A CARTOGRAFIA E A REGIONALIZAÇÃO COMO SUBSÍDIOS PARA COMPREENSÃO DA DISTRIBUIÇÃO DA INFRAESTRUTURA HOSPITALAR PARA ENFRENTAR À COVID-19

  • William Wichrowski Sipert
  • Luciane Ardenghy Wichrowski
  • Nola Patricia Gamalho
Rótulo Regionalização, Infraestrutura, hospitalar, Cartografia, COVID-19

Resumo

Em 12 de dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, China, ocorreu o primeiro caso de hospitalização de um paciente infectado pelo novo coronavírus. Pouco mais de 30 dias após o registro oficial da primeira internação, em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS), declarava estado de emergência internacional de saúde pública devido ao contágio em nível global pelo Sars-CoV-2, sendo em meados de março declarado estado de pandemia. Por sua vez, no Brasil, o Ministério da Saúde, em 20 de março de 2020, reconhecia a transmissão comunitária em território nacional do novo coronavírus. Posto isso, observa-se a rápida difusão da doença em um mundo cada vez mais globalizado, no qual o intenso fluxo de pessoas, em busca de serviços e bens, teve um peso significativo na disseminação da COVID-19, através das interações espaciais e sociais, evidenciando-se, desta maneira, a dimensão geográfica da pandemia. Diversos foram, e ainda são, os impactos causados pela pandemia, principalmente aqueles associados à vida humana, que atingiram de forma desigual pessoas de diferentes faixas etárias, classes sociais, e de acordo com as particularidades de cada uma das regiões, ora pela forma de sua organização hierárquica, ora pela disponibilidade de infraestrutura hospitalar para atendimento e combate à COVID-19 que se distribui de maneira multiforme e desproporcional. Neste contexto, surge a necessidade de se compreender a dinâmica espacial da distribuição de infraestrutura hospitalar de aporte ao tratamento e apoio aos pacientes afetados pela COVID-19. Assim sendo o objetivo do presente estudo foi o de contextualizar e discutir aspectos relacionados as condições e a disponibilidade de infraestrutura hospitalar voltada ao combate à COVID-19 com auxílio de técnicas cartográficas e, a partir das regiões Imediatas e Intermediárias propostas pelo IBGE. Como etapa inicial da abordagem metodológica da pesquisa realizou-se um levantamento bibliográfico sobre conceitos associados a região, diferentes formas de regionalizar e planejamento regional. A partir de então se definiu o recorte espacial para análise, sendo este as Regiões Geográficas Intermediárias de Ijuí, Santa Maria e Uruguaiana, compostas, em conjunto, por 14 Regiões Geográficas Imediatas com abrangência de 127 munícipios, e população estimada para área de estudos em 2020 de 1.791.598 pessoas (IBGE). Por conseguinte, foram definidos os dados de infraestrutura hospitalar destinados ao atendimento e combate à COVID-19 relevantes para análise, para tanto se optou pelos seguintes, Leitos de UTI adulto SUS/privado, Leitos de Clínicos Adulto SUS/privado e número de respiradores. Os dados foram coletados a partir da plataforma SES/RS Coronavírus, mantida pela Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul. A partir da planilha eletrônica digital foram selecionados e sistematizados os dos dados com auxílio do editor de planilhas Microsoft Excel. A data estipulada para coleta das informações foi a de 31 de março de 2021, momento mais crítico da pandemia no estado, nos casos em que não haviam dados para os munícipios de abrangência da área de estudos na referida data, selecionou-se o primeiro dia anterior ao estipulado que possuía os dados. A partir de então se criou uma base de dados no formato de planilha eletrônica contendo as seguintes informações: código do munícipio de acordo com o IBGE, Região Geográfica Intermediária e Região Geográfica Imediata de pertencimento de cada um dos munícipios, número de leitos UTI adulto SUS e Privado, número de leitos clínicos Adulto SUS e Privado, número total de respiradores, estimativa populacional do munícipio para o ano de 2020. Para possibilitar a comparação entre os dados dos diferentes municípios optou-se por utilizar a razão entre o número total de equipamentos hospitalares disponíveis por município pelo número da estimativa populacional do mesmo por cem mil habitantes. Com auxílio do software QGIS v. 3.10.9 associou-se à base de dados criada com a malha municipal obtida através do IBGE e as informações foram especializadas nas regiões imediatas e intermediárias, formando assim a base cartográfica para análise. A partir da cartografia gerada foi possível observar que a distribuição da infraestrutura hospitalar se deu de maneira concentrada nos grandes centros urbanos e nos municípios de referência para cada Região Intermediária e Imediata, munícipios menores mostraram-se desassistidos de infraestrutura própria, sendo necessário deslocamento da população em busca de serviços de saúde para COVID-19 em grandes centros de referência regional. Conclui-se assim que a análise da infraestrutura hospitalar de atendimento a pacientes com COVID-19, tendo como subsídio a cartografia e a regionalização se mostrou efetiva para compressão do fenômeno em estudo, pois permitiu especializar diferentes dados aportando a compreensão de fluxos de deslocamentos e ordens hierárquicas do espaço.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
WICHROWSKI SIPERT, W.; ARDENGHY WICHROWSKI, L.; PATRICIA GAMALHO, N. A CARTOGRAFIA E A REGIONALIZAÇÃO COMO SUBSÍDIOS PARA COMPREENSÃO DA DISTRIBUIÇÃO DA INFRAESTRUTURA HOSPITALAR PARA ENFRENTAR À COVID-19. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.