A INTENSIFICAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE NA PANDEMIA DE COVID-19

  • Grazielle de Souza Brandão
  • Arthur Magalhães Viola
  • Juliane Dávila E Paiva
  • Juliana Brandão Machado
Rótulo Trabalho, docente, Ensino, remoto, Cibercultura

Resumo

Este trabalho compõe o projeto de pesquisa Docência no século XXI: políticas, narrativas, práticas e proposições para a construção de uma epistemologia do trabalho docente, da Universidade Federal do Pampa, Campus Jaguarão. Inicialmente, realizamos os estudos de alguns autores como Pierre Lévy e o conceito de cibercultura; Edméa Santos e a formação docente para a cibercultura; Nelson Pretto e a relação das tecnologias digitais com a educação; Maurice Tardif e os saberes no trabalho docente; Norma Ferreira e o conceito de estado da arte, e por fim Dalila Oliveira e a desvalorização do trabalho dos professores. Este trabalho é um recorte do projeto de pesquisa que pertence ao Eixo 2 - Ensino remoto e cibercultura e visa acompanhar o trabalho docente desencadeado na Educação Básica na pandemia de Covid-19, especialmente em relação ao ensino remoto, através de entrevistas com professoras de diversas etapas de ensino. A precarização do trabalho docente, o esgotamento físico, mental e psicológico dos professores já existiam e são apontados na literatura sobre o tema, mas o contexto que vivemos na pandemia intensificou problemas recorrentes como a sobrecarga de trabalho e a falta de valorização aos professores. Dessa forma, temos as seguintes problemáticas: Como as professoras se sentem em relação ao seu trabalho no ensino remoto? A carga horária de trabalho efetivo se mantém a mesma ou aumentou neste período? O objetivo principal é apresentar as experiências, as mudanças e possíveis sobrecargas de trabalho das professoras no ensino remoto emergencial. O interesse nesta discussão se justifica a partir da segunda etapa do projeto de pesquisa citado anteriormente, que consistia em realizar entrevistas com as professoras do município de Jaguarão, e por meio destas conversas algumas temáticas se destacaram. Logo, percebemos a necessidade de problematizar uma questão fundamental e preocupante, que afeta diretamente a saúde das professoras: a exaustão ocasionada pela sobrecarga de trabalho no cenário atual. A metodologia é de abordagem qualitativa e dividida entre a construção do estado da arte sobre docência e cibercultura, e a pesquisa de campo, através de entrevistas realizadas com dez professoras do município de Jaguarão. Elaboramos um roteiro de perguntas a fim de conhecermos as rotinas de trabalho e suas experiências, e em seguida realizamos as transcrições dessas entrevistas. O contexto histórico apresenta os professores como o centro da educação, e isso acarreta uma carga extensa de atividades a serem executadas por profissionais que ainda lutam por melhores remunerações, espaços adequados de trabalho e por políticas públicas que de fato os valorizem. Conforme os relatos das professoras entrevistadas, o ensino remoto emergencial, que foi pensado para dar continuidade aos processos educativos na pandemia, acabou colocando em evidência todas as desigualdades educacionais existentes em nosso país, principalmente em relação à precariedade do acesso à internet e aos recursos tecnológicos digitais, assim como pouca formação para o uso das tecnologias na educação e também um número maior de exigências e tarefas atribuídas aos docentes levando-os a um esgotamento físico e mental. As dez professoras mostraram um descontentamento com os processos burocráticos que envolvem preenchimento de planilhas, dados e informações nas plataformas a fim de controlarem os seus trabalhos. Relatam ainda que suas cargas horárias dobraram devido ao número excessivo de atribuições ocasionadas pelo ensino remoto. Uma das professoras aponta que precisou estabelecer alguns limites, pois a carga horária extensa estava fazendo com que ela adoecesse. As professoras relatam também que acabam atendendo os alunos aos finais de semana e também à noite, pois muitas crianças e jovens utilizam os aparelhos dos pais ou responsáveis e precisam aguardar que eles estejam disponíveis para o uso. Entre tantas questões elencadas por elas, a flexibilidade se faz necessária para que todos tenham direito às explicações e assim consigam desenvolver suas atividades. Os estudos da autora Dalila Oliveira mostram que as péssimas condições de trabalho estão atreladas à desvalorização docente, cujas melhorias seriam fundamentais para uma realização profissional. De acordo com as entrevistas, as professoras encontram-se cansadas, sobrecarregadas e com horários de trabalho prejudiciais ao bom desempenho das suas atividades laborais. Preocupam-se com os alunos e suas aprendizagens, a falta de acesso, a falta de equipamentos e ainda precisam dispor de tempo para participarem de formações que auxiliem em suas práticas pedagógicas. É preciso compreender a necessidade de apoio psicológico, pedagógico e até mesmo tecnológico aos professores para que eles possam exercer suas atribuições com mais facilidade, ancorados em políticas que priorizem principalmente a sua saúde, evitando uma intensificação arbitrária do trabalho docente, tanto na pandemia quanto para além dela.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DE SOUZA BRANDÃO, G.; MAGALHÃES VIOLA, A.; DÁVILA E PAIVA, J.; BRANDÃO MACHADO, J. A INTENSIFICAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE NA PANDEMIA DE COVID-19. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.