AS DESIGUALDADES SOCIAIS EM TEMPOS DE PANDEMIA

  • Maria Julia Rodrigues Moreira
  • Monique Soares Vieira
  • Simone Barros de Oliveira
Rótulo Desigualdades, Sociais, Pandemia, Intersecção

Resumo

O presente trabalho problematiza como a pandemia de Covid-19 juntamente com a necropolítica à brasileira, democratizaram o poder de morte das vidas supérfluas ao capital. A partir de levantamento documental, foi possível verificar que a crise sanitária se agrava no Brasil, uma vez que o país encontra-se num momento de profunda tensão político-jurídica de caráter autoritário, intensificada pela adoção de medidas neoliberais que arrefeceram os direitos sociais O novo coronavírus, evidencia os limites e as contradições do capitalismo e expõe a perversidade que centra a sua reprodução: a obtenção de lucros e acumulação de riquezas em detrimento da exploração e morte de trabalhadoras/es. A pobreza, a fome, a falta de moradia e as condições precárias de trabalho são apenas alguns dos percalços aos quais os trabalhadores, sobretudo, aqueles afetados pelo eixo de intersecção de gênero, raça e classe, foram submetidos. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2021) as populações mais vulneráveis pelas desigualdades associadas a sexo, raça e idade foram aquelas que mais sofreram durante a pandemia no que se refere ao mercado de trabalho. Com base nos dados do Pnad, levantados no primeiro e segundo trimestre de 2020, houve uma redução na ocupação dos postos de trabalhos das mulheres de 46,2% em 2019 para 39,7% durante a pandemia. Quando se trata de grupos racializados, o desemprego e a redução na entrada de negros/as no mercado de trabalho chegaram a variar em 10% em comparação aos anos anteriores a pandemia, chegando ao número de 8,1 milhões de negros e negras em situação vulnerável de renda e moradia, no ápice da pandemia em 2020. Quando se trata das mulheres negras, os números chegam a 887 mil trabalhadoras com carteira, 620 mil sem carteira, 886 mil trabalhadoras domésticas e 875 mil trabalhadoras por conta própria perderam o emprego entrando em vulnerabilidade econômica. Ainda de acordo com o Pnad (2020), as trabalhadoras domésticas são a grande maioria em situação de trabalho precário, onde 70% não possuem carteira assinada, fato que dificulta a fiscalização. Essas trabalhadoras foram expostas, dessa forma, a condições precárias de trabalho e ao risco de contágio, principalmente, pelo meio de transporte e pelo não fornecimento de equipamento de proteção, como álcool, luvas e máscaras. Outro fator preocupante referente às desigualdades sociais em tempo de pandemia é a evasão escolar. Dados de uma pesquisa do Instituto Unibanco e do Porvir realizada em 2020, expõem que evasão foi consideravelmente maior entre os alunos negros. Inúmeros fatores podem ter contribuído para esta realidade, dentre elas a despreparo e a omissão do governo federal diante a gravidade da pandemia que somados a um sistema que historicamente exclui e desassiste os jovens negros, acaba por corroborar como apontado pela pesquisa, para que haja uma diferença no perfil dos jovens que estão dentro e fora da educação básica. Os dados da pesquisa Unibanco e Porvir (2020) revelam que do total da população entre 15 e 17 anos que estão sem estudar, 19% já completaram o Ensino Médio, dentre esses, 28% são brancos e apenas 15% são negros. De encontro a esse fator, dados do Ipea (2020) apontam que entre os trabalhadores jovens (18 a 24 anos) somam-se a 4,1% inativos, sendo os desempregados aqueles com menor grau de escolaridade. É sabido que as dimensões desiguais de poder e privilégio se sobrepõem umas às outras, definindo a trajetória individual e coletiva. Sendo assim, condições precárias, historicamente condicionadas, tendem a - como a pesquisa demonstrou - piorar ainda mais em época de crise. O nível das respostas de enfrentamento às consequências sociais da pandemia não se dará de forma disruptiva à sua reprodução do capital. Ao contrário, chancelarão os fundamentos do individualismo e da competição, recriando novas formas de exploração e dominação.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
JULIA RODRIGUES MOREIRA, M.; SOARES VIEIRA, M.; BARROS DE OLIVEIRA, S. AS DESIGUALDADES SOCIAIS EM TEMPOS DE PANDEMIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.