ARQUITETURA FACIOLÓGICA DE DEPÓSITOS DE MARÉ PROTEROZÓICOS

  • Valquiria Tavares
  • Valquiria Tavares Macario
  • Maria Eduarda Martins de Mattos
  • Ezequiel Galvao de Souza
Rótulo Modelos, virtuais, afloramento, Neoproterozóico, Formação, Morro, Chapéu

Resumo

A resposta da atração gravitacional gerada pelo sistema Terra-lua e pelo sol sob os oceanos, associada à rotação da Terra, resulta nos fenômenos conhecidos como marés. As marés são caracterizadas pela formação de bulbos aquosos que variam ao longo do dia e geram correntes que erodem, transportam e acumulam sedimentos. O ciclo diário de maré é composto por dois picos de maré alta e dois de maré baixa que podem variar sua amplitude conforme a morfologia da costa e sua posição no globo terrestre. No momento em que o sol e a lua se alinham em uma reta em relação à Terra (lua cheia e nova), as suas atrações gravitacionais irão se somar, fazendo com que os intervalos de marés sejam maiores do que a média, esse efeito é chamado de marés de sizígia. Já quando estão em ângulos retos em relação à Terra (lua minguante e crescente), suas forças se opõem uma à outra e assim a amplitude da maré é menor do que a média, chamado de marés de quadratura. Os regimes de maré podem ser classificados conforme a variação de amplitude entre o pico de maré alta e baixa como megamaré (> 8 m), macromaré (> 4 m), mesomaré (2 a 4 m) e micromaré (<2m). Os regimes de maior amplitudes são característicos de ambientes como estuários e deltas dominados por marés, transportam grande volume de sedimento, e formam 1/3 das porções costeiras mundiais. Já os regimes de meso e micromarés são resultantes da interação de processos de maré com outros processos hidrodinâmicos, tornando difícil a preservação no registro e muitas vezes tornando as marés subordinadas a estes outros processos. Os depósitos sedimentares de maré registram a mudança periódica na velocidade e direção das correntes entre as marés alta e baixa, produzindo estruturas sedimentares características, tais como os ritmitos, estratificação cruzada espinha de peixe, tidal bundles, cordões de maré e dunas compostas de marés. Estas estruturas ocorrem ao longo de subdivisões dos ambientes deposicionais que podem ser divididos em: i) supramaré, área mais próxima da costa (backshore), inundada somente durante tempestades ou marés mais altas (sizígia), incluindo ambientes como planícies de maré, mangues, salinas e leques de washover; ii) intermaré, corresponde ao foreshore e limita-se entre o nível de maré alta o de maré baixa, podendo ocorrer canais de maré e planícies de marés; e iii) submaré, que correspondem aos depósitos abaixo da maré baixa (shoreface), predominando correntes de maré e ondas, canais de marés distais ou frentes deltaicas marés. O estudo destes depósitos sedimentares, bem como das rochas sedimentares podem contribuir para o entendimento dos processos relacionados à natureza da maré, à sazonalidade do clima terrestre, à variação da distância entre Terra e Lua, entre outros fatores importantes para o reconhecimento de paleoambeintes. A presente pesquisa tem como objetivo a interpretação faciológica dos depósitos de maré contidos nas rochas sedimentares da Formação Morro do Chapéu (Neoproterozóico - Bahia/Brasil), visando a reconstrução das formas de leito e a compreensão da dinâmica deposicional durante o intervalo de estudo. A área de estudo encontra-se na cidade de Morro do Chapéu, centro-norte do Cráton São Francisco e é parte do Supergrupo Espinhaço. A Formação Morro do Chapéu é caracterizada por conglomerados basais sobrepostos por arenitos finos gradando para arenitos e lamitos intercalados. Estes sedimentos são interpretados como depósitos de sistemas fluviais e costeiros, com ocorrência de depósitos de submaré. A metodologia a ser desenvolvida consiste em: (I) levantamento bibliográfico detalhado os depósitos de marés e mecanismos controladores da sedimentação; (II) análise de Modelos Virtuais de Afloramentos por meio do software Agisoft Metashape, identificando diferentes fotofácies; (III) interpretação de cada fácies segundo a sua geometria externa, configuração interna (cor, textura e estruturas), tamanho (comprimento e espessura) e características internas; (IV) análise petrográfica de lâminas delgadas para confirmação da granulometria. Estima-se com este estudo caracterizar e classificar as formas de leito oriundas dos processos de maré que constituem a Formação Morro do Chapéu. Com este resultado será possível descrever a dinâmica dos processos sedimentares deste sistema deposicional, permitindo a compreensão da variação das marés durante o Neoproterozóico.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
TAVARES, V.; TAVARES MACARIO, V.; EDUARDA MARTINS DE MATTOS, M.; GALVAO DE SOUZA, E. ARQUITETURA FACIOLÓGICA DE DEPÓSITOS DE MARÉ PROTEROZÓICOS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.