LIMITES E POSSIBILIDADES NO ENSINO REMOTO DE MATEMÁTICA: UM BREVE RELATO

  • Dienefer Margarida Vanzella Amaral
  • Gabriel Dos Santos Kehler
Rótulo Limites, Possibilidades, Ensino, Remoto, Matemática

Resumo

O presente estudo constitui-se como um recorte do trabalho de conclusão de Curso (Licenciatura em Matemática Unipampa, Campus Itaqui), considerando o momento pandêmico em âmbito mundial (COVID-19), pelo qual a humanidade vem passando. Assim, este estudo acolhe a importância e a necessidade em investigar os limites e as possibilidades do ensino remoto, dando voz aos professores de matemática que atuam ensino básico público, especificamente, docentes de duas escolas estaduais da cidade de Itaqui no Estado do Rio Grande do Sul. De modo geral, é sabido que historicamente o Brasil constitui-se como um país de extremas desigualdades socioeconômicas e com baixos índices educacionais, fato que com a chegada sem aviso da pandemia no país (março de 2020), evidenciou ainda mais esta triste e emergente realidade. Escolas fechadas, alunos e professores migrando para plataformas digitais. Com isso, vieram as inúmeras dificuldades docentes e discentes, sabendo que o ensino básico público ainda é comumente tradicional, professores não estavam aptos a ingressar para um novo modelo de ensino, o ensino remoto. Entretanto, cabe ressaltar que as dificuldades de ensino e de aprendizagem de matemática não estão presentes apenas no modelo remoto, docentes vêm lidando com problemas de ensinar esta disciplina presencialmente há anos. Muitas vezes, tal dificuldade de aprendizagem não está relacionada meramente com o seu não entendimento, mas sim, com uma espécie de medo da matemática''''. É preocupante a atual situação do Brasil em meio a pandemia, principalmente nos aspectos relacionados à educação. Além do desafio de entregar o conteúdo aos estudantes que não possuem acesso à internet, o docente encontra dificuldade em transformar a atividade em algo criativo e chamativo para o corpo discente. Com isso, tem-se como questionamento: Quais foram os limites e as dificuldades em ministrar aulas de matemática neste novo formato? Para tal, o estudo se inscreve como uma pesquisa qualitativa, operando metodologicamente a análise textual discursiva (ATD), em específico, as suas três "fases" de análise: unitarização, categorização e construção de metatexto. Destarte, se traz aqui, três questões observadas nas entrevistas via questionário, a saber: ao questionar - você acredita que a preparação que recebeu para o ensino remoto emergencial, foi suficiente para migrar do ensino presencial para o remoto? Por quê? Docente A: Olha, pra gente poder fazer a passagem do ensino presencial pro remoto de início, não! Nós tivemos bastante dificuldades até principalmente pelo fato do acesso deles à plataforma. Eu não tive maiores dificuldades de trabalhar com a plataforma, gosto e procuro ocupar tudo que ela nos propõe. Mas pra atingir os alunos foi e é difícil, mas agora tá menos difícil. Percebe-se na visibilidade discursiva que, mesmo com as dificuldades apresentadas, o/a docente não se acomodou, buscou alternativas pedagógicas (uma possibilidade de mudança pedagógica significativa). Em outro questionamento: Como está sendo entregue as atividades dos alunos que não conseguem acessar a plataforma? Uma das repostas: Através de materiais impressos. Já no terceiro questionamento: Qual o seu maior desafio no ensino remoto emergencial? Para esta questão são apresentadas duas respostas. A primeira: Olha, o maior desafio é a participação deles. conseguir com que eles se interessem foi mais difícil. A segunda resposta: A educação é meu maior desafio, não consigo trazê-los para perto, eles pensam que isso é uma brincadeira que logo vai passar, eu não sei se eles estão levando muito a sério". Podemos ver na primeira questão, relatada pelos professores que as preparações não foram suficientes, ocasionando ainda mais dificuldades, além das que já se encontravam, mas como uma possibilidade de busca por alternativas. No segundo questionamento, o relato é de que os alunos que não tinham acesso a plataforma e receberam materiais para levar para casa e depois retornar à escola para correção. Sendo que, o aluno acaba por se tornar autodidata, ensinando a si mesmo, pois o auxílio do professor acaba por ser o mínimo, já que não está presente quando o aluno está realizando as atividades ou quando surgem as dúvidas, que muitas vezes acabam não sendo sanadas. Na terceira questão pode-se observar a revolta e frustração dos professores em questão a educação, em específico, a participações nas aulas ou dos alunos não levarem a sério o momento em que estamos vivendo. Os problemas enfrentados por docentes e discentes, não veio por causa da pandemia, dificuldades de aprendizagem estão presentes desde muito antes, problemas de ensino e professores cansados, frustrados e não valorizados, também. Contudo, se espera que o Estado e as agências de governo compreendam que é necessário fomentar constantemente a formação e estrutura adequadas para o ensino tecnológico nas escolas, como uma aposta pedagógica inovadora e igualitaria para todos.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
MARGARIDA VANZELLA AMARAL, D.; DOS SANTOS KEHLER, G. LIMITES E POSSIBILIDADES NO ENSINO REMOTO DE MATEMÁTICA: UM BREVE RELATO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.