BURKINA FASO E O MOVIMENTO DOS PAÍSES NÃO-ALINHADOS: INFLUÊNCIAS DO MOVIMENTO SOBRE A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO PAÍS

  • Caroline Micaela de Souza Greco
  • Kamilla Raquel Rizzi
  • Nathaly Silva Xavier Schutz
Rótulo Movimento, dos, Países, Não-Alinhados, Burkina, Faso, Inserção, Internacional, Projeto, Defesa

Resumo

A seguinte pesquisa foi elaborada buscando compreender os impactos e possível influência do Movimento dos Países Não-Alinhados sob o processo de independência e de revolução de Burkina Faso, além de seu projeto de inserção internacional sob uma perspectiva do desenvolvimento de seu projeto de defesa nacional. O Movimento dos Países Não Alinhados ganha seu pontapé inicial desenvolvimentista a partir da Primeira Conferência de Bandung, em 1955, cuja qual alinha os objetivos de emancipação econômica, política e social de países terceiro mundistas da África e da Ásia, diante de um sistema internacional bipolar dividido pela influência das grandes potências antagonistas do período, Estados Unidos e União Soviética. Esse Movimento cria um ensejo para a ascensão de diversos países no sistema internacional, à exemplo, o crescimento chinês, o qual torna-se uma das principais potências no século XXI. Pensando nisso, analisa-se as influências e impactos que o Movimento dos Países Não-Alinhados gerou domesticamente em Burkina Faso, a partir de sua independência, em 1960, até o ápice da Revolução Sankarista, em 1983. Conjuntamente, analisa-se o processo revolucionário, político, econômico e ideológico da Revolução comandada por Thomas Sankara, esta que de teor militar, levaria Burkina Faso, pela primeira vez a fugir do regime neocolonial que vivenciava desde sua independência sob uma série de regimes militares e com mesmas características de política externa e econômica. Somente no período da Revolução Sankarista o pequeno país adquiriria diferente dimensão no sistema internacional. A pesquisa tem por objetivo principal analisar a influência que o Movimento dos Países Não-Alinhados teve sob os processos de mudanças políticas da região afro-asiática, vislumbrando o processo revolucionário de Burkina Faso em 1983, e de forma mais específica, busca compreender a influência desse movimento na forma em que o Burkina Faso insere-se internacionalmente, bem como às suas escolhas estratégicas para a construção de sua defesa nacional. A metodologia utilizada é referencial bibliográfico, através da análise de livros, artigos e demais publicações científicas sobre a temática, além de utilizar-se da teoria de relações internacionais de sistema-mundo do teórico Wallerstein juntamente à teoria de pós-colonialidade de Frantz Fanon para basear-se e exemplificar os processos analisados no decorrer da pesquisa. Após analisarmos a historiografia trazida no referencial bibliográfico, juntamente ao balanceamento dos teóricos utilizados, é possível conceber, parcialmente, a presente influência, principalmente ideológica, do Movimento dos Não-Alinhados no processo de descolonização na década de 1960, bem como na revolução Sankarista na década de 1980 e seus ideais de reforma social e econômica. Além do mais, notam-se os desdobramentos da inserção internacional burkinabe, que possuem características uma vez consolidadas através do Movimento dos Não-Alinhados, como a busca pela emancipação dos laços coloniais com a europa e, também um alastramento das relações diplomáticas com países de alas revolucionárias de esquerda, como Cuba e União Soviética. A construção da defesa nacional de Burkina Faso, à época da Revolução de 1983, igualmente exibirá detalhes do impacto do Movimento sobre o pequeno país, à exemplo de uma política de defesa independente, que buscava desligar-se das relações bilaterais com suas potências colonizadoras e voltar-se para o desenvolvimento doméstico militar e para as relações geoestratégicas com países também africanos, como a Líbia. Em suma, crê-se que o Movimento dos Não-Alinhados permeia como fator influenciador nas revoluções anticoloniais africanas, usualmente no espectro político de esquerda, e também no processo revolucionário de Burkina Faso, bem como sua tentativa de exercer políticas de defesa independentes que reivindicam a soberania nacional burkinabe.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
MICAELA DE SOUZA GRECO, C.; RAQUEL RIZZI, K.; SILVA XAVIER SCHUTZ, N. BURKINA FASO E O MOVIMENTO DOS PAÍSES NÃO-ALINHADOS: INFLUÊNCIAS DO MOVIMENTO SOBRE A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO PAÍS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.