DOCÊNCIA E ASSOCIATIVISMO EM PELOTAS NA ERA VARGAS (1930-1945)

  • Tamires Ferreira Soares
  • Diênifer Alves Ramos da Rosa
  • Jonas Moreira Vargas
Rótulo História, Social, Liderança, Docente, Getúlio, Vargas, Pelotas/RS

Resumo

A política nacionalista do governo de Getúlio Vargas compreendia a educação como solução para a modernização da população. Sendo assim, o Estado atuou de forma autoritária em diversos aspectos, com destaque para a política educacional, onde os professores passavam a ser vigiados e estavam sujeitos a intensas investigações e vistorias em suas práticas de trabalho. Muitos professores foram cassados e presos nesta época.Especialistas sobre a temática (GOMES,1994), (ARRIADA,2014), (TAMBARA; CARDOSO, 2010) e (PERES, CARDOSO, 2004) indicam que a classe docente não se manteve passiva e desde 1920, os professores reuniam-se em associações de classe manifestando-se politicamente.Em 1925, foi fundada a Associação Brasileira de Educação (ABE) no Rio de Janeiro, posteriormente, instituiu na cidade de Pelotas a Seção Pelotense da Associação Brasileira de Educação (SPABE) em 1926. Em 1928, com o propósito de expandir as discussões políticas e atender as reivindicações da classe docente constitui-se a Associação Sul Rio-Grandense de Professores (ASRP) e mais tarde, o professorado católico edifica Associação Católica de Professores e Ação Social (ACPAS) em 1933. As associações de 1928 e 1933 possuíam em seu estatuto a defesa da classe docente, entretanto, ACPAS tinha interesse particular na formação de professores em uma doutrina católica.Em relação aos trabalhos acadêmicos produzidos sobre a temática, conseguimos perceber que existe destaque sobre os grandes centros de poder político e ausência de trabalhos que dialoguem sobre a história social do campo docente.Assim sendo, este trabalho tem como objetivo averiguar as lideranças docentes que criaram a Associação Sul Rio-Grandense de Professores (ASRP) e a Associação Católica de Professores e Ação Social (ACPAS) mediante, a história social da educação procurando examinar suas atuações e seus planos de resistência em um contexto conflituoso e de intensas reformas políticas e socioeconômicas. A prosopografia se apresentou como uma metodologia favorável no desenvolvimento da pesquisa, possibilitando levantamento de dados relevantes sobre vida profissional e pessoal dos docentes pelotenses. As fontes utilizadas para o desenvolvimento deste trabalho foram: Almanack Laemmert e Revista Vida Policial. O Almanak Laemmert foi uma fonte fundamental no desenvolvimento do trabalho, pois tornou possível identificar nomes de professores e escolas atuantes na época. Apoiando-se nisso, iniciou uma coleta de dados onde foi possível analisar e organizar os anos 1930 e 1931. Na análise sobre o ano de 1930 foi possível identificar 17 escolas em atividade, total de 92 professores atuantes sendo que, 73 eram mulheres e 19 homens. No ano de 1931 notam-se mais 8 escolas em atividade e um total de 111 professores, dos quais 86 eram mulheres e 25 homens. Sendo assim, os Almanaks contribuíram na coleta de dados de 203 professores pelotenses possibilitando uma análise profunda sobre seus diferentes pontos de vista e concepções.Entretanto, é de suma relevância mencionar que se pretende investigar futuramente, os demais anos que correspondem a Era Vargas (1930-1945). A pesquisa realizada na Revista Vida Policial contribuiu para entendimento do contexto social da época proporcionando reconstrução do cenário de estudo a partir da análise dos conflitos políticos e educacionais. As edições da Revista dos anos 1942-1945 apresentavam uma matéria em destaque titulada como A Quinta Coluna trabalha contra o Brasil onde apresentava fotos, dados pessoais e profissionais, relatos sobre prisão/acusação de pessoas que subverteram as leis de nacionalização implementadas por Getúlio Vargas. Por meio desta fonte, foi possível identificar um grande número de pessoas que sofreram perseguições neste período sendo assim, por esse amplo resultado as análises e pesquisas continuam em andamento. Contudo, foi possível identificar que de 21 acusados e presos entre os anos (1942-1943) 12 eram professores deste modo, ficando evidente a intensa e rígida perseguição à classe docente.Os resultados parciais que este trabalho nos proporciona é análise do perfil da classe docente no período, apresentando-se um grupo diversificado com a presença de mulheres e membros de famílias importantes na cidade de Pelotas sendo possível também, definir que destes 203 professores, 17 eram líderes docentes das associações (ASRP) e (ACPAS).E os dados fornecidos pela Revista Vida Policial de 12 docentes que foram presos por conspirar contra o nacionalismo. Baseando-se neste detalhamento se pretende investigar minuciosamente a ação dos líderes das (ASRP) e (ACPAS) ao intercederem pelos professores cassados e presos.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
FERREIRA SOARES, T.; ALVES RAMOS DA ROSA, D.; MOREIRA VARGAS, J. DOCÊNCIA E ASSOCIATIVISMO EM PELOTAS NA ERA VARGAS (1930-1945). Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.