A TEORIA DA DEPENDÊNCIA: ANÁLISE DA POLÍTICA EXTERNA DESENVOLVIMENTISTA DE JUSCELINO KUBISTCHEK (1956-1961)

  • Cassiano Schwantes
  • Rafael Balardim
Rótulo Política, Externa, Juscelino, Kubistchek, Teoria, Dependência

Resumo

O fim da II Guerra Mundial representou uma nova fase para o capitalismo mundial e por consequência, das relações entre os países. Desde a queda da bolsa dos EUA em 1929, a Grande Depressão havia retraído as economias capitalistas desenvolvidas e inserido uma ideologia desenvolvimentista nos países subdesenvolvidos da América Latina em específico. Assim, tais países iniciaram processos reformistas que marcaram o fim do período agroexportador do século XX e projetaram os paradigmas do desenvolvimentismo em busca de maior independência econômica, social e política. O caráter nacionalista que surgiu juntamente com o processo de industrialização via substituição de importações (PSI) é característica para se entender as formações da industrialização periférica. A criação da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL) foi uma das organizações criadas a fim de explicar e apresentar os vieses econômicos estruturais que caracterizaram e ao mesmo tempo, limitaram o pleno desenvolvimento das nações latino americanas. As Teorias do Desenvolvimento elaboradas por diversos pensadores da América Latina, principalmente por Raúl Prebisch, acabaram por se mostrar ineficientes diante do estrangulamento do PSI a partir de 1950. Como consequência, a Teoria da Dependência se fundou com um olhar mais crítico diante das possibilidades de desenvolvimento real da periferia, na qual o subdesenvolvimento acaba sendo dissociado dos próprios ciclos econômicos capitalistas. As diversas vertentes da Teoria da Dependência, em especial, a Marxista elaborada por Ruy Mauro Marini, disserta principalmente sobre a deterioração dos termos de trocas, na qual o subdesenvolvimento da América Latina se torna vetor essencial para garantir o desenvolvimento dos países do centro econômico mundial. Assim, dentro do período desenvolvimentista da região, essa pesquisa se tratando da política externa de Juscelino Kubistchek (1956-1961) aborda as principais medidas e ações formuladas por JK através de seu nacional desenvolvimentismo aberto ao capital internacional, princípio que o diferenciou das políticas industriais de seus posteriores, como Getúlio Vargas (1954). Essa pesquisa tem como problema central a seguinte pergunta: o Brasil se tornou mais dependente após as políticas desenvolvimentistas de JK dentro das relações centro-periferia? Para responder essa questão, esse trabalho exploratório foi de caráter bibliográfico, logo que buscou fontes primárias e secundárias sobre as teorias discutidas no trabalho e, sobre as políticas desenvolvimentistas adotadas por Juscelino. Logo, também, essa pesquisa a partir de um método qualitativo e hipotético dedutivo possuí como hipótese que à luz da Teoria da Dependência, as políticas adotadas pela diplomacia liberal de JK, serviram para consolidar uma nova estrutura de dependência no Brasil, sendo essa nova estrutura que nasceu com Bretton Woods e escancarou novas relações para a economia mundial. Para responder essa hipótese, tem-se como objetivo geral analisar a política externa desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek (1956-1961) à luz da crítica da Teoria da Dependência. Portanto, pela vertente marxista da Teoria da Dependência, o conceito de subdesenvolvimento se dá como uma relação de subordinação entre os países da periferia com o centro, nos quais a todo momento estes últimos estão formulando novas crises de capital, de tal modo que sempre acabam por encaixar novas funções para os países periféricos da América Latina objetivando manter a reprodução de desenvolvimento no centro. Ademais, com a entrada do capital internacional por meio das multinacionais do período JK principalmente pela Operação Pan Americana e pelo Plano de Metas - ocorreu um crescimento econômico favorável para o país, contudo, destaca-se que essa ampliação econômica se limita por ser própria e inerente às condições cíclicas do sistema capitalista, o qual exigiu que os países latino americanos se desenvolvessem a seu modo, apenas para garantir a industrialização plena do centro industrial do mundo. O que não garantiu que o Brasil se tornasse livre da liquidez do mercado internacional, obrigando com que o país recorresse aos órgãos de empréstimos internacionais, como o FMI, para pagar os montantes advindos do capital internacional para a concretização dos planos de JK. Sendo assim, a nossa hipótese inicial de que as políticas econômicas de Juscelino serviram apenas para consolidar um capitalismo ascendente e mais dependente dentro do Brasil se faz assertiva segundo a lógica marxista da Teoria da Dependência. De maneira que, por fim, pode-se concluir que se torna inviável conseguir maior independência, seja ela política ou socioeconômica, do centro da economia mundial, pois o sistema já estruturou historicamente a periferia como lugar de exploração e ineficaz em garantir sua própria acumulação de capital aos moldes do centro, impossibilitando uma industrialização plena.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
SCHWANTES, C.; BALARDIM, R. A TEORIA DA DEPENDÊNCIA: ANÁLISE DA POLÍTICA EXTERNA DESENVOLVIMENTISTA DE JUSCELINO KUBISTCHEK (1956-1961). Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.