POSICIONAMENTO DA CHINA QUANTO A REFORMA DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU E AS RELAÇÕES SINO-INDIANAS

  • Teodora Maicá Soares
  • Anna Carletti
Rótulo República, Popular, China, Índia, Conselho, Segurança, ONU

Resumo

A escolha dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSONU), criado no mesmo ano que a organização (1945), em tal contexto se mostra facilmente compreensível, tendo em vista o fim da II Guerra Mundial e o papel dos atores citados no sistema internacional. Porém, com o fim da Guerra Fria na década de 90 e as mudanças pelas quais o cenário global passou durante a segunda metade do século XX, a representatividade do Conselho de Segurança passa a ser questionada por diversas partes. A China, entendendo por sua própria experiência e dificuldades que enfrentou ao longo de sua história recente ao buscar aceitação perante outros Estados, presta muita atenção às pautas dos países do sul global, do qual faz parte. Em decorrência disso, desde que as primeiras discussões sobre a reforma do CSONU surgiram na década de 90 o país se mostrou aberto à ideia e às reivindicações feitas. Entretanto, o Estado asiático mostrou receio ao longo dos anos em se posicionar quando a campanha da Índia por um assento permanente no conselho. Apesar de a reforma do CSONU ser um tema de debate há cerca de trinta anos, e ocasionalmente trazido à tona no Brasil tendo em vista que esse país durante certo tempo também buscou pela permanência no conselho, existe uma lacuna de pesquisa sobre a temática da qual esse trabalho se propõem a tratar e por isso o mesmo foi desenvolvido. Tendo em vista as proporções que China e Índia representam no continente asiático, que vão muito além das numerosas populações de ambas, esse trabalho busca inserir as relações sino-indianas dentro da questão reforma do Conselho de Segurança. O objetivo do trabalho é analisar como a história das relações entre China e Índia, assim como questões contemporâneas, como as disputas ocorridas na fronteira entre os dois Estados, influenciam na postura que a China adota frente a busca indiana por um assento permanente no CSONU. A pesquisa para este trabalho foi desenvolvida através de um método hipotético-dedutivo, de caráter qualitativo, histórico e bibliográfico. Foram consultados documentos das Nações Unidas assim como bibliografias sobre o histórico das relações entre China e Índia. Além disso, foram analisadas declarações feitas por representantes dos dois Estados para podermos entender o posicionamento de ambos, não somente sobre a questão aqui abordada, mas também sobre suas visões um do outro em diferentes âmbitos. Analisando-se a relação sino-indiana ao longo dos anos pode-se observar que os dois países mostram sinais prósperos no caminho a cooperação em algumas esferas, como a econômica, mas em outras, como a territorial, ainda são um ponto de tensão entre ambas. O aumento das relações bilaterais entre os dois países, com grande destaque para a questão econômica, é notável, principalmente, a partir das novas lideranças que assumiram China e Índia, respectivamente, em 2012 e 2014, Xi Jinping e Narendra Modi. Porém, a prosperidade econômica entre os dois Estados não diminui o impacto que divergências políticas e territoriais tem no vínculo entre ambos. Apesar do avanço positivo nas relações econômicas, e na promoção da agenda dos países em desenvolvimento, o problema territorial entre os dois países, além da presença chinesa no Sul Asiático, geraram momentos de tensão entre China e Índia no decorrer dos anos. As regiões de Aksai Chin e Arunachal Pradesh são pontos históricos de tensão entre os dois Estados, desde a Guerra Indo-Chinesa em 1962, além da fronteira do Himalaia, que recentemente foi local de conflito direto entre soldados indianos e chineses. Os elementos apresentados ajudam a, brevemente, introduzir as peculiaridades da relação sino-indiana, que fazem os países terem maior similaridade e concordância em determinados temas, como a economia, do que outros, como a questão fronteiriça. Após a análise da relação flutuante que ambos Estados possuem um com o outro, pode-se concluir que a falta de posicionamento chinês quanto a campanha da Índia por um assento permanente é, de certa forma, influenciada pelas divergências entre os dois países. A disputa por esferas de influência na Ásia, assim como a questão na fronteira, ajudam a entender o receio chinês em apoiar diretamente a Índia, tendo em vista a expressão que a mesma ganharia caso conseguisse o tão desejado assento permanente no CSONU.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
MAICÁ SOARES, T.; CARLETTI, A. POSICIONAMENTO DA CHINA QUANTO A REFORMA DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU E AS RELAÇÕES SINO-INDIANAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.