A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, AS MULHERES E O GÊNERO: A QUE PÉ ANDA ESSA RELAÇÃO?

  • Diênifer Alves Ramos da Rosa
  • Tamires Ferreira Soares
  • Lisiane Sias Manke
Rótulo História, Educação, Pesquisa, ASPHE, Mulheres, Gênero

Resumo

As mulheres professoras têm presença majoritária dentro das salas de aula das escolas de todo o Brasil, essa realidade é confirmada por dados extraídos de diversas edições do Censo da Educação Básica. Para ser mais exata, em 2018, cerca de 81% eram mulheres, de raça/cor branca e 25,2% parda, e que se dedicam, prioritariamente, ao ensino nos anos iniciais. Números como este têm gerado diversas discussões e dado origem a distintos estudos sobre temas diversos. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo analisar as pesquisas e iniciativas de discutir o tema das mulheres e do gênero na comunidade de pesquisadores em História da Educação no estado do Rio Grande do Sul (2010-2019), através da Associação Sul-Rio-Grandense de Pesquisadores em História da Educação (ASPHE). A importância em discutir esse tema se justifica no princípio de que é impossível estudar a docência desvinculada das relações de gênero, conforme menciona Ferreira em artigo publicado na revista Cadernos de Pesquisa em 2004. Lógica que estendo aqui para as mulheres e o gênero de modo geral. Para responder ao objetivo, as fontes analisadas foram os anais das últimas dez edições dos Encontros da instituição (2010-2019). A entidade foi criada em 1995 com o intuito de contribuir para o desenvolvimento e divulgação de estudos acerca da história da educação, especialmente aqueles que têm relação com o estado do Rio Grande do Sul. Um dos marcos de sua história foi a idealização da Revista História da Educação (RHE), em 1997, sendo esta a primeira revista brasileira especializada no gênero. Além disso, a partir deste mesmo ano a Associação passou a realizar encontros anuais com o intuito de reunir pesquisadores da área e com uma programação voltada para a divulgação de estudos. Entre as atividades estão palestras, minicursos, mesas redondas, lançamento de livros e apresentações de comunicações orais, além de uma assembléia geral com membros da entidade. Sendo assim, a metodologia utilizada foi a quantitativa e o processo de coleta de dados consistiu em visitar o site do Repositório Digital Tatu, mais especificamente a aba Anais da Asphe, onde tanto a programação como os trabalhos aceitos foram analisados. Assim seria possível observar a quantidade de iniciativas por parte da própria instituição, bem como o interesse do restante da comunidade. Deste modo, com relação a programação foi constatado que esta gira demasiadamente em função do tema central do Encontro de determinado ano. E por isso, das dez edições analisadas, apenas a do 23º Encontro - com tema Gênero e Memória: Mulheres na/da História da Educação - realizado no ano de 2017, contou com parte de sua programação dedicada à discussão dos dois temas aqui analisados. Entre elas estão uma oficina e uma palestra que abordaram tanto a temática das mulheres como a do gênero. Já com relação aos trabalhos aceitos, é importante destacar que, em média, os Encontros receberam cerca de 73 trabalhos, dos quais aproximadamente 10 eram sobre alguma das duas temáticas. Diante da quantidade de temas inseridos dentro do campo da História da Educação, assim como da especificidade dos temas de cada Encontro, este é um número considerável, chegando a um percentual médio de pouco mais de 13%. É importante destacar que aqueles sobre gênero são minoria, e os que tratam sobre as mulheres, a maioria. No entanto, com relação às pesquisas sobre as mulheres, foi possível perceber que o foco está em pessoas específicas, geralmente professoras de uma determinada corrente religiosa ou localidade, e não a mulheres ou professoras de modo geral. Tendo dito isso, vale ressaltar que, como se pode imaginar, foi também no 23º Encontro, que se concentrou o maior número de trabalhos aceitos sobre ambas as temáticas: de um total de 63 trabalhos, 26 discutiram assuntos relacionados às mulheres ou ao gênero. Para se ter uma ideia, a média com relação às demais edições é 8 trabalhos. No entanto, ao lançar um olhar sobre o macro, ou seja, o número total de trabalhos aceitos em cada Encontro, o 23º foi o que teve o menor número total de trabalhos aceitos em relação às demais edições. Este foi um elemento que chamou atenção durante o processo de análise de dados, no entanto, no momento me parece que não há como fazer qualquer tipo de interpretação sobre o significado deste número sem cair em especulações. Por isso, para finalizar, é fundamental ressaltar a importância da ASPHE como um espaço privilegiado para a discussão de assuntos relativos à História da Educação. No entanto, foi possível observar que ainda que haja interesse considerável por parte dos pesquisadores - especialmente no que diz respeito às mulheres - a resposta da instituição no que diz respeito ao tema das atividades nas edições de seus Encontros ainda deixa a desejar. Deste modo, se espera que este trabalho sirva para iniciar uma reflexão com relação ao que significa discutir temas relativos à Educação, ou a História da Educação, sem contemplar as mulheres e o gênero.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ALVES RAMOS DA ROSA, D.; FERREIRA SOARES, T.; SIAS MANKE, L. A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, AS MULHERES E O GÊNERO: A QUE PÉ ANDA ESSA RELAÇÃO?. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.