ETNOMATEMÁTICA: A CULTURA E O FAZER MATEMÁTICO NAS PESQUISAS DE MESTRADO NAS UNIVERSIDADES DO EXTREMO SUL DO RS

  • Luciane Brum Soares
  • Daniela Delfim Cruz
  • Simone Silva Alves
Rótulo Etnomatemática, cultura, pesquisa

Resumo

ETNOMATEMÁTICA: A CULTURA E O FAZER MATEMÁTICO NAS PESQUISAS DE MESTRADO NAS UNIVERSIDADES DO EXTREMO SUL DO RS Daniela Delfim Cruz, discente de pós- graduação, Universidade Federal do Pampa Luciane Brum Soares, discente de pós-graduação, Universidade Federal do Pampa Simone Silva Alves, docente orientadora, Universidade Federal do Pampa danielacruz.aluno@unipampa.edu.br A Etnomatemática, concebida e defendida por DAmbrosio como a matemática praticada por diversos grupos culturais, surgiu na década de 70 e se espalhou pelo mundo produzindo muitas ideias que geraram, através de discussões, uma literatura bastante diversificada. Essa conceituação nos mostra outra forma de pensar matemática e nos estimulou ao aprofundamento do tema pela importância de adotarmos desvios da educação preconcebida na área de matemática. Com base no exposto, emergiu a seguinte questão-problema: Como vem se constituindo o trabalho investigativo sobre a Etnomatemática nas universidades do Extremo Sul do Rio Grande do Sul? Como objetivo, buscou-se verificar e analisar a produção de trabalhos a nível de mestrado com revisão bibliográfica que trata do campo científico etnomatemático. Metodologicamente, classifica-se quanto à natureza como qualitativa e procedimentalmente é uma pesquisa bibliográfica. Os dados empíricos foram obtidos nos repositórios de universidades do Extremo Sul do Rio Grande do Sul, quais sejam: Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Utilizamos como descritor o termo Etnomatemática, estabelecendo recorte temporal 2018- 2020, escolha intencional para obtenção de estudos atuais. Os resultados mostram que nas quatro universidades selecionadas, no período indicado, encontramos 10 dissertações sobre a temática, quantitativo discreto em consideração ao público acadêmico, mas suficiente para nossas considerações iniciais. Nos repositórios da UERGS e UNIPAMPA não foram encontrados trabalhos sobre a etnomatemática. Na UFPEL, encontramos nove dissertações: cinco desenvolvidas através de atividades realizadas com alunos nas escolas e quatro em comunidades e/ou grupos específicos. De modo geral, os trabalhos analisados reforçam a diversidade de formas de se fazer matemática, como, por exemplo, através de jogos de linguagens provenientes de grupos específicos e situações que exigem reflexões e investigações. Também ficou evidente que as influências subjetivas das relações de poder do cotidiano interferem no fazer matemático da sala de aula. Já na FURG, localizamos uma dissertação de mestrado profissional que, a partir da problematização da plantação de arroz, desloca os saberes matemáticos de forma a valorizar o que é importante para a comunidade onde foi desenvolvida. Essa dissertação destaca-se ainda, pela riqueza de detalhes no percurso metodológico, e diálogo entre comunidade e produção do saber matemático. Concluímos que: a produção de pesquisa nas universidades gaúchas da região sul, nos últimos quatro anos, figuram de forma discreta nos repositórios das universidades, o que denota ou justifica a dificuldade de se implementar o trabalho nas escolas ou em outros espaços educativos não formais. Tal achado pode evidenciar a necessidade de criar espaços de diálogos nos cursos de Pós-Graduação sobre as práticas em Educação Matemática e os saberes culturais, em especial em programas específicos da área. Além disso, chama a atenção a ausência de alguns atores sociais (pescadores, peões, negros e indígenas) como sujeitos das pesquisas. Também não detectamos menção ao currículo de educação básica ou de formação de professores como indicadores de hipóteses para o devido trabalho etnomatemático. Igualmente, sinalizamos a importância de conhecer as diferentes formas de fazer matemática e uma preocupação em relação aos casos em que a mesma matemática é ensinada em diferentes culturas. A utilização da etnomatemática nos trabalhos realizados, nas salas de aula, descomplicou o fazer matemático, pois surgiu a possibilidade de um olhar diferenciado em relação ao que foi proposto. Nas comunidades ou grupos específicos, validou e confirmou o desenvolvimento de uma matemática para resolver problemas do cotidiano, diferente da matemática escolar. Por fim, salientamos que o conhecimento produzido e compartilhado pelos grupos constitui um local essencial para construção de trocas de conhecimentos entre universidade e comunidade. Agradecimentos: Desejamos agradecer aqui as instituições: CAPES, CNPq, MEC que fomentaram este trabalho. Palavras-chave: Etnomatemática; Cultura; Pesquisa.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
BRUM SOARES, L.; DELFIM CRUZ, D.; SILVA ALVES, S. ETNOMATEMÁTICA: A CULTURA E O FAZER MATEMÁTICO NAS PESQUISAS DE MESTRADO NAS UNIVERSIDADES DO EXTREMO SUL DO RS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.