A ATUAÇÃO DOS MILITARES COMO POLÍTICOS ATIVOS E A RELAÇÃO COM A EXCLUSÃO DE JOÃO GOULART DA POLÍTICA

  • Dilossane Vargas da Silva
  • Adriana Hartemink Cantini
Rótulo João, Goulart, Militares, Poder, Política

Resumo

Os militares durante o segundo governo Getúlio Vargas (1951-1954), participaram intensamente das discussões sociopolíticas do país, além de mobilizarem a categoria, integravam grupos de discussões em torno do monopólio do petróleo, das eleições do clube militar e principalmente da articulação política visando à saída de João Goulart do Ministério do Trabalho em 1954, e à deposição de Getúlio Vargas do poder. Qual a relação da atuação dos militares nos bastidores da política com a deposição de João Goulart da política brasileira? A conspiração golpista refletia-se no comportamento do grupo denominado ala golpista integrante da Escola Superior de Guerra, nos constantes ataques às ações políticas do governo brasileiro, principalmente pelo intensivo combate às práticas populistas e demagógicas atribuídas a João Goulart, além da ameaça do comunismo que rondava as instituições brasileiras. O grupo de militares coronéis posicionava-se contrário ao aumento do salário mínimo, o que se justificava por representar ameaça ao status e à superioridade militar em comparação a um cidadão comum, visto que o trabalhador sem qualificação passaria a ganhar quase o mesmo que um cidadão de nível universitário. Significava, portanto, perder posição social, o que atemorizava parte da classe média, principalmente aos militares. Tornava-se inaceitável, naquele momento, que os superiores se igualassem a um trabalhador não qualificado, por constituírem classe portadora do conhecimento e detentora da responsabilidade da segurança nacional. O objetivo desta pesquisa reside em interpretar a atuação dos militares como atores políticos ativos durante o segundo governo Vargas e a influência direta na deposição do presidente João Goulart em 1964, para assumirem o comando do país. A metodologia para o desenvolvimento deste estudo baseou-se em pesquisa bibliográfica e em sites oficiais específicos sobre a história política brasileira, como Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Fundação Getúlio Vargas, e visitas ao acervo histórico do Museu Hipólito José da Costa, Casa Memorial João Goulart e Museu Getúlio Vargas. Apurou-se que além do discurso dos militares sempre voltado à defesa e garantia da soberania nacional, os militares também conquistaram espaço e status na sociedade, pois faziam parte da elite; assim, combatiam severamente a doutrina trabalhista por se sentirem ameaçados no poder conquistado com a ascensão das camadas populares. Pelo alto grau de autonomia que detinham e, principalmente, por acompanharem e estudarem o contexto sociopolítico e estratégias de comando, pode-se afirmar que esses atores políticos agiam por interesses próprios, em defesa de ideias e de um comando para um país extremamente militar. Ao interpretar o contexto em que João Goulart atuou como ministro do Trabalho, explica-se uma lacuna na historiografia brasileira sobre a sua saída do Ministério do Trabalho, visto que os fatos revelam que o pedido de demissão do ministro foi consequência da articulação política da oposição getulista. Goulart foi golpeado por ser considerado discípulo de Vargas, defender a participação das classes populares na política e seguir a ideologia do trabalhismo, preocupando-se em proporcionar direitos sociais e econômicos ao trabalhador brasileiro Os militares atuaram como políticos ativos durante o segundo governo Vargas 1951-1954 e influenciaram diretamente a destituição de João Goulart da pasta do Ministério do Trabalho e através da mesma estratégia política, de defender a nação, os políticos fardados extinguiram João Goulart da política e de sua pátria, uma vez, que o mesmo foi deposto da presidência da República em 1964, e impedido de retornar ao seu país com vida.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
VARGAS DA SILVA, D.; HARTEMINK CANTINI, A. A ATUAÇÃO DOS MILITARES COMO POLÍTICOS ATIVOS E A RELAÇÃO COM A EXCLUSÃO DE JOÃO GOULART DA POLÍTICA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.