas instituições. Cabe, portanto, analisar suas relações com o desenvolvimento do pensamento econômico, questão a ser analisada em trabalhos futuros.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
RICCIARDI, G.; FERREIRA DA ROSA MARTINEZ, J.; ANTONIOLI, C.; SILVA SANTOR, F. ELEMENTOS DO MERCANTILISMO NA FORMAÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.