O AUTOCUIDADO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA ANÁLISE SOBRE OS FATORES ASSOCIADOS DURANTE A PANDEMIA

  • Thalles Cruz
  • Haline da Silva Miotto
  • Susane Graup Do Rego
Rótulo Educação, Física, Docente, Autocuidado, Sobrecarga

Resumo

O autocuidado é um comportamento pessoal, que pode influenciar na saúde, porém não se dá de maneira isolada, mas em conjunto com fatores ambientais, sociais, econômicos, hereditários e relacionados aos serviços da saúde. Nesse sentido, alguns fatores têm sido apontados como déficits de autocuidado, dos quais a atividade física e questões relativas a sono e repouso são destacadas, uma vez que níveis adequados de atividade física e uma quantidade adequada de horas de sono favorecem a promoção da saúde. Considerando os fatores ambientais, sociais e econômicos, no final de 2019 o mundo foi acometido pela pandemia do COVID-19 que acabou afetando o comportamento de todas as pessoas, devido às restrições e medidas de isolamento. Nesse cenário, milhões de pessoas tiveram que ficar em casa e considerando o mundo do trabalho, vários profissionais tiveram que desenvolver suas atividades por meio do trabalho remoto. Nesse cenário, a educação foi um dos setores mais afetados, pois o ensino que era presencial passou a ser ministrado de forma virtual, o que gerou uma sobrecarga nos professores por terem que se adaptar a essa nova modalidade de ensino, que exigia entre outras tarefas o domínio de tecnologias. Dentro dessa nova realidade, especificamente o professor de Educação Física, foi particularmente afetado, pois teve que transformar seus conteúdos práticos em teóricos. Diante desse cenário de sobrecarga, que dificulta a possibilidade de descanso, somado ao isolamento social, que impôs algumas barreiras para a prática de atividades físicas, o presente estudo tem por objetivo analisar os aspectos de autocuidado dos professores de Educação Física do município de Uruguaiana RS durante a pandemia e a associação com os fatores relacionados às características do ensino remoto. Trata-se de um estudo descritivo diagnóstico de corte transversal, no qual participaram professores de Educação Física vinculados à Educação Básica de Uruguaiana RS. A amostra do presente estudo foi composta por 32 professores de Educação Física que lecionam na rede de ensino municipal, estadual e/ou privada do município de Uruguaiana, de ambos os sexos, sendo 53,1 % do sexo masculino e o período da coleta de dados foi durante o 2º semestre de 2020. Para realização do estudo, os professores foram contatados via redes sociais e convidados a participar, sendo disponibilizado um link para responder a um formulário eletrônico da plataforma Google Forms. De acordo com os resultados obtidos, foi possível verificar que grande parte dos docentes apresentou a necessidade de ampliar sua carga horária de trabalho durante o ensino remoto para atender as demandas exigidas, da mesma forma que obtivemos 65,6% dos participantes afirmando não ter conseguido manter as recomendações mínimas de atividade física para manutenção da sua saúde no decorrer do período. Ainda foi possível identificar uma associação significativa (p=0,003) entre o não atendimento às recomendações mínimas de atividade física para saúde e o fato de se sentir mais cansado com o ensino remoto, na qual 100% dos que não atingem a essa recomendação se sentem mais cansados nessa modalidade de ensino do que na presencial. Sendo assim, considerando o fato de se sentir mais cansado com o trabalho remoto, foi identificada associação significativa com o fato de se sentir preparado para o ensino remoto, no qual 100% dos que não se sentem cansados se consideram preparados para esse tipo de ensino (p=0,035). Da mesma forma foi identificada relevância com o cansaço durante este período e a necessidade de ampliação da carga horária de trabalho para atender as demandas, onde 85,7% dos professores que se sentem mais cansados tiveram ampliação em sua jornada de trabalho (p=0,006). A partir do que foi coletado e analisado nesta pesquisa, foi possível responder às questões que deram segmento e finalidade deste estudo, no qual grande parte dos docentes não conseguiu manter hábitos necessários de autocuidado, sendo um fator determinante para isso a relação com a sobrecarga excessiva de trabalho e o acúmulo de tarefas tanto na adaptação, elaboração e planejamento de aulas remotas, quanto em tarefas domésticas. Somado a isso, para aumentar essa sobrecarga, é possível perceber a falta de conhecimento ou despreparo por parte dos docentes com a tecnologia e os novos meios eletrônicos exigidos.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
CRUZ, T.; DA SILVA MIOTTO, H.; GRAUP DO REGO, S. O AUTOCUIDADO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA ANÁLISE SOBRE OS FATORES ASSOCIADOS DURANTE A PANDEMIA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.