PADRÃO DE ESPECIALIZAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES DO URUGUAI

  • Camila dos Santos Pinto
  • Mygre Lopes Da Silva
Rótulo Comércio, internacional, Uruguai, Indicadores, Competitividade

Resumo

O Uruguai apresentou, em 2017, a terceira maior renda per capita da América Latina, apesar de sua pequena dimensão territorial. No que diz respeito ao comércio exterior uruguaio, a partir de 1999, com o distanciamento dos membros do Mercosul, coube ao Uruguai rever a sua política externa e contar com outros parceiros comerciais extrabloco, como os Estados Unidos e China. De forma geral, a especialização comercial do Uruguai tem sido descrita como baseada em produtos agroindustriais, cujos principais setores exportadores são os de carne bovina, lácteos, de soja, arroz e madeira. Assim, sugere-se que não há posicionamento comercial vantajoso para o país, uma vez que importa produtos de maior valor agregado do que exporta. Desta forma, esta pesquisa tem como objetivo analisar o padrão de especialização das exportações do Uruguai no período 2005 a 2018. Especificamente, pretende-se analisar o padrão de especialização das exportações uruguaias, a composição da pauta exportadora e os principais parceiros comerciais. Para tal, foram empregados três indicadores de competitividade: Taxa de Cobertura das importações (TC), que identifica a existência de vantagem comparativa em termos de cobertura das exportações; Índice de Comércio Intraindústria (CII), o qual consiste na mensuração da exportação e importação simultânea de produtos do mesmo setor e; Índice de Concentração Setorial das Exportações (ICS), o qual quantifica a concentração das exportações de cada setor exportador realizadas pelo país analisado. Os dados analisados possuem periodicidade anual, coletados a partir do United Nations International Trade Statistics Database (UN Comtrade). Os dados são relativos às importações e exportações desagregadas do Uruguai, seguindo o padrão da literatura empírica da área. Os códigos utilizados para cada categoria de produto estão de acordo com a Standard International Trade Classification (SITC) desagregada a três dígitos (revisão 2). A partir dos indicadores analisados, sugere-se que o padrão de comércio internacional uruguaio é baseado em vantagens comparativas identificadas nos setores produtores de produtos primários ou manufaturados de base agrícola, com destaque para carnes, produtos lácteos e madeiras pouco processadas. Essa foi a categoria de produtos que apresentou maior taxa de cobertura das importações, com uma média de 2,06. Os produtos primários são os mais competitivos da economia uruguaia no período analisado. Da mesma forma, o comércio intraindustrial uruguaio se restringe aos setores de baixa intensidade tecnológica. Em 2018, os principais produtos primários importados foram petróleo bruto; carne fresca, refrigerada e congelada, alimentos para animais e milho não moído. De forma agregada, o índice CII indica que o Uruguai exporta e importa produtos de diferentes categorias, caracterizando-se como importador de produtos de maior intensidade tecnológica e exportador de produtos básicos e de baixa intensidade tecnológica. A tendência identificada para o CII é decrescente, indicando maior especialização produtiva também observada no ICS. Com relação aos parceiros comerciais, o peso relativo das exportações destinadas à União Europeia e aos Estados Unidos se reduziu, com crescimento das exportações destinadas à Ásia. Já a pauta de exportações não se alterou de maneira significativa no período analisado. Assim, pode-se caracterizar o padrão de especialização das exportações uruguaias como pouco diversificado e sofisticado, correspondendo ao papel de produtor e exportador de alimentos e matérias-primas na divisão internacional do trabalho.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DOS SANTOS PINTO, C.; LOPES DA SILVA, M. PADRÃO DE ESPECIALIZAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES DO URUGUAI. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.