OS REFLEXOS DA ALTERAÇÃO DA POLÍTICA DOMÉSTICA NA POLÍTICA EXTERNA: UMA ANÁLISE DO GOVERNO MICHEL TEMER

  • Maria Eduarda Xavier Vilella
  • Maria Eduarda Xavier Vilella
  • Rafael Balardim
Rótulo Política, Externa, Brasileira, Governo, Michel, Temer, Esvaziamento, estratégico

Resumo

Ao longo da história do Brasil foram sendo desenvolvidos padrões de conduta da diplomacia, sendo fundamentais para a compreensão da formulação e das ações externas do país nos diferentes governos. Com eles, é possível traçar linhas de continuidade ou ruptura, que expressam as concepções presentes no âmbito doméstico e que determinam o âmbito externo. A partir disso, este resumo é resultado de uma pesquisa que analisa como que a forma a alteração de um governo modifica a condução da política externa. Dessa forma, o problema que fundamenta essa investigação é a influência que a troca de presidentes exerce sobre as características da diplomacia brasileira, tendo por exemplo o governo de Michel Temer (2016 2018), o objeto desse trabalho. Nesse sentido, os objetivos específicos que foram buscados através desse estudo são: i) entender como a mudança de governo esteve ligada com conceitos como neodesenvolvimentismo e neoliberalismo; ii) identificar as diretrizes lançadas pelo governo, como forma de nortear a política externa do país. A hipótese é que a transição do governo trouxe para a política externa um esvaziamento (ausência) de estratégias para com as características e relações do Estado brasileiro. Para o desenvolvimento, utilizou-se uma abordagem qualitativa com revisão bibliográfica, levantamento de literatura contemporânea publicada que já analisaram esse objeto e análise documental, como jornais e sites oficiais para identificar as ações, posições e pronunciamentos do governo ou de seus agentes no plano internacional. Como resultado, identificou que a mudança de presidente em maio de 2016, tendo Michel Temer assumindo o Poder Executivo, representou alterações iniciadas na esfera doméstica, mas com grandes reflexos na esfera internacional. Primeiro, porque houve uma alteração da ideologia do neodesenvolvimentismo para o neoliberalismo, onde promoveu uma condução e formulação da diplomacia diferente das implementadas pelos governos anteriores, Dilma Rousseff e Lula, sendo esta a forma de romper os laços com estes. Em segundo lugar, identificou a existência de uma modificação do papel do Estado como agente logístico na promoção do desenvolvimento, principalmente, ao formular uma agenda que se afastasse dos valores até então exercidos. Terceiro, constata-se que as características do acumulado histórico, por exemplo, como pragmatismo, não intervenção e solução pacífica de controvérsias foram abandonadas, ao escolher se alinhar com os Estados Unidos e adotar uma postura mais agressiva para com a crise política da Venezuela no lugar de construir um diálogo e ações mais propositivas e conciliatórias. Por fim, identifica uma distância entre o discurso e prática, já que inicialmente o governo apresentou um projeto voltado a preservação e defesa ambiental, demonstrando o compromisso com a assinatura do Acordo de Paris, porém se afastou ao não fornecer políticas em sintonia com as apresentadas para com o desmatamento e as queimadas do país. Com isso, a hipótese levantada no início da pesquisa foi corroborada, já que a transição de um governo para o outro impactou nas políticas domésticas, mas também nas externas, onde verifica-se uma ausência de estratégias, passando muito mais a constituir uma política de governo do que necessariamente realçar os interesses nacionais que se baseiam uma política de Estado. Dessa forma, o governo de Michel Temer representou para a diplomacia brasileira um afastamento das características do acumulado histórico, proporcionando que estas causem reflexos nos anos seguintes. Os resultados obtidos possuem um alto grau de relevância, já que apresentam de que forma a mudança de governo e da base aliada impactam as políticas externas. Com isso, reforça a necessidade de que esta seja ligada ao Estado e não aos governos. As discussões que se pode tirar a partir desse estudo são: até que ponto é aceitável que as ações exteriores do Brasil permaneçam atreladas a pessoa a frente do Poder Executivo?; quais são os limites de afastamento das características da diplomacia brasileira até então empregadas?; e, por fim, existem valores da sociedade brasileira ou de grupos políticos? Portanto, a postura do Brasil durante esse período contribuiu para que as formulações da política externa se atentem a história construída há anos, devendo ser observadas para que mesmo com mudanças de governo, não represente afastamentos dos interesses nacionais.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
EDUARDA XAVIER VILELLA, M.; EDUARDA XAVIER VILELLA, M.; BALARDIM, R. OS REFLEXOS DA ALTERAÇÃO DA POLÍTICA DOMÉSTICA NA POLÍTICA EXTERNA: UMA ANÁLISE DO GOVERNO MICHEL TEMER. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.