REDESCOBRINDO O AFLORAMENTO CERRO CHATO: CONTEXTO HISTÓRICO E PALEONTOLÓGICO

  • Karine Pohlmann Bulsing
  • Joseane Salau Ferraz
  • Felipe Lima Pinheiro
  • Joseline Manfroi
Rótulo Permiano, Formação, Rio, Rasto, Associação, florística, faunística

Resumo

Na paleontologia, o Brasil é mundialmente reconhecido, no meio científico, por revelar registros fossilíferos únicos e de significativa importância para a compreensão da história da vida na Terra. Os fósseis guardam informações capazes de tecer ricas considerações sobre a evolução dos seres vivos e sobre as mudanças ambientais, climáticas e geográficas que ocorreram ao longo do tempo geológico. Neste sentido, o reconhecimento e estudo de depósitos fossilíferos de diferentes idades é incontestavelmente necessário e relevante para o avanço científico na área das Ciências Biológicas e Ciências da Terra. Dentre os estados brasileiros, o Rio Grande do Sul destaca-se quanto à abundância de depósitos fossilíferos do Período Permiano, ao fim do qual ocorreu a maior extinção em massa evidenciada no tempo profundo. Os depósitos do afloramento Cerro Chato, como foi denominado e descrito pela primeira vez na literatura, em 1951, pelos pesquisadores Emmanoel A. Martins e Mariano Sena-Sobrinho, correspondem à Formação Rio do Rasto, Permiano Superior da Bacia do Paraná. O sítio, por muito tempo desaparecido, está localizado na porção sudoeste do Rio Grande do Sul, no município de Dom Pedrito, com as coordenadas geográficas, hoje conhecidas, 54°55 E, 30° 53 S. O longo período em que a localização do afloramento permaneceu desconhecida se deve à ausência de referências geográficas eficientes na literatura e ao desuso de estradas vicinais que possibilitavam o acesso ao afloramento. Inúmeras tentativas sem êxito foram realizadas em sua localização, que permaneceu desconhecida por mais de 50 anos. Todavia, recentemente, pesquisadores da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) redescobriram a localização do afloramento Cerro Chato, retomando a possibilidade da realização de pesquisas científicas na área da Paleontologia para esta localidade. Apesar de possuir conteúdo fossilífero ímpar, como mencionado pelos seus descobridores em 1951, contendo importantes registros paleobotânicos preservados, sendo inclusive a origem do holótipo de Cyclodendron dolianiti, uma licófita. Neste trabalho, apresentamos como principal objetivo a reintrodução do afloramento Cerro Chato no âmbito paleontológico, como também, futuras realizações de trabalhos a fim de explorar o potencial paleontológico deste afloramento. Neste sentido, o Laboratório de Paleobiologia da UNIPAMPA, com apoio da Prefeitura Municipal de Dom Pedrito, realizou duas expedições de campo para prospecção e coleta de material fossilífero, sendo que ambas revelaram uma nova página a ser escrita na história do afloramento Cerro Chato. Além do conteúdo fossilífero já mencionado por outros autores, foram prospectados exemplares fósseis muito bem preservados de plantas e vertebrados (peixes) inéditos para este afloramento, demonstrando uma associação florística e faunística de significativa importância para futuras interpretações e reconstituições paleoambientais, podendo inclusive representar um potencial Lagerstätte para o Permiano do Rio Grande do Sul. O desenvolvimento das pesquisas no redescoberto afloramento Cerro Chato estão em fase inicial. Entretanto, já demonstram seu caráter auspicioso para a paleontologia brasileira. Portanto, a realização de estudos aprofundados a respeito de espécimes presentes no afloramento Cerro Chato pode gerar informações capazes de acessar a distribuição paleobiogeográfica dos clados presentes no local, como também, auxiliar na melhor compreensão dos eventos ambientais ocorrentes no Período Permiano.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
POHLMANN BULSING, K.; SALAU FERRAZ, J.; LIMA PINHEIRO, F.; MANFROI, J. REDESCOBRINDO O AFLORAMENTO CERRO CHATO: CONTEXTO HISTÓRICO E PALEONTOLÓGICO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.