DEMOCRACIA E MÍDIAS DIGITAIS

  • Mylenna Machado Barcelos
  • Jaqueline Carvalho Quadrado
Rótulo INTOLERÂNCIA, DISCURSOS, DE, ÓDIO, DEMOCRACIA

Resumo

O uso intensivo da internet e das redes sociais digitais está contribuindo para a formação de perfis de atuação política, econômica, social, cultural, marcados pela intolerância e pelo radicalismo. Diariamente, surgem polêmicas e debates nas redes cujos participantes parecem tomados por uma fúria cega contra toda e qualquer opinião divergente. Há uma relação direta entre esse tipo de comportamento e a racionalidade dos algoritmos, responsáveis pela distribuição e organização de dados nas redes sociais. As redes sociais digitais, em sua configuração particular, explicitaram a emergência de produção e de circulação de enunciados de protesto (contrapalavra), portanto, situações de enfrentamento, lutas políticas e ideológicas. Objetiva-se mostrar e analisar em que medida se constroem os discursos de ódio e intolerantes (racistas, fascistas, separatistas, puristas, etc), nas redes sociais digitais, que procedimentos e estratégias são usados nessa construção, em que quadro de valores (ou em que formação ideológica) se inserem, e finalmente a radicalização desses discursos como um risco frente ao estado democrático de direito. A pesquisa se configura como de abordagem qualitativa e tem caráter exploratório, visto que busca mapear como a temática ódio e intolerância está posta nas redes sociais digitais. Se utiliza de pesquisa bibliográfica a respeito das redes e mídias sociais, e pesquisa documental em redes sociais digitais, que apresentem dados, análises e proposições sobre o tema. A análise do material foi realizada por meio da análise de conteúdo. Principais resultados: na internet o fluxo de informações é contínuo, ininterrupto. Logo, se temos um fluxo permanente e se as informações que recebemos são filtradas, então a consequência é que teremos diante de nossos olhos, em pouco tempo, um volume imenso de informações sobre um mesmo assunto. No caso de uma mesma opinião, o efeito será o de consolidar uma visão de que está todo mundo falando isso. Alia-se a esse fato, a recepção de um grande volume de informação a respeito de um mesmo tema termina por gerar uma sensação de urgência em relação a determinadas questões. Então, quando as pessoas são levadas a participar de alguma polêmica, muitas vezes adotam um comportamento explosivo, replicando informações em grande quantidade em suas próprias redes, contribuindo para o sentimento coletivo de urgência e eliminando o tempo da reflexão. E como os filtros agem mecanicamente retirando boa parte do conteúdo contrário, o resultado pode ser o estabelecimento de um consenso artificial e perigoso. Ainda temos os memes e virais que podem incidir sobremaneira sobre a formação de falsos consensos e disseminação de mentiras e boatos na rede. De fato, é nas redes sociais digitais, a incidência maior de discursos odiosos, e desponta no Facebook, segundo o Dossiê da Intolerância do site Comunica Que Muda (CQM). De acordo com o CQM, no ciberespaço são dez as principais formas mais evidenciadas: Aparência, Classe social, Deficiência, Homofobia, Misoginia, Política, Idade/geração, Racismo, Religiosa e Xenofobia. As semelhanças com os modelos fascistas de Estado também são muitas, uma vez que o autoritarismo que os caracteriza promove a perseguição, o preconceito com aqueles que não se alinham ao tipo idealizado imposto e a construção de dogmas pautados no senso comum. O discurso do ódio, atualmente amplificado pelas redes sociais digitais, ganha projeção a partir da ação de haters speech. Os haters speech são sujeitos que propagam mensagens preconceituosas, geralmente contra as minorias sociais tendo como base o racismo, as diferenças religiosas, étnicas ou de nacionalidade. A distinção do ponto de vista conceitual circunscreve o fenômeno em hate speech in form e hate speech in substance. Como hate speech in form podemos classificar aquelas manifestações odiosas, ao passo que o hate speech in substance se refere à modalidade velada do discurso do ódio. O discurso do ódio é a prática social que reutiliza da linguagem e da comunicação para promover violência aos grupos, classes e categorias, ou ainda, a sujeitos que pertencem a estas coletividades, sendo algo que pode estar relacionado ao desrespeito à diferença e à identidade. Nas redes sociais digitais, este tipo de discurso realiza-se pautado em estereótipos e estigmas sociais como se fosse uma disputa na qual quanto mais odioso o discurso, mais aceito e prestigiado é o emissor por grupos de pessoas que compartilham de suas ideias. Parece haver um ganho para quem incita ódio nas redes sociais, e este ganho é a visibilidade, popularidade, reputação e influência. Tais fatores estão ligados a questões de pertencimento ao grupo ou afirmação de identidade. Conclusão: Se o ódio irrompe no seio da sociedade civilizada em seu estágio tecnológico e, em nossa época, no ápice de tecnologia que é o digital, é porque, de algum modo, ele é parte dessa sociedade.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
MACHADO BARCELOS, M.; CARVALHO QUADRADO, J. DEMOCRACIA E MÍDIAS DIGITAIS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.